Capítulo 02

Mensagem Para Todos

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Buddha, a flor da humanidade, não está mais nesse mundo em forma física, mas a doce flagrância de Sua mensagem de paz permanecerá para sempre

O Buddhismo é um das religiões mais antigas ainda praticadas no mundo atual. Enquanto que os nomes de muitas outras religiões que existiram na Índia foram esquecidos, os ensinamentos do Buddha (mais conhecidos como o Dhamma) ainda são relevantes às necessidades da sociedade de hoje. Isso é porque o Buddha sempre considerou a Si mesmo como a um professor religioso humano cuja mensagem se destinava a promover a liberdade, a felicidade e o bem-estar de outros seres humanos. A principal preocupação do Buddha era a de ajudar Seus seguidores a viver uma vida normal sem ir aos extremos da autonegação ou total subjugação pelos desejos sensoriais.

A natureza prática do ensinamento do Buddha é revelada no fato de que não se pode esperar que todos atinjam exatamente o mesmo objetivo em um período de vida, uma vez que as impurezas mentais estão enraizadas de forma diferente nos indivíduos. Algumas pessoas são espiritualmente mais avançadas do que outras e podem prosseguir a alturas maiores de acordo com seu estado de desenvolvimento. Mas cada ser humano tem o potencial último de atingir o objetivo supremo do Estado de Buddha se ele ou ela tiver a determinação e vontade para assim fazê-lo.

Ainda hoje a suave e doce voz do Buddha soa em nossos ouvidos. Algumas vezes talvez nos sintamos um pouco envergonhados por não entendê-Lo totalmente. Frequentemente apenas elogiamos Seu Ensinamento e O respeitamos, mas não tentamos praticar o que Ele pregou. O Ensinamento do Buddha e Sua mensagem surtiram um efeito nas pessoas por milhares de anos não importando se acreditavam em alguma religião ou não. Sua mensagem é para todos.

Embora o Buddha, a flor da humanidade, não esteja mais nesse mundo, a doce fragrância e o aroma único de Seus ensinamentos se espalharam larga e abrangentemente. Sua fragrância balsâmica e difundida acalmou e suavisou milhões. Seu perfume ambrosíaco animou e alegrou cada nação em que penetrou. A razão para que Seus Ensinamentos tenham conquistado milhões de corações é devido a terem se espalhado não por meio de armas ou poder político, mas pelo amor e compaixão pela humanidade. Nem uma gota de sangue mancha seu puro caminho. O Buddhismo vence pelo toque morno do amor, não pelas frias garras do medo. O medo do sobrenatural e a doutrina de um fogo eterno infernal não têm lugar no Buddhismo.

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Mensagem Para Todos – 2

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Nos últimos vinte e cinco séculos desde o aparecimento do Buddha muitas mudanças ocorreram nesse mundo. Reinos surgiram e decaíram; nações prosperaram e pereceram. E o mundo hoje se esqueceu de muitas dessas civilizações do passado. Mas o nome do Buddha permanece vivo e fresco nas mentes de milhões de pessoas atualmente. O Reino da Corretude que Ele construiu, continua forte e firme. Embora muitos templos, pagodes, imagens, bibliotecas e outros símbolos religiosos erigidos em Sua homenagem tenham sido, de tempos em tempos, destruídos por fanáticos religiosos, Seu Nobre Nome imaculado e a mensagem que Ele proferiu permanecem nas mentes das pessoas que compreendem.

O Buddha ensinou que a maior conquista não é a subjugação de outros, mas de si mesmo. Ele ensinou, no ‘Dhammapada’, que ‘Mesmo que um homem conquiste dez mil homens numa batalha, aquele que somente conquista a si mesmo é o maior dos conquistadores’.

Talvez o melhor exemplo de como a gentil mensagem do Compassivo é capaz de reabilitar o mais selvagem dos homens seja o caso do Imperador Asoka. Cerca de duzentos anos após o Buddha, esse rei empreendeu sangrentas batalhas através da Índia e causou grande angústia e medo. Mas quando abraçou o Dhamma, ele se arrependeu de todo o mal que havia feito. Lembramos e honramos hoje esse imperador porque após sua conversão ao caminho da paz, ele embarcou em outra batalha: uma batalha para trazer a paz à humanidade. Ele provou sem dúvida que o Buddha estava certo quando afirmou que a verdadeira grandeza brota do amor, não do ódio; da humildade, não do orgulho; da compaixão, não da crueldade.

A conversão do Imperador Asoka, da crueldade para a bondade, foi tão completa que ele proibiu até mesmo a matança de animais em seu reino. Ele percebeu que seus súditos roubavam por causa da necessidade e começou a reduzir a carência em seu reino. Mas acima de tudo, ele instruiu os seguidores do Buddha a se lembrar do ensinamento do Mestre de nunca forçar suas crenças sobre outros que eram leais a outros líderes religiosos. Em outros casos ouvimos de reis que, após a conversão, dirigiram sua sede de sangue espalhando sua nova religião pela espada! Somente o Buddhismo pode se orgulhar de um rei que nunca foi igualado em tamanha grandeza antes ou desde então.

