Capítulo 06

O Buddhismo é similar a outros ensinamentos contemporâneos da Índia?

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O Dhamma compreendido pelo Buddha nunca foi ouvido antes

Em Seu primeiro sermão, o Dhammacakka Sutta, o Buddha disse que o Dhamma que pregou nunca foi ouvido antes. O conhecimento surgido sobre o Dhamma era claro à Sua visão, ao Seu conhecimento, à Sua sabedoria, à Sua penetração e à Sua Iluminação.

Algumas pessoas dizem que o Buddha não pregou uma nova doutrina, mas meramente reformou o antigo ensinamento que já existia na Índia. Entretanto, o Buddha não foi um mero reformador do Hinduísmo, como alguns protagonistas dessa antiga crença querem fazer acreditar. O modo de vida e a doutrina do Buddha eram substancialmente diferentes do modo de vida e das crenças religiosas mantidas pelo povo da Índia. O Buddha viveu, ensinou e morreu como um professor religioso não-védico e não-brahmânico. Em nenhum lugar o Buddha reconheceu Sua dívida às crenças e práticas religiosas existentes. O Buddha Se considerava como iniciador de um método espiritual racional, como aquele que abria um novo caminho.

Essa foi a razão principal para que muitos outros grupos religiosos não concordassem com Ele. Ele foi condenado, criticado e insultado pelos mais notáveis mestres e seitas da tradição védica-brahmânica. Foi com a intenção de destruir ou absorver o Buddha e Seu Ensinamento que o brahmanas da era pré-cristã chegaram ao ponto de aceitar o Buddha como um Avatar ou encarnação de seu Deus. Ainda assim, outros o desprezaram como sendo um vasalaka, um mundaka, um samanaka, um nastika e um sudra (Tais palavras eram usadas na Índia, durante o tempo do Buddha, para insultar um homem religioso que não era um brahmana).

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O Buddhismo é similar a outros ensinamentos contemporâneos da Índia? – 2

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Não há dúvida de que o Buddha reformou certos costumes, obrigações religiosas, ritos, ética e maneiras de viver prevalecentes em sua época. A grandeza de Seu caráter foi como uma agulha que furou o balão das crenças e práticas falsas de modo que pudessem explodir e revelar seu vazio.

Mas com relação aos ensinamentos fundamentais, filosóficos e psicológicos não tem sentido dizer que o Buddha copiou idéias de qualquer religião existente em seu tempo. Por exemplo, as idéias das Quatro Nobres Verdades, do Caminho Óctuplo, da Originação Dependente e do Nirvana, não eram conhecidas antes de Sua vinda. Embora a crença no kamma e no renascimento fosse muito comum, o Buddha forneceu explicações bem lógicas e razoáveis para tal crença e a apresentou como uma lei natural de causa e efeito. Embora o Buddha tenha utilizado tais termos por serem familiares aos Seus ouvintes, Ele deu a eles interpretações originais, bem diferentes do modo como os brahmanas os entendiam. Apesar disso tudo o Buddha não ridicularizou nenhuma crença ou prática religiosa sincera existente na época. Ele apreciou o valor da Verdade sempre que a encontrou e até deu melhores explicações para suas crenças. É por isso que disse certa vez que a Verdade deve ser respeitada onde quer que seja encontrada. Por outro lado, entretanto, Ele nunca teve medo de falar contra a mitologia e as falsas declarações.

O Buddhismo é uma teoria ou uma filosofia?

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A iluminação do Buddha não é um produto do mero intelecto

Na época do Buddha havia muitos eruditos na Índia que buscavam o conhecimento pelo conhecimento. Tais pessoas estavam interessadas somente em conhecimento teórico. Algumas delas, de fato, iam de cidade a cidade desafiando qualquer um para o debate e sua grande excitação era derrotar um oponente em tais combates verbais. Mas o Buddha disse que tais pessoas não estavam mais perto de realização da verdade porque apesar de sua esperteza, inteligência e habilidades verbais, elas não tinham a verdadeira sabedoria e o insight para superar a cobiça, o ódio e a ilusão. De fato, essas pessoas eram frequentemente orgulhosas e arrogantes. Seus conceitos egoístas perturbavam a atmosfera religiosa, e elas amavam a argumentação simplesmente pela argumentação.

De acordo com o Buddha, é preciso primeiro procurar entender a própria mente. Isso deve ser feito através da concentração que provê uma sabedoria interna ou realização profunda. O insight é para ser obtido não por argumentos filosóficos ou conhecimento mundano, mas pela realização silenciosa a respeito da ilusão do eu.

O Buddhismo é um modo correto de vida dirigido à paz e felicidade de todo ser vivo. É um método para se livrar das misérias e encontrar a libertação. O Ensinamento do Buddha não está limitado a uma nação ou raça. Não é nem um credo nem uma mera fé. É um Ensinamento para todo o universo. É um Ensinamento para todos os tempos. Seus objetivos são o serviço altruísta, boa-vontade, paz, salvação e libertação em relação ao sofrimento.

