Capítulo 14

A Religião Moderna

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O Buddhismo é forte o suficiente para enfrentar quaisquer visões modernas que possam desafiar a religião

As idéias buddhistas contribuíram muito para o enriquecimento tanto do pensamento antigo quanto do moderno. Seu ensinamento sobre a causação e o relativismo, sua doutrina sobre os dados dos sentidos, seu pragmatismo, sua ênfase sobre a moral, sua não-aceitação de uma alma permanente, sua despreocupação com relação a forças externas sobrenaturais, sua negação de ritos e rituais religiosos desnecessários, seu apelo à razão e à experiência e sua compatibilidade com as descobertas científicas, tudo isso tende a estabelecer sua reivindicação pela modernidade.

O Buddhismo é capaz de preencher todos os requisitos de uma religião racional que se encaixa nas necessidades do mundo futuro. Ela é tão científica, tão racional, tão progressista que será um orgulho para um homem no mundo moderno se chamar de buddhista. De fato, o Buddhismo é mais científico em sua abordagem do que a ciência; ele é mais socialista do que o socialismo.

Entre todos os grandes fundadores de religiões, foi somente o Buddha que encorajou o espírito de investigação entre Seus seguidores e que os advertiu a não aceitar com fé cega, mesmo Seus Ensinamentos. Portanto, não é exagero dizer que o Buddhismo pode ser chamado de uma religião moderna.

O Buddhismo é um esquema bem elaborado a respeito de como levar uma vida prática e um sistema bem pensado de autocultura. Mais que isso, é um método científico de educação. Essa religião é melhor capaz, em qualquer crise, de restaurar nossa paz mental e nos ajudar a enfrentar calmamente quaisquer mudanças que o futuro nos reserve.

Sem o prazer sensorial, a vida seria tolerável? Sem a crença na imortalidade, pode o homem ser moral? Sem recorrer à divindade, pode o homem avançar em direção à retidão? SIM, é a resposta dada pelo Buddhismo. Tais objetivos podem ser atingidos pelo conhecimento e pela purificação da mente. O conhecimento é a chave para o caminho superior. A purificação é o que leva a calma e a paz para a vida e torna o homem indiferente e desapegado dos caprichos do mundo fenomênico.

O Buddhismo é verdadeiramente uma religião que se adapta ao mundo moderno e científico. A luz que vem da natureza, da ciência, da história, da experiência humana, de cada ponto do universo, fica radiante com os Nobres Ensinamentos do Buddha.

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A Religião numa Era Científica

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Religião sem ciência é aleijada, enquanto ciência sem religião é cega

Vivemos hoje numa era científica na qual quase todos os aspectos de nossa vida foram afetados pela ciência. Desde a revolução científica durante o século XVII, a ciência continuou a exercer tremenda influência sobre o que pensamos e fazemos.

O impacto da ciência tem sido particularmente forte nas crenças religiosas tradicionais. Muitos conceitos religiosos básicos se desfazem sob a pressão da ciência moderna e não são mais aceitáveis para o homem intelectual e bem informado. Não mais é possível afirmar a verdade derivada meramente através das especulações teológicas ou baseada na autoridade de escrituras religiosas isoladas da consideração científica. Por exemplo, os achados dos psicólogos modernos indicam que a mente humana, como o corpo físico, trabalha de acordo com leis naturais e causais sem a presença de uma alma imutável tal como ensinado por algumas religiões.

Alguns religiosos escolhem desconsiderar as descobertas científicas que entram em conflito com seus dogmas religiosos. Tais rígidos hábitos mentais são de fato um obstáculo ao progresso humano. Uma vez que o homem moderno se recusa a acreditar em qualquer coisa cegamente, mesmo que tenha sido tradicionalmente aceito, tais religiosos, com suas teorias defeituosas, somente terão êxito em aumentar o grupo dos não-crentes.