Os Ensinamentos do Buddha foram introduzidos de maneira que as sociedades pudessem ser educadas e civilizadas, vivendo em paz e harmonia. Todos os problemas mais difíceis da vida podem ser melhor entendidos se apenas tentarmos aprender e praticar Seus ensinamentos. A abordagem do Buddha aos problemas e sofrimento da humanidade é direta e sem rodeios.

O Buddha foi o maior conquistador que o mundo já viu. Ele conquistou o mundo com Suas armas infalíveis de amor e de verdade. Seu Ensinamento ilumina o Caminho para a humanidade cruzar desde o mundo da escuridão, ódio e sofrimento, para um novo mundo de luz, amor e felicidade.

O Poder Milagroso

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Se um homem ruim pode se tornar um homem puro e religioso, isso é um milagre real em ação

Em todas as religiões sabemos de milagres sendo feitos seja por seus fundadores ou por alguns de seus discípulos. No caso do Buddha, milagres ocorreram desde o dia de Seu nascimento até Sua passagem para o Nibbana. Muito dos poderes psíquicos do Buddha foram atingidos por meio de longo e intenso treinamento na meditação. O Buddha meditou e passou por todos os estágios superiores de contemplação que culminavam na pura posse de si mesmo e na sabedoria. Tais atingimentos por meio da meditação não são considerados milagres, mas fazem parte do poder psíquico de qualquer asceta treinado.

Usando a meditação na noite de Sua Iluminação, surgiu no Buddha uma visão de Seus nascimentos prévios, de muitas existências com todos os seus detalhes. Ele relembrou Seus nascimentos prévios e como fez uso desses nascimentos para obter Sua Iluminação. O Buddha, então, teve uma segunda visão, mais ampla, na qual Ele viu todo o universo como um sistema de kamma e renascimento. Ele viu o universo feito de seres que eram nobres e corrompidos, felizes e infelizes. Ele os viu a todos continuamente ‘morrendo de acordo com suas ações boas e ruins’, deixando uma forma de existência e tomando forma em outra. Finalmente, Ele compreendeu a natureza do Sofrimento, a Cessação do Sofrimento e o Caminho que leva para a Cessação do Sofrimento. Então, uma terceira visão surgiu dentro do Buddha. Ele compreendeu que estava completamente livre de todas as prisões, humanas ou divinas. Compreendeu que Ele havia feito o que devia ser feito. Compreendeu que não tinha mais renascimentos porque havia erradicado toda a ânsia e estava vivendo em Seu último corpo. Esse conhecimento destruiu toda a ignorância, toda a escuridão, e a luz surgiu dentro Dele. Este é o poder psíquico e a sabedoria que surgiu dentro do Buddha enquanto estava sentado meditando sob a Árvore Bodhi.

O Buddha teve um nascimento natural; Ele viveu de uma forma normal. Mas foi um homem extraordinário, tanto quanto se refere à Sua Iluminação. Aqueles que não aprenderam a apreciar sua Suprema Sabedoria tentam explicar Sua grandeza investigando Sua vida e buscando por milagres. Entretanto, a Suprema Iluminação do Buddha é mais do que suficiente para entendermos Sua grandeza. Não há necessidade de mostrar Sua grandeza pela introdução de quaisquer poderes milagrosos. Os milagres têm pouca relação com o ver as coisas como são.

O Buddha conhecia o poder que podia ser desenvolvido por meio do treinamento da mente humana. Ele também sabia que Seus discípulos poderiam adquirir tais poderes por meio do desenvolvimento mental. Dessa forma, o Buddha aconselhou-os a não exercitarem tal poder psíquico para converter as pessoas menos inteligentes. Ele estava se referindo ao poder ‘milagroso’ de andar sobre as águas, exorcizar espíritos, levantar os mortos e executar as assim chamadas práticas sobrenaturais. Ele também estava se referindo aos ‘milagres da profecia’, tais como leitura de pensamento, adivinhação, leitura da sorte e assim por diante. Quando o crente sem conhecimento vê a execução de tais poderes, sua fé se aprofunda. Mas os convertidos somente no nome, que são atraídos para uma religião por causa desses poderes, abraçam uma fé, não por compreenderem a Verdade, mas porque se entretêm com alucinações. Além disso, algumas pessoas podem dizer que esses milagres são devido a certos encantos ou artimanhas. Ao atrair as pessoas para ouvir o Dhamma, o Buddha apelava para seu poder do raciocínio.

