Capítulo 17

Astrologia e Astronomia

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Acredito em astrologia, mas não em astrólogos

Desde o início dos tempos, o homem permanece fascinado pelas estrelas, buscando encontrar ligações entre elas e seu próprio destino. Sua observação das estrelas e de seus movimentos fez surgir duas importantes áreas de estudo, a saber, a Astronomia e a Astrologia. A astronomia pode ser considerada uma ciência pura, preocupada com as medidas das distâncias, a evolução e a destruição das estrelas, seus movimentos, e assim por diante. É claro que todos esses cálculos são sempre feitos em relação ao planeta Terra, e como esses movimentos interplanetários afetam a humanidade em um nível físico. A astronomia moderna busca encontrar respostas para questões ainda não respondidas com relação à origem do homem e ao fim, derradeiro e possível, de sua existência como um membro da raça humana. É uma área fascinante de estudo e nosso novo conhecimento do universo e das galáxias colocou muita pressão em muitas religiões no sentido de avaliar seus postulados ancestrais com relação ao criador e à criação da vida.

O Buddhismo não enfrenta nenhum dilema, simplesmente porque o Buddha não encorajou Seus seguidores a especular sobre coisas além de sua compreensão. Entretanto, Ele fez muitas alusões, as quais, à luz de nosso novo conhecimento ganho através da ciência, nos revelam que o Buddha estava bastante consciente da verdadeira natureza do Universo – o qual não havia sido criado em um único glorioso momento, que a terra é apenas uma pequena partícula, e sem importância, em todo o espaço, que há uma criação e destruição constantes, e que tudo está em constante movimento.

A astrologia, entretanto, é uma área de estudo completamente diferente. Desde o momento em que o homem antigo começou a pensar, ele se tornou profundamente preocupado com seu relacionamento frente ao universo. Quando a sociedade humana se tornou envolvida com as atividades de agricultura, o homem passou a não depender da caça como um meio de vida, e começou a notar uma ligação entre o movimento do sol através dos anos e suas próprias atividades de plantio, colheita e projetos similares. À medida que se tornou mais sofisticado, ele foi capaz de predizer o movimento do sol e inventou meios de medir o tempo, dividindo-o em anos, meses, dias, horas, minutos e segundos.

Ele associou esse conhecimento à sua existência, sentindo então que havia uma relação entre seu próprio ciclo vital e o movimento dos planetas. Isso deu origem ao Zodíaco – o caminho aparente do sol. Ele contém doze constelações. Um estudo desses movimentos em relação à vida pessoal de um ser humano é chamado de horóscopo.

O estudo da astrologia envolve um grande entendimento da natureza humana, uma habilidade para acessar os movimentos planetários de forma precisa, junto com um insight em relação aos fenômenos aparentemente inexplicáveis no universo. Houve muitos astrólogos brilhantes no passado e alguns ainda existem hoje. Infelizmente, há um número ainda maior de charlatães que dão um mau nome à astrologia. Eles enganam as pessoas predizendo eventos aparentemente verdadeiros sobre o futuro. Ganham muito dinheiro explorando a ignorância e o medo dos crédulos. Como resultado, por um longo tempo os cientistas zombaram da astrologia e não dependeram dela. Entretanto, sua atitude hostil não é realmente justificável. O propósito principal da leitura de um horóscopo deveria ser o de dar um insight quanto ao próprio caráter, da mesma maneira que um raio-X pode mostrar a estrutura física de um homem.

As estatísticas mostram que a influência do sol nos signos do Zodíaco relaciona-se com o nascimento de pessoas diferentes durante certos meses. Alguns crimes têm sido mostrados como correspondendo a signos zodiacais nos quais o sol esteja se movendo durante certos meses do ano.

Assim, uma compreensão desse relacionamento pode ajudar um homem a organizar sua vida de forma mais significativa, em harmonia com suas tendências inatas, havendo, assim, menos estresse em sua vida.

