Capítulo 12

Posições Buddhistas sobre o Casamento

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No Buddhismo, o casamento é considerado um assunto inteiramente pessoal e individual e não um dever religioso

O casamento é uma convenção social, uma instituição criada pelo homem para seu bem-estar e felicidade, para distinguir a sociedade humana da vida animal e para manter a ordem e a harmonia no processo de procriação. Embora os textos buddhistas mantenham silêncio sobre o tema da monogamia ou poligamia, o buddhista laico é aconselhado a se limitar a uma esposa. O Buddha não estabeleceu regras para a vida casada, mas deu os necessários conselhos sobre como viver uma vida casada feliz. Há amplas inferências em Seus sermões de que é sábio e recomendável ser fiel a uma esposa, e não ser sensual e sair atrás de outras mulheres. O Buddha compreendeu que uma das principais causas da queda do homem é seu envolvimento com outras mulheres (Parābhava Sutta) O homem deve estar consciente das dificuldades, provações e tribulações pelos quais deve passar somente para manter uma esposa e uma família. Isso seria multiplicado muitas vezes quando se deparando com calamidades. Conhecendo a fragilidade da natureza humana, em um de seus preceitos o Buddha aconselhou aos Seus seguidores de se abster de cometer adultério ou má-conduta sexual.

As posições buddhistas sobre o casamento são bem liberais: no Buddhismo, o casamento é considerado um assunto inteiramente pessoal e individual e não um dever religioso. Não há leis religiosas no Buddhismo que compelem uma pessoa a se casar, a permanecer solteira ou a levar uma vida de total castidade. Não é estabelecido em qualquer lugar que os buddhistas devem gerar filhos ou regular o seu número. O Buddhismo permite a cada indivíduo a liberdade para decidir por si mesmo todos os assuntos relacionados ao casamento. Pode ser perguntado porque os monges buddhistas não se casam, uma vez que não há leis a favor ou contra o casamento. A razão é que obviamente a fim de servir a humanidade os monges escolheram um modo de vida que inclui o celibato. Aqueles que renunciam a vida no mundo se mantêm afastados da vida casada voluntariamente, a fim de evitar os vários compromissos mundanos, mantendo a paz da mente e dedicando suas vidas unicamente para servir aos outros no atingimento da emancipação espiritual. Embora os monges buddhistas não realizem cerimônias de casamento, eles executam serviços religiosos para abençoar os casais.

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Divórcio

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A separação ou o divórcio não é algo proibido no Buddhismo embora sua necessidade seria rara se as injunções do Buddha fossem estritamente seguidas. Homens e mulheres devem ter liberdade para se separarem caso realmente não consigam concordar um com o outro. A separação é preferível a fim de evitar uma vida familiar miserável por um longo período de tempo. O Buddha também aconselhou que homens velhos não tivessem esposas jovens, pois é improvável que velhos e jovens sejam compatíveis, o que pode criar problemas desnecessários, desarmonia e a ruína (Parābhava Sutta).

Uma sociedade cresce por meio de uma rede de relacionamentos que são mutuamente entrelaçados e interdependentes. Cada relacionamento é um compromisso íntimo para sustentar e proteger os outros em um grupo ou comunidade. O casamento significa uma parte importante nessa forte rede de relacionamentos de dar sustento e proteção. Um bom casamento deve crescer e desenvolver gradualmente a partir do entendimento e não do impulso, a partir da verdadeira lealdade e não de simples e pura indulgência. A instituição do casamento provê uma delicada base para o desenvolvimento da cultura, uma deliciosa associação de dois indivíduos que deverá ser nutrida, a fim de serem livres da solidão, privação e medo. Em um casamento, cada parceiro desenvolve um papel complementar, dando força e coragem moral um ao outro, cada qual manifestando um reconhecimento apoiador e apreciativo das habilidades do outro. Não deve haver pensamento sobre a superioridade de homem ou mulher – cada um é complementar ao outro, uma parceria de igualdade, plena de suavidade, generosidade, calma e dedicação.