Por outro lado, alguns religiosos sentem a necessidade de se acomodar a teorias científicas popularmente aceitas dando uma nova interpretação aos seus dogmas religiosos. Um tal caso pode ser visto na teoria da evolução de Darwin. Muitos religiosos mantêm que o homem foi diretamente criado por Deus. Darwin, por outro lado, proclama que o homem evoluiu do macaco, uma teoria que perturba a doutrina da criação divina e da queda do homem. Desde que todos os pensadores brilhantes aceitaram a teoria de Darwin, os teólogos de hoje têm pouca escolha exceto dar uma nova interpretação para suas doutrinas a fim de se ajustarem a essa teoria a qual se opuseram por tanto tempo.

À luz das descobertas científicas modernas, não é difícil entender que muitas das visões sustentadas em muitas religiões com relação ao universo e à vida são meramente pensamentos convencionais há muito superados. É geralmente verdade dizer que as religiões em muito contribuíram para o desenvolvimento e o progresso humanos. Elas estabeleceram valores e padrões, bem como formularam princípios para guiar a vida humana. Mas por todo o bem que fizeram, as religiões não podem mais sobreviver na era científica moderna se os seguidores insistirem em aprisionar a verdade em fórmulas e dogmas estabelecidos, encorajando cerimônias e práticas que foram destituídas de seu significado original.

Buddhismo e Ciência

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Até o início do último século, o Buddhismo estava confinado aos países intocados pela ciência moderna. Ainda assim, desde o começo, os Ensinamentos do Buddha sempre estiveram abertos ao pensamento científico.

Uma razão porque o Ensinamento pode facilmente ser abraçado pelo espírito científico é que o Buddha nunca encorajou a crença rígida e dogmática. Ele não declarou que baseou Seus Ensinamentos na fé, crença ou revelação divina, mas permitiu uma grande flexibilidade e liberdade de pensamento.

A segunda razão é que o espírito científico pode ser encontrado na abordagem do Buddha quanto a Verdade espiritual. O método do Buddha para descobrir e testar a Verdade espiritual é muito similar àquela do cientista. Um cientista observa o mundo externo objetivamente, e somente estabelecerá uma teoria científica após conduzir muitos experimentos práticos de forma bem sucedida.

Usando uma abordagem similar vinte e cinco séculos atrás, o Buddha observou o mundo interior de forma desapegada, e encorajou Seus discípulos a não aceitar qualquer ensinamento até que tivessem investigado criticamente e de forma pessoal verificado sua veracidade. Como o cientista moderno que não declara que seu experimento não pode ser duplicado pelos outros, o Buddha não afirmava que Sua experiência de Iluminação era exclusividade Dele. Assim, em Sua abordagem em relação à Verdade, o Buddha foi tão analítico quanto os cientistas dos dias atuais. Ele estabeleceu um método prático e cientificamente elaborado para alcançar a Verdade Última e a experiência da Iluminação.

Enquanto o Buddhismo está muito alinhado com o espírito científico, não é correto equiparar o Buddhismo com a ciência. É verdade que as aplicações práticas da ciência permitiram a humanidade viver uma vida mais confortável e experimentar coisas maravilhosas não sonhadas anteriormente. A ciência tornou possível ao homem nadar melhor que os peixes, voar mais alto que os pássaros, e andar na lua. Porém, a esfera de conhecimento aceitável para a sabedoria científica e convencional está confinada à evidência empírica. E a verdade científica está sujeita à mudança constante. A ciência não pode dar ao homem o controle sobre sua mente e nem oferece o controle e a orientação moral. Apesar de suas maravilhas, a ciência tem de fato muitas limitações que não são compartilhadas pelo Buddhismo.

Limitações da Ciência

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Ouve-se muito sobre a ciência e o que ela pode fazer; enquanto que muito pouco sobre o que não pode fazer. O conhecimento científico é limitado aos dados recebidos através dos órgãos dos sentidos. Ele não reconhece a realidade que transcende os dados dos sentidos. A verdade científica é construída a partir de observações lógicas dos dados dos sentidos, os quais mudam continuamente. A verdade científica é, portanto, uma verdade relativa, que não pretende passar no teste do tempo. E um cientista, consciente desse fato, está sempre disposto a descartar uma teoria se ela puder ser substituída por uma melhor.