Um recém-nascido é como uma semente. Ele contém em si todos os ingredientes que farão dele um indivíduo similar, mas ainda assim completamente diferente, a outros seres humanos. Como seu potencial será desenvolvido dependerá, como na semente, do tipo de nutrição que receberá. A natureza de um homem nasce com ele, mas seu próprio livre arbítrio determinará se ele irá fazer bom uso de seus talentos e habilidades. Se superará seu potencial para o vício ou para a fraqueza dependerá de como será treinado em sua juventude. Se reconhecermos nossa natureza – nossa tendência para a preguiça, irritabilidade, preocupações, frustrações, maldade, astúcia, ciúmes – poderemos dar passos positivos para superá-la. O primeiro passo para solucionarmos problemas é reconhecê-los como são.

As interpretações astrológicas indicam nossas inclinações e tendências. Uma vez reveladas, devemos dar os passos necessários para mapear nossas vidas de uma maneira que nos torne cidadãos úteis para o mundo. Mesmo uma pessoa com tendências criminosas pode se tornar um santo, se reconhecer sua natureza e dar os passos que levam a uma vida de bondade.

Um horóscopo é um mapa desenhado no sentido de mostrar as forças kármicas que um homem carrega, calculado a partir da hora de seu nascimento. A força determina o momento do nascimento e, conhecendo essa hora, um astrólogo habilidoso pode mostrar o destino de um homem de forma precisa naquele período determinado de vida.

Todos sabem que a terra leva aproximadamente um ano para se mover ao redor do sol. Esse movimento, visto da terra, coloca o sol em várias áreas zodiacais durante o ano. Uma pessoa nasce (não acidentalmente, mas como um resultado da influência kármica) quando o sol transita num dos doze signos do Zodíaco.

Por meio do horóscopo você pode determinar algumas épocas em sua vida quando terá que ir mais devagar, forçar-se a grandes graus de criatividade ou observar mais suas atividades e cuidar de sua saúde.

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A Atitude Buddhista diante da Astrologia

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A questão que a maioria das pessoas pergunta é de se o Buddhismo aceita ou rejeita a astrologia. Falando estritamente, o Buddha não fez nenhum pronunciamento direto sobre esse tema, uma vez que em muitos outros casos, Ele afirmou que a discussão sobre assuntos como esses não pertencem ao desenvolvimento espiritual. O Buddhismo, ao contrário de algumas religiões, não condena a astrologia e as pessoas são livres para usarem o conhecimento que possam obter dela a fim de tornar suas vidas mais significativas. Entretanto, se estudarmos os ensinamentos do Buddha cuidadosamente, aceitaremos que uma compreensão apropriada e inteligente da astrologia pode ser uma ferramenta útil. Há uma ligação direta entre a vida de um indivíduo humano e o vasto funcionamento do cosmos. A ciência moderna está de acordo com os ensinamentos do Buddhismo. Sabemos, por exemplo, que há uma ligação estreita entre o movimento da lua e o nosso próprio comportamento. Isso é percebido especialmente naqueles mentalmente perturbados e nas pessoas anormalmente violentas. É também verdade que algumas doenças, como a asma e a bronquite são agravadas com a lua crescente. Há, portanto, base suficiente para que outros planetas possam também influenciar nossas vidas.

O Buddhismo aceita que há uma imensa energia cósmica que pulsa através de todas as coisas vivas, incluindo as plantas. Essa energia interage com a energia kármica que um indivíduo gera e determina o curso que uma vida tomará. O nascimento de um indivíduo não é a primeira criação de uma vida, mas a continuação de uma que sempre existiu e irá continuar a existir enquanto a energia kármica não for abrandada até a libertação final em um estado incondicionado. Agora, para que uma vida se manifeste em uma nova existência, certos fatores, como estações, ordem germinal e natureza devem existir. Elas são ajudadas pela energia mental e pela energia kármica, e todos esses elementos estão em constante interação e interdependência um com o outro, resultando em mudanças constantes na vida de um ser humano.