Controle de Natalidade, Aborto e Suicídio

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Embora o homem tenha liberdade para planejar sua família de acordo com sua própria conveniência, o aborto não é justificável

Não há razão para os buddhistas se oporem ao controle da natalidade. Eles têm liberdade para usar quaisquer dos métodos antigos ou modernos para prevenir a concepção. Aqueles que se opõem ao controle da natalidade dizendo que isso é contra a lei divina, precisam compreender que suas idéias sobre tal assunto não são razoáveis. No controle da nascimento o que é feito é prevenir a vinda de um ser à existência. Não há morte envolvida e não há akusala kamma. Mas se tomam qualquer ação para ter um aborto, essa ação é errada pois envolve tirar ou destruir uma vida, visível ou invisível. Portanto, o aborto não é justificável.

De acordo com os Ensinamentos do Buddha, cinco condições precisam estar presentes para se constituírem na ação maléfica do matar. Elas são:

1. um ser vivo
2. conhecimento ou consciência de que é um ser vivo
3. intenção de matar
4. esforço em matar, e
5. a morte resultante

Quando uma mulher concebe, há um ser em seu útero, e isso preenche a primeira condição. Após uns dois meses, ela sabe que há uma nova vida dentro dela e isso satisfaz a segunda condição. Então, por alguma razão ou outra, ela quer se ver livre desse ser que está em seu interior. Ela busca, assim, alguém que faça o aborto e, dessa forma, a terceira condição é preenchida. Quando faz o aborto, a quarta condição é satisfeita; e, finalmente, o ser é morto por causa dessa ação. Dessa forma, todas as condições estão presentes. Assim, há uma violação do Primeiro Preceito de ‘não matar’, e isso é equivalente a matar um ser humano. De acordo com o Buddhismo, não há base para se dizer que temos o direito de tirar a vida de outro ser.

Sob certas circunstâncias, uns podem se sentir compelidos a fazer isso para sua própria conveniência. Mas não devem justificar esse ato de aborto, pois de uma maneira ou outra terão que enfrentar algum tipo de mau resultado kármico. Em certos países, o aborto é legalizado, mas isso é feito para superar certos problemas. Princípios religiosos nunca deveriam ser abandonados em nome do prazer do homem. Eles existem para o bem-estar de toda a humanidade.

Cometendo Suicídio

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Tirar a própria vida em qualquer circunstância é moral e espiritualmente algo errôneo. Tirar a própria vida devido à frustração ou ao desapontamento apenas causa um sofrimento maior. O suicídio é uma forma covarde de dar um fim nos problemas da própria vida. Uma pessoa não pode cometer suicídio se sua mente for pura e tranqüila. Se ela deixa este mundo com uma mente confusa e frustrada, é bem improvável que nascerá novamente em uma condição melhor. O suicídio é uma ação insalubre ou inábil, uma vez que é encorajado por uma mente cheia de cobiça, ódio e ilusão. Aqueles que cometem suicídio não aprenderam como enfrentar seus problemas, como enfrentar os fatos da vida, e como usar sua mente de uma maneira apropriada. Tais pessoas não foram capazes de entender a natureza da vida e as condições do mundo.

Algumas pessoas sacrificam suas próprias vidas pelo que consideram uma causa boa e nobre. Tiram suas próprias vidas por métodos como a auto-imolação, tiro ou greve de fome. Tais ações podem ser classificadas como heróicas e corajosas. Entretanto, de um ponto de vista buddhista, tais atos não podem ser aprovados. O Buddha indicou claramente que estados suicidas da mente levam a mais sofrimentos.

Por que a População Mundial Aumenta?

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Não há base realmente para se pensar que esse é o único período no qual a população do mundo tem aumentado.

Se os buddhistas não acreditam na alma criada por deus, como eles explicam o aumento da população no mundo de hoje? Essa é uma pergunta muito comum feita por muitos hoje. As pessoas que fazem uma tal pergunta usualmente acham que há somente um mundo onde vivam os seres. É preciso considerar que é muito natural que a população cresça em lugares em que há boas condições climáticas, facilidades médicas, alimento, e em que existam precauções para produzir e proteger os seres vivos.