A ciência se esforça para compreender o mundo exterior e arranhou muito de leve a superfície do mundo interior do homem. Mesmo a ciência da psicologia realmente não se aprofundou na causa subjacente da inquietude mental do homem. Quando um homem está frustrado e desgostoso com a vida, e seu mundo interior se enche de perturbações e inquietudes, a ciência de hoje está muito pouco equipada para ajudá-lo. As ciências sociais que se ocupam do ambiente humano podem trazer um certo nível de felicidade a ele. Mas, diferentemente de um animal, o homem requer mais do que mero conforto físico e precisa de ajuda para lidar com as frustrações e misérias que surgem de suas experiências diárias.

Hoje tantas pessoas são massacradas por medo, inquietação e insegurança. Ainda assim, a ciência fracassa em socorrê-las. A ciência é incapaz de ensinar ao homem comum como controlar sua mente quando dominado pela natureza animal que queima no seu interior.

A ciência pode tornar o homem melhor? Se pode, por que então os atos violentos e as práticas imorais abundam nos países que estão tão adiantados na ciência? Não é justo dizer que, apesar de todo progresso científico adquirido e as vantagens conferidas ao homem, a ciência deixa o homem interior basicamente imutável: apenas elevando os sentimentos de dependência e insuficiência do homem? Além desse fracasso em levar segurança para a humanidade, a ciência faz também todos se sentirem ainda mais inseguros pela ameaça ao mundo com a possibilidade da destruição total.

A ciência é incapaz de prover um propósito significativo para a vida. Ela não pode dar ao homem razões claras para a sua vida. De fato, a ciência é completamente secular em sua natureza e não se ocupa do objetivo espiritual do homem. O materialismo inerente ao pensamento científico nega à psiquê objetivos que ultrapassam a satisfação material. Por suas teorizações seletivas e verdades relativas, a ciência despreza alguns dos temas mais essenciais e deixa muitas questões sem resposta. Por exemplo, quando perguntada sobre o porquê das grandes desigualdades existentes entre os homens, nenhum explicação científica pode ser dada para tais questões que estão além de seus confins estreitos.

Ignorância Culta

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A mente transcendental desenvolvida pelo Buddha não é limitada às informações dos sentidos e vai além da lógica presa na limitação da percepção relativa. O intelecto humano, ao contrário, opera com base na informação que coleta e armazena, seja no campo da religião, filosofia, ciência ou arte. A informação para a mente é reunida por nossos órgãos sensoriais, os quais são inferiores de tantas maneiras. A informação limitada recebida torna nossa compreensão do mundo distorcida.

Algumas pessoas são orgulhosas pelo fato de saberem tanto. De fato, quanto menos sabemos, mais certos nos tornamos de nossas explicações; quanto mais sabemos, mais percebemos nossas limitações.

Certa vez, um brilhante acadêmico escreveu um livro que tomou como sendo sua obra derradeira. Acreditou que o livro continha todas as jóias literárias e filosóficas. Orgulhoso por sua conquista, ele mostrou sua obra-prima a um colega, que era igualmente brilhante, com o pedido de que o comentasse. Ao invés disso, seu colega pediu ao autor que escrevesse num pedaço de papel tudo o que ele sabia e tudo o que não sabia. O autor se sentou muito pensativo, mas depois de um tempo não conseguiu escrever nada que soubesse. Lançou sua mente, então, para a segunda questão, e, novamente, fracassou em escrever qualquer coisa que não soubesse. Finalmente, com seu ego no nível mais baixo, ele desistiu, compreendendo que tudo o que sabia era realmente a ignorância.

A esse respeito, Sócrates, o bem conhecido filósofo ateniense do mundo antigo, disse o seguinte quando perguntado sobre o que sabia: ‘Sei apenas uma coisa – que eu não sei’.