De acordo com os astrólogos, o momento em que uma pessoa nasce é pré-determinado pela energia cósmica e pela energia kármica. Pode-se concluir daí que a vida não é meramente acidental: ela é resultado da interação entre o karma do indivíduo e a força da energia universal. O curso de uma vida humana é pré-determinado, causado parcialmente pelas próprias ações de um ser no passado e pela energia que ativa o cosmos. Uma vez iniciada, uma vida é controlada pela interação entre essas duas forças até mesmo quanto ao momento em que um nascimento ocorre. Um astrólogo habilidoso então, à medida que compreende a influência do cosmos tanto quanto a do karma, pode mapear o curso de uma vida, baseando-se no momento do nascimento da pessoa.

Enquanto estamos, em um sentido, à mercê dessas forças, o Buddha nos apontou um caminho através do qual podemos escapar de sua influência. Todas as energias kármicas estão armazenadas na mente subconsciente, normalmente descrita como impurezas e purezas mentais. Uma vez que as forças kármicas influenciam o destino, uma pessoa pode desenvolver sua mente, recusando certas influências maléficas causadas pelo prévio kamma maléfico. Uma pessoa pode também ‘purificar’ sua mente e se livrar de todas as energias kármicas e, assim, evitar o renascimento. Quando não há renascimento, não há vida potencial e, conseqüentemente, não haverá existência ‘futura’ que possa ser predita ou mapeada. Em tal estágio de desenvolvimento mental e espiritual, se terá transcendido a necessidade de conhecer sobre sua vida, pois a maioria das imperfeições e insatisfações já teria sido removida. Um ser humano altamente desenvolvido não terá necessidade de um horóscopo.

Desde o início do século XX, psicólogos e psiquiatras têm chegado a reconhecer que há muito mais na mente humana do que os materialistas extremos estão prontos a aceitar. Há mais no mundo do que aquilo que pode ser visto e tocado. O famoso psicólogo suíço, Carl Jung, costumava fazer os horóscopos de seus pacientes. Em uma ocasião, quando fez uma analise astrológica de cerca de 500 casamentos, ele descobriu que as descobertas de Ptolomeu, no qual a astrologia ocidental está baseada, ainda eram válidas, e que aspectos favoráveis entre o sol e a lua dos diferentes parceiros produziam casamentos felizes.

O conhecido psicólogo francês, Michel Gauguelin, que originalmente mantinha uma atitude negativa quanto à astrologia, fez uma pesquisa com aproximadamente 20.000 horóscopos e descobriu, para sua surpresa, que as características das pessoas estudadas coincidiam com a caracterização produzida pelos métodos psicológicos modernos.

O plantio de certas flores, árvores e vegetais em diferentes épocas de um ano produzirão diferenças na força ou na aparência das plantas. Assim, não há razão para duvidar de que pessoas nascidas em certas épocas do ano terão características diferentes das pessoas nascidas em outras épocas. Conhecendo suas fraquezas, falhas e deficiências, um homem pode fazer seu melhor a fim de superá-las e se tornar uma pessoa melhor e mais útil para a sociedade. Isso também irá ajudá-lo muito a se livrar da infelicidade e dos desapontamentos. (Sair do país onde a pessoa nasceu, por exemplo, pode algumas vezes ajudar a evitar a influência das estrelas).

Shakespeare disse: “O fracasso não está em nossas estrelas, mas em nós mesmos”. Um conhecido astrólogo disse: “As estrelas impelem; elas não compelem”. São Thomas de Aquino disse: “Os planetas influenciam a parte mais elementar do homem do que as suas paixões”, mas, através do seu intelecto, o homem pode arranjar sua vida em harmonia com os planetas, e também cultivar seus talentos inerentes e manipulá-los para sua melhoria.

A astrologia não pode, automaticamente, resolver todos os seus problemas. Você deve fazê-lo por você mesmo. Como um médico que pode diagnosticar a natureza das doenças, um astrólogo pode também apenas mostrar certos aspectos de sua vida e caráter. Depois disso, é deixado a você ajustar seu modo de viver. A tarefa ficará mais fácil, é claro, conhecendo aquilo com o que se defronta. Algumas pessoas são dependentes em demasia da astrologia. Elas correm para o astrólogo toda vez que alguma coisa acontece ou quando têm um sonho. Lembre-se, mesmo hoje, a astrologia é uma ciência muito imperfeita e mesmo os melhores astrólogos podem cometer sérios erros. Use a astrologia inteligentemente, assim como usaria qualquer ferramenta que tornasse sua vida mais confortável e agradável. Acima de tudo, esteja atento a falsos astrólogos que estão aí para enganá-lo dizendo, não a verdade, mas aquilo que você deseja ouvir.