É preciso também considerar que não há base realmente para se pensar que esse é o único período no qual a população do mundo tem aumentado. Não há como comparar com qualquer período da história antiga. Vastas civilizações existiram e desapareceram na Ásia Central, no Oriente Médio, na África e na Antiga América. Nenhum censo existe para essas civilizações, mesmo que remotamente. A população, como tudo o mais no universo, está sujeita a ciclos de surgimento e queda. Em ciclos de alarmante aumento na taxa de nascimento, é possível conseqüentemente ser tentado a argumentar contra o renascimento neste ou em outros mundos. Pelos últimos milhares de anos, não há evidência para provar que houve mais pessoas em algumas partes do mundo do que há hoje. O número de seres existindo em vários sistemas mundiais é realmente infinito. Se as vidas humanas podem ser comparadas a somente um grão de areia, o número de seres no universo é comparável aos grãos de areia em todas as praias do mundo. Quando as condições são corretas e eles são sustentados por seus bons kammas, alguns desses infinitos números de seres renascem como seres humanos. O avanço da medicina, especialmente nos séculos XIX e XX possibilitou aos seres humanos viver mais longamente e com vidas mais saudáveis.

Esse é um fator que contribui para o aumento da população. A população pode aumentar ainda mais, caso pessoas responsáveis não tomem providências que possam controlar isso. Daí que o crédito ou responsabilidade pelo aumento da população deva ser dado às facilidades médicas e a outras circunstâncias disponíveis hoje. Esse crédito ou responsabilidade não pode ser atribuído a nenhuma religião em particular ou a qualquer fonte externa.

Há uma crença entre certas pessoas que todos os infelizes eventos que destroem as vidas humanas são criados por deus a fim de reduzir a população do mundo. Ao invés de conferir tanto sofrimento para suas próprias criaturas, por que ele não pode controlar a população? Por que ele cria mais e mais pessoas em países superpopulados, onde não há alimento suficiente, roupa e outras necessidades básicas? Aqueles que acreditam que deus criou tudo não conseguem dar uma resposta satisfatória a essa questão. Pobreza, infelicidade, guerra, fome, doença, não são devidos à vontade de deus ou ao capricho de um demônio, mas devidos a causas que não são tão difíceis de serem descobertas.

Sexo e Religião

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A parte inferior em nós é ainda animal” (Gandhi)

O impulso sexual é a força mais dinâmica na natureza humana. Ele é tão potente que algum tipo de autocontrole é necessário, mesmo na existência ordinária. No caso do aspirante espiritual, que deseja ter um completo controle sobre sua mente, uma quantidade ainda maior de autodisciplina é necessária. Tal força poderosa no caráter humano pode ser subjugada somente quando o aspirante controla seus pensamentos e pratica a concentração. A conservação da força sexual ajuda a desenvolver esta força. Pois se ele controlar a força sexual, ele terá mais controle sobre todo seu ser e sobre suas menores emoções.

O celibato é um dos requisitos para aqueles que desejam expandir seu desenvolvimento espiritual até a perfeição. Isso, entretanto, não é compulsório para todas as pessoas a fim de praticar o Buddhismo. O conselho do Buddha é o de que observar o celibato é mais afim para alguém que deseja cultivar suas conquistas espirituais. Para um leigo comum buddhista, o preceito é de se abster da má-conduta sexual. Embora a perversão da força sexual não esteja sob a mesma categoria, a pessoa pervertida invariavelmente sofre as más reações, tanto física quanto mentalmente, ou ambas.

Há uma necessidade para leigos buddhistas exercitarem algum nível de controle com respeito à força sexual. O impulso sexual do homem deve ser controlado adequadamente pois, do contrário, o homem se comportará pior do que um animal quando intoxicado pela luxúria. Considerem o comportamento sexual do que chamamos de ‘animal inferior’. O que, de fato, é freqüentemente ‘inferior’ – o animal ou o homem? Qual age de maneira normal e regular com relação ao comportamento sexual? E qual se dispersa de formas irregulares e perversas? Freqüentemente é o animal a criatura superior, e o homem a inferior. E por que isso? Simplesmente porque o homem – que se usasse corretamente sua capacidade mental teria a maestria de seus impulsos sexuais – usa, de fato, seus poderes mentais de uma forma tão deplorável que se torna um escravo desses impulsos. Assim, o homem pode, às vezes, ser considerado inferior a um animal.