Para Além da Ciência

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O Buddhismo ultrapassa a ciência moderna em sua aceitação de um campo mais abrangente de conhecimento do que é permitido pela mente científica. O Buddhismo admite o conhecimento que surge dos órgãos dos sentidos tanto quanto aquele proveniente da experiência pessoal ganho através da cultura mental. Pelo treinamento e desenvolvimento de uma mente muito concentrada, a experiência religiosa pode ser compreendida e verificada. A experiência religiosa não é algo que possa ser entendida conduzindo experimentos num tubo de laboratório ou examinada sob um microscópio.

A verdade descoberta pela ciência é relativa e sujeita a mudanças, enquanto aquela encontrada pelo Buddha é final e absoluta: a Verdade do Dhamma não muda de acordo com tempo e espaço. Além disso, ao contrário da teorização seletiva da ciência, o Buddha encorajou o sábio a não se apegar a teorias, científicas ou outras. Ao invés de teorizar o Buddha ensinou a humanidade sobre como viver uma vida correta a fim de descobrir as Verdades Últimas. Por viver uma vida justa, acalmando os sentidos e abandonando os desejos, o Buddha indicou o caminho pelo qual podemos descobrir dentro de nós mesmos a natureza da vida. E o propósito real da vida pode ser encontrado.

A prática é importante no Buddhismo. Uma pessoa que estuda muito mas não pratica é como alguém capaz de recitar receitas de um grande livro de culinária sem tentar preparar um único prato. Sua fome não pode ser aliviada somente pelo conhecimento do livro. A prática é um pré-requisito tão importante da iluminação que em algumas escolas do Buddhismo, como o Zen, a prática é colocada até mesmo na frente do conhecimento.

O método cientifico é dirigido para fora, e os cientistas modernos exploram a natureza e os elementos para seu próprio conforto, freqüentemente desconsiderando a necessidade de se harmonizar com o ambiente, tendo como conseqüência a poluição do mundo. Ao contrário, o Buddhismo é voltado para dentro e se preocupa com o desenvolvimento interno do homem. No nível mais básico, o Buddhismo ensina o individuo como se ajustar e lidar com os eventos e circunstâncias da vida diária. No nível mais alto, ele representa a pujança humana em crescer para além de si mesmo através da prática da cultura mental ou do desenvolvimento da mente.

O Buddhismo tem um completo sistema de cultura mental dirigido à conquista do insight em relação à natureza das coisas o qual leva à completa autorealização da Verdade Última – Nibbāna. Esse sistema é tanto prático quanto científico; ele envolve uma observação desapaixonada dos estados emocionais e mentais. Mais como um cientista do que como um juiz, um meditante observa o mundo interior com vigilância.

Ciência Sem Religião

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Não tendo ideais morais, a ciência significa um perigo a toda a humanidade. A ciência criou a máquina que por sua vez se tornou rainha. A bala e a bomba são presentes da ciência para os poucos no poder do quais depende o destino do mundo. Enquanto isso, o resto da humanidade espera em angústia e medo, sem saber quando as armas nucleares, os gases venenosos, as armas mortíferas – todos eles frutos das pesquisas científicas e planejados para matar eficientemente – serão usados contra eles. Não somente a ciência é completamente incapaz de prover uma orientação moral para a humanidade, ela também provê o combustível para a chama da cobiça humana.

A ciência desprovida de moralidade conjura apenas destruição: ela se torna o monstro draconiano descoberto pelo homem. E, infelizmente, esse monstro está se tornando mais poderoso que o próprio homem. A menos que o homem aprenda a restringir e governar o monstro por meio da prática da moralidade religiosa, o monstro em breve irá superá-lo. Sem a orientação religiosa, a ciência ameaça o mundo com a destruição. Em contraste, a ciência, quando unida a uma religião como o Buddhismo, pode transformar esse mundo num paraíso de paz, segurança e felicidade.

Nunca houve um tempo onde a cooperação entre a ciência e a religião fosse tão desesperadamente necessária no melhor interesse e serviço da humanidade. A religião sem a ciência é aleijada, enquanto que a ciência sem a religião é cega.