Não espere que a boa sorte chegue ou seja dada a você facilmente sem nenhum esforço de sua parte. Se quiser colher o produto, você deve plantar a semente e precisa ser a semente correta. Lembre-se: “A oportunidade bate à porta, mas nunca quebra a fechadura para entrar”.

Leitura da sorte e encantamentos

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O trabalho duro é a estrela mais sortuda

Apesar de o Buddhismo não refutar a crença em deidades, espíritos, astrologia e adivinhação, o conselho do Buddha foi o de que as pessoas não deveriam ser escravas de qualquer dessas forças. Um bom buddhista pode superar todas as suas dificuldades se souber como fazer uso de sua inteligência e força de vontade. As crenças mencionadas acima não têm significância ou valor espiritual. Os homens devem superar todos seus problemas e dificuldades por seus próprios esforços e não através de médiuns de deidades, espíritos, astrologia ou adivinhação. Em uma das estórias dos Jatakas buddhistas, o Bodhisatta disse:

“O tolo pode procurar por dias de sorte,

Mas a sorte sempre lhe faltará,

A sorte é, ela mesma, a sorte da própria estrela,

O que podem meras estrelas alcançar?”

Ele acreditava que o trabalho duro era a estrela de mais sorte e alguém não deveria perder tempo consultando estrelas e dias de sorte de maneira a alcançar o sucesso. Fazer o melhor para ajudar a si mesmo é melhor que confiar somente nas estrelas ou em forças externas.

Embora alguns buddhistas pratiquem adivinhações e produzam algumas formas de encantos ou amuletos em nome da religião, o Buddha em momento algum encorajou a prática de tais coisas. Como na leitura da sorte, os encantamentos também aparecem na categoria da superstição, e não tem valor religioso. Ainda assim, há muitas pessoas que hoje, por causa de doenças e infortúnios atribuem a causa de seus males e má sorte ao poder dos encantamentos. Quando a causa de certas doenças e infortúnios não pode ser assegurada ou encontrada, muitas pessoas tendem a acreditar que seus problemas se devem a encantamentos ou a alguma outra causa externa. Elas se esqueceram de que agora estão vivendo no século vinte. Essa é a era moderna do desenvolvimento e realização científicos. Nossos principais cientistas descartaram muitas crenças supersticiosas e até mesmo colocaram o homem na lua!

Todas as doenças devem sua origem seja a causas mentais seja a físicas. Em Shakespeare, Macbeth perguntou a um médico se havia algum remédio que pudesse curar sua esposa e o médico respondeu: ‘Mais ela precisa do divino do que do médico’. O que ele queria dizer é que algumas doenças podiam somente ser curadas se a mente fosse purificada. Algumas desordens mentais severas se manifestam de uma maneira física – úlceras, dores estomacais, etc.

As doenças puramente físicas, claro, podem ser curadas por um médico competente. E, finalmente, algumas desordens inexplicáveis podem ser causadas pelo que os buddhistas chamam de amadurecimento do fruto do kamma (skr. karma). Isso significa que teríamos que pagar por algumas ações maléficas que cometemos em uma vida passada. Se pudermos compreender isso no caso de algumas doenças incuráveis, poderemos suportá-las com maior paciência, conhecendo sua causa real.

As pessoas que não podem ser curadas de suas doenças são aconselhadas a consultar um especialista médico e obter atenção especializada. Se depois de submetido a um check-up médico, uma pessoa ainda sentir falta de mais atenção, então ela poderá buscar uma orientação espiritual de um mestre religioso apropriado.

Aconselha-se fortemente que os buddhistas evitem cair no poço miserável das crenças supersticiosas, permitindo que a mente seja perturbada por medos desnecessários e infundados. Cultivem uma poderosa força de vontade recusando-se a acreditar na influência de encantamentos.