Nossos ancestrais acalmavam este impulso sexual; eles sabiam que ele era forte o suficiente para não dar um encorajamento extra. Mas hoje o incentivamos com milhares de formas para incitar, propagandas sugestivas, enfatizando e exibindo; e armamos a força sexual com a doutrina de que inibi-la é algo perigoso e pode até mesmo causar desordens mentais.

Ainda assim, a inibição – o controle do impulso – é o primeiro princípio de qualquer civilização. Em nossa civilização moderna, poluímos a atmosfera sexual que nos cerca – tão grande é a insaciedade da mente e do corpo por gratificação sexual.

Um resultado dessa exploração sexual pelos incentivadores escondidos da sociedade moderna é de os jovens de hoje desenvolverem uma atitude em relação ao sexo que está se tornando um incômodo público. Uma garota inocente não tem liberdade de ir a qualquer lugar sem ser molestada. Por outro lado, as mulheres deveriam se vestir de tal maneira a não estimular a natureza animal que está escondida nos jovens.

O homem é o único animal que não tem períodos de natural inatividade sexual durante os quais o corpo pode restabelecer sua vitalidade. Infelizmente, a exploração comercial da natureza erótica no homem causou que o homem moderno seja exposto a uma avalanche incessante de estímulos sexuais vindos de todos os lados. Muitas das neuroses da vida atual provêm desta situação desequilibrada. Dos homens espera-se a monogamia, mas as mulheres são encorajadas de todas formas possíveis a serem atraentes, não apenas para o marido, mas para excitar em todos os homens a paixão que a sociedade lhes proíbe de satisfazer.

Muitas sociedades tentam forçar relacionamentos monogâmicos. Dessa forma, mesmo um homem com muitas falhas ainda pode ser um homem moral, ou seja, pode ser fiel à esposa permitida pela lei. O perigo aqui jaz no fato de que pessoas que sejam inteligentes o bastante para perceberem que tais regras são artificiais e não baseadas em quaisquer princípios transcendentais ou universalmente válidos, podem cair no erro de pensar o mesmo com relação a todas as outras leis éticas.

O sexo deveria ocupar seu devido lugar na vida humana normal; nem deve ser doentiamente reprimido, nem morbidamente exagerado. E deve estar sempre sob controle da vontade, como o pode ser quando considerado saudavelmente e colocado em sua perspectiva apropriada.

O sexo não deveria ser considerado como o mais importante ingrediente para a felicidade na vida de um casal. Aqueles que nisso exageram, podem se tornar escravos do sexo, o que no fim arruinará o amor e a consideração humana no casamento. Como em tudo, é preciso cultivar a temperança e racionalidade nas demandas sexuais, levando em consideração os sentimentos íntimos e o temperamento um do outro.

O casamento é um laço de parceria para a vida, estabelecido entre um homem e uma mulher. Paciência, tolerância e entendimento são as três principais qualidades que deveriam ser desenvolvidas e nutridas pelo casal. Enquanto o amor deveria ser o nó unindo o casal, as necessidades materiais para a sustentação de um lar feliz devem ser disponibilizados pelo companheiro para que o casal divida. A qualificação de uma boa parceria no casamento deve ser o ‘nós’, e não o ‘seu’ ou ‘meus’. Um bom casal deveria ‘abrir’ seu coração um para o outro e evitar a manutenção de ‘segredos’. Manter segredos para si pode levar à suspeita, e esta é o elemento que poderia destruir o amor em uma parceria. A suspeita nutre o ciúme, o ciúme cria a raiva, a raiva desenvolve o ódio, o ódio vira inimizade, e a inimizade pode causar grande sofrimento, incluindo o derramamento de sangue, o suicídio e mesmo o assassinato.