O Buddhismo é uma teoria ou uma filosofia? – 2

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A salvação no Buddhismo é uma tarefa individual. É preciso se salvar da mesma forma como é preciso comer, beber e dormir. O conselho dado pelo Buddha aponta para o Caminho da libertação; mas Seu conselho nunca teve a intenção de ser tomado como uma teoria ou filosofia. Quando foi questionado sobre qual teoria Ele propunha, o Buddha respondeu que não pregava teorias e que qualquer coisa que Ele pregava era o resultado de Sua própria experiência. Assim, Seu Ensinamento não oferece nenhuma teoria. Uma teoria não pode aproximar ninguém da perfeição espiritual. Teorias são os próprios grilhões que prendem a mente e impedem o progresso espiritual. As filosofias indianas e chinesas se originaram de crenças religiosas, enquanto que outras religiões não são baseadas em filosofia, mas em dogma. O Buddha, entretanto, nos ensinou a ver as coisas como elas são, observando os fenômenos e não confiando em nada que não possa ser experienciado por cada indivíduo.

Teorias são produtos do intelecto e o Buddha compreendeu as limitações do intelecto humano. Ele ensinou que a iluminação não é um produto do mero intelecto. Não é possível atingir a emancipação seguindo uma via intelectual. Essa declaração pode parecer irracional, mas é verdadeira. Os intelectuais tendem a gastar muito de seu valioso tempo no estudo, análises críticas e debates. Isso é um desequilíbrio, pois usualmente têm muito pouco ou nenhum tempo para a prática.

Um grande pensador (filósofo, cientista, metafísico, etc) pode também se tornar um tolo inteligente. Ele pode ser um gigante intelectual dotado com o poder de conceber rapidamente idéias e expressar seus pensamentos claramente. Mas se não presta atenção às suas ações e conseqüências, e se apenas se inclina a satisfazer seus próprios desejos e inclinações a qualquer custo, de acordo com o Buddha, ele é um intelectual tolo, um homem de sabedoria inferior, ainda que rico em conhecimentos factuais. Tal pessoa irá de fato impedir seu próprio progresso espiritual.

O Ensinamento do Buddha contém sabedoria prática que não pode ser limitada a teoria ou filosofia, porque filosofia trata principalmente de conhecimento, mas não se preocupa em traduzir o conhecimento em práticas para o dia-a-dia.

O Buddhismo coloca uma ênfase especial na prática e na realização. O filósofo vê as misérias e desapontamentos da vida mas, ao contrário do Buddha, ele não oferece solução prática para superar as frustrações que são parte da natureza insatisfatória da vida. O filósofo meramente empurra seus pensamentos para becos sem saída. A filosofia é útil porque enriquece nossa imaginação intelectual e diminui a certeza dogmática que fecha a mente para um progresso adiante. Nesse contexto, o Buddhismo valoriza a filosofia, mas a filosofia fracassa em saciar a sede espiritual. Filosofia é conhecer, mas Buddhismo é praticar.

O Buddhismo é uma teoria ou uma filosofia? – 3

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Lembrem-se que o objetivo principal de um buddhista é atingir pureza e iluminação. A iluminação dissipa a ignorância, a qual é a raiz do nascimento e morte. Entretanto, a conquista da ignorância não pode ser conseguida a não ser pelo exercício da própria confiança. Qualquer outra tentativa – especialmente as meramente intelectuais, não são muito efetivas. Esse é o motivo de o Buddha ter concluído: ‘Estas questões (metafísicas) não levam a um ganho; não se relacionam com o Dhamma; não levam à conduta correta, ao desapego ou à purificação da paixão, à quietude, ao coração calmo, ao conhecimento real, ao insight superior ou ao Nibbana’. (Malunkyaputta Sutta – Majjhima Nikaya). No lugar da especulação metafísica, o Buddha preocupava-se mais com ensinar um entendimento prático das Quatro Nobres Verdades que descobriu: o que é o Sofrimento; qual é a origem do Sofrimento; qual é a cessação do Sofrimento; como superar o Sofrimento e realizar a Salvação final. Todas essas verdades são coisas práticas a serem entendidas completamente e realizadas por qualquer um que realmente experiencie a emancipação.

A iluminação é a dissipação da ignorância; é o ideal da vida buddhista. Podemos agora ver claramente que a iluminação não é um ato do intelecto. A mera especulação em nada ajuda no entrar em contato com a vida de forma íntima. Esse é motivo de o Buddha colocar grande ênfase na experiência pessoal. A meditação é um sistema científico prático para verificar a Verdade que vem através da experiência e insight pessoais. Por meio da meditação, a vontade tenta transcender a condição em que se colocou, e isso é o despertar da consciência. A metafísica meramente nos prende a uma massa emaranhada e entrelaçada de pensamentos e palavras.

O Buddhismo é Pessimista?

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O Buddhismo não é uma religião nem pessimista nem otimista, mas realista.