Um breve curso de meditação também pode se provar como sendo de muita ajuda no sentido de clarear a mente de pensamentos insalubres. A meditação leva à purificação da mente. Uma mente purificada automaticamente leva a um corpo purificado e saudável. O Buddha-Dhamma é um bálsamo suavizante no sentido de se livrar das doenças dessa natureza.

Consultando Médiuns

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Consultar médiuns não é uma prática buddhista: é apenas uma crença costumeira e psicológica.

Em muitos países as pessoas buscam conselho e orientação de médiuns a fim de superar seus problemas em situações que consideram além de sua compreensão.

A ajuda de um médium é buscada de muitas formas e por várias razões. Em períodos de doença, quando a ajuda médica é aparentemente ineficiente, algumas pessoas podem se tornar desesperadas e se voltar para qualquer lugar em busca de consolo. Nesses períodos, os médiuns são freqüentemente consultados. Algumas pessoas também se voltam para médiuns quando enfrentam um problema complexo e são incapazes de encontrar uma solução aceitável. Outros consultam médiuns devido à ganância a fim de enriquecerem rapidamente.

Algumas pessoas acreditam que quando um médium está em um transe, o espírito de um certo deus ou divindade se comunica através do médium, oferecendo conselho ou orientação para aqueles que procuram por ajuda. Outros acreditam que o estado de transe é obra da mente subconsciente que aflora e toma posse da mente consciente.

Consultar médiuns é uma prática muito comum entre o público. A atitude buddhista quanto a consultar médiuns é a de neutralidade. É difícil verificar se aquilo que o médium diz é correto ou não. A prática de consultar médiuns não é uma prática buddhista; é apenas uma prática costumeira.

Consultar médiuns destina-se a ganhos materiais mundanos; o Ensinamento do Buddha é para o desenvolvimento espiritual. Entretanto, se uma pessoa acredita que aquilo que o médium diz é verdade, então não há razão para buddhistas se oporem a tais práticas.

Se uma pessoa realmente compreende e pratica os Ensinamentos do Buddha, ela pode compreender a natureza de seus problemas. Ela pode superar seus próprios problemas sem consultar nenhum médium.

os Sonhos e seus Significados

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‘A vida nada mais é do que um sonho’

Um dos maiores problemas não resolvidos do homem é o mistério dos sonhos. Desde os primeiros tempos o homem tentou analisar os sonhos e explicá-los em termos proféticos e psicológicos, mas embora tenha havido algum sucesso recentemente, provavelmente não estamos mais pertos das respostas a essa desconcertante questão: ‘O que é um sonho?’

O grande poeta romântico inglês William Wordsworth tinha um conceito surpreendente, o de que essa vida que vivemos é meramente um sonho e de que iremos ‘acordar’ para a ‘realidade’ quando morrermos, quando nosso ‘sonho’ terminar.

‘Nosso nascimento não é mais que um sono e esquecimento:
A Alma, que surge conosco, nossa estrela de vida,
Teve alhures seu ocaso,
E veio de longe’.

Um conceito similar é expresso num encantador conto buddhista antigo que conta sobre um deva que brincava com outros devas. Cansado, ele se deitou para tirar um cochilo, e morreu. Renasceu como uma menina na terra. Ela se casou, teve alguns filhos e viveu até ficar bem velha. Após sua morte ela novamente nasceu como um deva entre os mesmos companheiros que haviam acabado de terminar sua brincadeira. (Essa estória também ilustra a relatividade do tempo, ou seja, como o conceito do tempo no mundo humano é muito diferente do tempo em um outro plano de existência).

O que o Buddhismo tem a dizer a respeito dos sonhos? Como em todas as culturas, o Buddhismo tem seu número de pessoas que se dizem hábeis na interpretação dos sonhos. Tais pessoas ganham muito dinheiro explorando a ignorância de homens e mulheres que acreditam que cada sonho tenha um significado espiritual ou profético.

De acordo com a psicologia buddhista, os sonhos são processos ideacionais que ocorrem como atividades da mente. Considerando a ocorrência de sonhos é relevante lembrar que o processo de dormir pode ser tomado como possuindo cinco estágios:

1. sonolência

2. sono leve

3. sono profundo

4. sono leve

5. e acordar

O significado e a causa dos sonhos foram tema de discussões no famoso livro ‘Milinda Panha’ ou ‘As Perguntas do Rei Milinda’, no qual o Venerável Nagasena declarou que havia seis causas para os sonhos, três sendo orgânicas (vento, bílis e fleuma). A quarta é devido à intervenção de forças sobrenaturais; a quinta, o reviver de experiências do passado; e a sexta, a influência de eventos futuros. Está categoricamente declarado que os sonhos ocorrem somente no estágio do sono leve, que é dito ser como o sono do macaco. Das seis causas dadas, o Ven. Nagasena declarou positivamente que a última, a saber, os sonhos proféticos são os únicos a ter importância e os outros são relativamente insignificantes.

Sonhos são fenômenos criados pela mente e são atividades da mente. Todos os seres humanos sonham, embora algumas pessoas não consigam se lembrar deles. O Buddhismo ensina que alguns sonhos têm significado psicológico. As seis causas mencionadas anteriormente também podem ser classificadas da seguinte maneira:

I. Cada pensamento único que é criado fica armazenado em nosso subconsciente e alguns deles influenciam fortemente a mente de acordo com nossas ansiedades. Quando dormimos, alguns desses pensamentos são ativados e nos aparecem como ‘imagens’, se movendo diante de nós. Isso acontece porque durante o sonho, os cinco sentidos que constituem nosso contato com o mundo exterior, ficam temporariamente suspensos. A mente subconsciente fica então livre para se tornar dominante e para ‘re-apresentar’ os pensamentos que estavam estocados. Tais sonhos podem ser de valor para a psiquiatria, mas não podem ser classificados como proféticos. São meramente reflexos da mente em descanso.

II. O segundo tipo de sonho também não tem significado. São causados por provocações internas e externas que disparam um curso de ‘pensamentos visuais’, os quais são vistos pela mente em descanso. Fatores internos são aqueles que perturbam o corpo (por exemplo, uma refeição pesada que não nos permite ter um sono repousante ou um desequilíbrio e fricção entre os elementos que constituem o corpo). Provocação externa é quando a mente é perturbada (embora quem dorme possa não estar consciente disso) por fenômenos naturais como clima, vento, frio, chuva, barulho das folhas, janelas batendo, etc. A mente subconsciente reage a tais perturbações, criando imagens para ‘explicar’ o que acontece. A mente se acomoda à irritação de uma forma aparentemente racional de forma que o sonhador possa continuar a dormir sem perturbações. Esses sonhos também não têm importância e não precisam de interpretação.

III. Então há os sonhos proféticos. Esses são importantes. Raramente são experienciados e somente quando há um evento iminente que seja de grande relevância para o sonhador. O Buddhismo ensina que além do mundo tangível que podemos vivenciar, há devas que existem em outros planos ou alguns espíritos que estão presos a essa terra e são invisíveis a nós. Eles podem ser nossos parentes ou amigos que morreram e renasceram. Eles preservam relacionamentos mentais anteriores bem como seu apego a nós. Quando os buddhistas transferem méritos ao devas e aos mortos, eles os lembram e os convidam a compartilhar a felicidade adquirida através do mérito. Eles desenvolvem, assim, um relacionamento mental com os que morreram. Os devas, por sua vez, ficam contentes e se mantêm observando a nós, indicando algo nos sonhos quando temos que enfrentar alguns grandes problemas, tentando nos proteger do dano.