Alguns críticos argumentam que o Buddhismo é mórbido, cínico, vagando pelo lado escuro e sombrio da vida, um inimigo dos prazeres inofensivos e um esmagador insensível das alegrias inocentes da vida. Eles afirmam que o Buddhismo é pessimista, incentivador de uma atitude de desesperança em relação à vida, encorajando um sentimento vago e genérico de que a dor e o mal predominam nos assuntos humanos. Mesmo o Papa atual * afirmou que o Buddhismo ensina uma atitude negativa com relação à vida. Esses críticos baseiam suas opiniões na Primeira Nobre Verdade de que todas as coisas condicionadas estão num estado de sofrimento. Eles não percebem que o Buddha não apenas ensinou a causa do Sofrimento, mas ensinou também o caminho para o fim do Sofrimento. De qualquer forma, existe algum professor religioso que elogiou esta vida mundana e nos aconselhou a nos apegarmos a ela? Toda religião fala sobre salvação, que significa libertação da incerteza e insatisfatoriedade neste mundo.

Se o fundador desta religião, o Buddha, fosse um tal pessimista, se poderia esperar que Sua personalidade fosse retratada com traços mais severos do que ocorreu. A imagem do Buddha é a personificação da Paz, Serenidade, Esperança e Boa-vontade. O sorriso magnético e radiante do Buddha é a síntese de Sua doutrina. Aos preocupados e frustrados, Seu sorriso de Iluminação e esperança é um tônico infalível e um bálsamo suavizante.

O Buddha irradiou Seu amor e compaixão em todas as direções. Tal pessoa dificilmente poderia ser um pessimista. E quando reis e príncipes, amantes da espada, O ouviam, eles percebiam que a única verdadeira conquista é a conquista de Si e a melhor maneira de conquistar o coração do povo era ensiná-lo a apreciar o Dhamma – Verdade.

O Buddha cultivou Seu senso de humor a tão alto nível que Seus mais amargos oponentes ficavam desarmados com a maior facilidade. Frequentemente nada podiam fazer senão rir de si mesmos. O Buddha tinha um excelente tônico; Ele limpava seus sistemas de toxinas perigosas e então eles se tornavam entusiasmados em seguir Seus passos. Em Seus sermões, diálogos e discussões, Ele mantinha sua postura e dignidade o que fez com que conquistasse o respeito e afeição das pessoas. Como tal pessoa pode ser um pessimista?

* João Paulo II

O Buddhismo é Pessimista? – 2

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O Buddha nunca quis que Seus seguidores constantemente se lamentassem com relação ao sofrimento da vida, levando uma existência miserável e infeliz. Ele ensinou o fato do sofrimento apenas para poder mostrar às pessoas como superar este sofrimento e seguir na direção da felicidade. Para se tornar uma pessoa iluminada, é preciso ter alegria, um dos fatores que o Buddha recomendou para cultivarmos. A alegria não é nada pessimista.

Há dois textos buddhistas chamados de Theragatha e Therigatha que estão repletos de expressões de alegria proferidas pelos discípulos do Buddha, tanto mulheres como homens, que encontraram paz e felicidade na vida por meio de Seu Ensinamento. O rei de Kosala, certa vez, disse ao Buddha que, ao contrário de muitos discípulos de outros sistemas religiosos que pareciam doentes, rudes, pálidos, emaciados e desagradáveis, Seus discípulos eram ‘alegres e animados, jubilantes e exultantes, desfrutando da vida espiritual, serenos, pacíficos e vivendo com uma mente de gazela, com o coração leve’. O rei acrescentou que ele acreditava que esta disposição saudável se devia ao fato de que ‘tais veneráveis certamente compreenderam o grande e completo significado dos Ensinamentos do Bem-Aventurado’ (Majjhima Nikaya).

Quando perguntado porque Seus discípulos, os quais viviam uma vida simples e quieta com apenas uma refeição ao dia, eram tão radiantes, o Buddha respondeu: ‘Eles não se arrependem do passado, nem anseiam quanto ao futuro. Eles vivem no presente com contentamento. Portanto vivem radiantes. Afligindo-se pelo futuro e arrependendo-se do passado, os tolos ficam secos como a grama verde que foi cortada (e jaz ao sol)’ (Samyutta Nikaya).

Enquanto religião, o Buddhismo ensina sobre a natureza insatisfatória de todas as coisas neste mundo. Ainda assim, não se pode simplesmente classificar o Buddhismo como uma religião pessimista, pois também nos ensina a superar esta insatisfatoriedade. De acordo com o Buddha, mesmo o maior dos pecadores, depois de ter pago pelo que fez, pode atingir a salvação. O Buddhismo oferece a cada ser humano a esperança de um dia atingir sua salvação. Outras religiões, no entanto, tomam por certo que algumas pessoas serão más para sempre e terão um inferno eterno esperando por elas. A esse respeito, tais religiões são mais pessimistas. Os buddhistas negam tal crença.

O Buddhismo não é nem otimista nem pessimista. Ele não encoraja os seres humanos a olharem para o mundo por meio de seus sentimentos mutáveis de otimismo e pessimismo. Ao invés disso, o Buddhismo nos encoraja a sermos realistas: devemos aprender a ver as coisas como realmente são.