Assim, quando há algo importante que está para acontecer em nossas vidas eles ativam certas energias mentais em nossas mentes que são vistas como sonhos. Esses sonhos podem prevenir sobre um perigo iminente ou mesmo nos preparar para uma boa nova súbita. Essas mensagens são dadas em termos simbólicos (como nos negativos de fotos) e têm de ser interpretadas de maneira habilidosa e inteligente. Infelizmente pessoas demais confundem os dois primeiros tipos de sonhos com esse e acabam perdendo tempo e dinheiro valiosos consultando falsos médiuns e interpretadores de sonhos. O Buddha estava consciente de que isso poderia ser explorado para o ganho pessoal e, portanto, preveniu os monges contra prática de adivinho, astrologia e interpretação de sonhos em nome do Buddhismo.

4. Finalmente, nossa mente é o depósito de todas as energias kammicas acumuladas no passado. Algumas vezes, quando um kamma está para amadurecer (ou seja, quando a ação que fizemos em uma vida prévia ou no começo de nossa vida, está prestes a passar por sua reação) a mente que está em descanso durante o sono pode disparar uma ‘imagem’ do que está para acontecer. Aqui também, a ação iminente tem que ser de grande importância e deve estar tão fortemente carregada para que a mente ‘libera’ a energia extra na forma de sonho vívido. Tais sonhos ocorrem apenas muito raramente e somente para certas pessoas com um tipo especial de estrutura mental. O sinal do efeito de certos kammas também aparece em nossas mentes no último momento quando estamos prestes a partir desse mundo.

Sonhos podem ocorrer quando dois seres humanos vivos enviam fortes mensagens telepáticas mentais um para o outro. Quando uma pessoa tem um intenso desejo de se comunicar com a outra, ela se concentra fortemente na mensagem e na pessoa com quem deseja se comunicar. A mente está em repouso é um estado ideal para receber tais mensagens, as quais são vistas como sonhos. Usualmente esses sonhos aparecem somente em momentos intensos porque a mente humana não é forte o suficiente para sustentar tais mensagens por um longo período de tempo.

Todos os seres mundanos são sonhadores, e percebem como permanente o que é essencialmente impermanente. Não vêem que a juventude termina em velhice, a beleza em feiúra, a saúde em doença, e a própria vida em morte. Nesse mundo de sonho, o que é verdadeiramente sem substância é visto como realidade. Sonhar durante o sono é somente outra dimensão do mundo-sonho. Os únicos que estão acordados são os Buddhas e os Arahants, pois eles viram a realidade.

Os Buddhas e os Arahants nunca sonham. Os primeiros três tipos de sonho não podem ocorrer em suas mentes, porque suas mentes foram permanentemente ‘acalmadas’ e não podem ser ativadas para sonhar. O último tipo de sonho não pode acontecer a eles porque erradicaram toda a energia do desejo completamente, e não há mais energia ‘residual’ de ansiedade ou de desejo insatisfeito para ativar a mente em produzir sonhos. O Buddha é também conhecido como o Desperto porque Sua forma de relaxar o corpo físico não é da forma como dormimos, a qual resulta em sonhos. Grandes artistas e pensadores, como o alemão Goethe, freqüentemente disseram que conseguem suas melhores inspirações através dos sonhos. Isso pode ser porque quando suas mentes estão desligadas dos cinco sentidos durante o sono, eles produzem pensamentos claros, os quais são criativos num alto grau. Woodsworth queria dizer a mesma coisa quando disse que boa poesia resulta de ‘poderosas emoções lembradas na tranqüilidade’.

a Cura pela Fé

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A cura pela fé – uma abordagem psicológica

A prática da cura pela fé prevalece em muitos países. Muitas pessoas tentam influenciar o público através da persuasão emocional chamada de cura pela fé. A fim de impressionar seus pacientes quanto à eficácia de seus poderes de cura, alguns curandeiros usam o nome de um deus ou um objeto religioso para incluir um sabor religioso ao seu método de cura. A introdução da religião na cura pela fé é, de fato, um disfarce ou um engodo para enganar o paciente no desenvolvimento de mais devoção e aumentar a confiança ou fé do paciente no curandeiro. Esse ato de cura, quando executado em público, tem a intenção de angariar convertidos para uma denominação religiosa particular.

Na realidade, tanto quanto concerne a cura pela fé, a religião não é assim tão importante. Há numerosos casos de curandeiros executando seus atos de cura sem usar a religião de modo algum. Um exemplo é o da ciência do hipnotismo, cuja prática não envolve quaisquer aspectos religiosos. Aqueles que associam a religião com a cura pela fé estão, de alguma forma, se engajando numa forma sutil de ilusão tentando atrair convertidos para sua religião em particular fazendo uso da cura pela fé e descrevendo certas curas como atos miraculosos.

Os métodos empregados pelos curandeiros são o de condicionar as mentes dos pacientes para ter uma certa atitude mental que resulta em certas mudanças psicológicas e fisiológicas que invariavelmente acontecem. Isso atrai as condições da mente, do coração, a conseqüente circulação sanguínea e outras funções orgânicas relacionadas do corpo, criando assim um sentimento de bem estar. Se a doença é atribuída a condições mentais, então certamente a mente pode ser condicionada apropriadamente a fim de assistir na erradicação de qualquer doença que possa ocorrer.

Nesse contexto, deve ser notado que a prática constante e regular da meditação pode ajudar a minimizar, se não erradicar completamente, várias formas de doenças. Há muitos discursos nos Ensinamentos do Buddha onde está indicado que várias formas de doenças foram erradicadas através do condicionamento da mente. Dessa forma, vale a pena praticar a meditação para atingir o bem-estar mental e físico.

Superstições e Dogmas

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As pessoas ridicularizam as superstições dos outros, enquanto cultuam as suas próprias‘.

Todas as dores têm cura, mas não as superstições. E, se por uma ou outra razão, uma superstição se cristaliza numa religião, facilmente se torna um mal quase incurável. Na execução de certas funções religiosas, mesmo pessoas educadas atualmente se esquecem de sua dignidade humana aceitando as  mais ridículas e supersticiosas crenças.

Crenças e rituais supersticiosos foram adotados para decorar uma religião a fim de atrair multidões. Mas, após algum tempo, a hera plantada para decorar o santuário, cresce e domina o santuário, resultando que os objetivos religiosos são relegados ao segundo plano e as crenças e rituais supersticiosos se tornam predominantes – a hera eclipsando o santuário.

Da mesma forma que a superstição, a crença dogmática também sufoca o crescimento saudável da religião. A crença dogmática e a intolerância andam de mãos dadas. Isso faz lembrar a Idade Média com suas pueris inquisições, assassinatos cruéis, violência, infâmias, torturas e queima de seres inocentes. Isso também faz lembrar das barbaridades e das cruzadas implacáveis. Todos esses eventos foram estimulados pelas crenças dogmáticas em autoridades religiosas e pela intolerância que daí resulta.

Antes do desenvolvimento do conhecimento cientifico, as pessoas ignorantes tinham muitas crenças supersticiosas. Por exemplo, muitas pessoas acreditavam que o eclipse do sol e da lua traziam má sorte e pestes. Hoje sabemos que tais crenças não são verdadeiras. Aqui também alguns religiosos inescrupulosos encorajam as pessoas a acreditar em superstições de maneira a usarem os seguidores para seu próprio benefício. Quando as pessoas realmente purificarem suas mentes da ignorância, elas verão o universo tal como realmente é e não sofrerão com superstições e dogmatismo. Essa é a ‘salvação’ que os buddhistas aspiram.

É extremamente difícil para nós quebrarmos o sentimento emocional relacionado à superstição ou à crença dogmática. Mesmo a luz do conhecimento cientifico freqüentemente não é forte o suficiente para fazer com que desistamos dos conceitos errôneos. Por exemplo, notamos por gerações que a terra se move em volta do sol; mas, experiencialmente, ainda percebemos o sol surgindo, atravessando o céu e se pondo ao entardecer. Ainda temos que dar um salto intelectual a fim de imaginar que estamos, de fato, movendo-nos a uma grande velocidade em volta do sol.

Precisamos entender que os perigos do dogmatismo e da superstição seguem de mãos dadas com a religião. O tempo é chegado para que as pessoas sábias separem a religião do dogmatismo e da superstição. Do contrário, o bom nome da religião será manchado e o número de não crentes aumentará, como já acontece.