O Poder Milagroso – 2

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A seguinte história ilustra a atitude do Buddha em relação aos poderes milagrosos. Certo dia o Buddha encontrou um asceta sentado à margem de um rio. O asceta havia praticado austeridades por vinte e cinco anos. O Buddha lhe perguntou o que havia conquistado por meio de todo esse esforço. O asceta orgulhosamente respondeu que, finalmente, podia agora cruzar o rio andando sobre as águas. O Buddha lhe disse que esse ganho era insignificante se comparado a todos os anos de esforço, uma vez que qualquer um poderia cruzar o rio usando uma barca e pagando um centavo!

Em certas religiões, a execução de atos milagrosos pode ajudar alguém a ser declarado como um santo. Mas no Buddhismo, milagres podem ser um obstáculo para uma pessoa atingir o estado de santidade, o qual é um gradual atingimento pessoal e ocupação individual que resulta na completa erradicação das impurezas da mente. Cada pessoa por si mesma deve trabalhar para sua santidade por meio da autopurificação e ninguém pode transformar outra pessoa num santo.

O Buddha disse que uma pessoa pode conquistar o poder de milagres sem desenvolver o poder espiritual. Ele nos ensina que se conquistamos primeiramente o poder espiritual, então automaticamente recebemos os poderes milagrosos ou psíquicos também. Mas se desenvolvemos os poderes milagrosos sem o desenvolvimento espiritual, então, estamos em perigo. Podemos usar incorretamente esse poder para ganhos mundanos (pataligama-udana). Há muitos que se desviaram do caminho correto pelo uso de seus poderes milagrosos sem ter qualquer desenvolvimento espiritual. Muitas pessoas que supostamente obtiveram algum poder milagroso sucumbiram à glória vã de obter algum ganho mundano. Ainda pior, pessoas com poderes milagrosos sem o desenvolvimento espiritual podem se enganar pensando terem um poder divino.

Muitos dos chamados milagres declarados pelas pessoas são meramente imaginações e alucinações criadas por suas próprias mentes devido a uma falta de entendimento das coisas como realmente são. Todos esses milagres permanecem como milagres só enquanto elas fracassam em conhecer o que esses poderes realmente são.

O Buddha também proibiu expressamente Seus discípulos de usar os milagres a fim de provar a superioridade de Seus Ensinamentos. Em uma ocasião Ele disse que o uso de milagres para atrair conversões era como usar dançarinas para atrair pessoas a fim de fazerem algo. Qualquer um com o treinamento mental apropriado pode executar milagres, pois esses são simplesmente uma expressão da superioridade da mente sobre a matéria.

De acordo com o Buddha, o milagre da realização da Verdade é o único milagre. Quando um assassino, ladrão, terrorista, bêbado ou adúltero consegue compreender que aquilo que estava fazendo é errado e abandona seu modo de vida ruim, imoral e danoso, tal mudança pode ser considerada como um milagre. A mudança para melhor surgida de um entendimento da lei universal ou das ocorrências naturais do Dhamma é o maior milagre que qualquer pessoa pode fazer.

O Silêncio do Buddha

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Quando o questionador era incapaz de entender o real significado da resposta ou quando as perguntas colocadas a Ele estavam erradas, o Buddha permanecia em silêncio

As escrituras mencionam algumas ocasiões em que o Buddha permanecia em silêncio quanto a questões metafísicas e especulativas colocadas a Ele. Alguns acadêmicos, não compreendendo o silêncio do Buddha, chegaram à conclusão incorreta de que o Buddha era incapaz de responder a tais questões.

Quando o Buddha sabia que o questionador não estava numa posição de entender a resposta por causa de sua profundidade, ou se as questões em si mesmas eram feitas incorretamente, o Bem-Aventurado permanecia em silêncio. Algumas das questões que o Buddha permanecia em silêncio eram:

1. O universo é eterno?
2. Ele não é eterno?
3. O universo é finito?
4. Ele é infinito?
5. A alma é a mesma coisa que o corpo?
6. A alma é uma coisa e o corpo é outra?
7. O Tathagata existe após a morte?
8. Ele não existe após a morte?
9. Ele (ao mesmo tempo) existe e não existe após a morte?
10. Ele (ao mesmo tempo) nem existe ou não existe?

O Buddha, que tinha realmente realizado a natureza dessas questões, observava o nobre silêncio. Uma pessoa comum que ainda não é iluminada poderia ter muito a dizer, mas tudo seria pura conjectura baseada na imaginação.

O silêncio do Buddha sobre tais assuntos é mais significativo que a tentativa de produzir milhares de discursos sobre eles. A insuficiência de nosso vocabulário humano, o qual é construído sobre as experiências relativas, não pode esperar manifestar a profundidade e dimensões da Realidade, que uma pessoa não experimentou por ela mesma por meio do Insight. Em diversas ocasiões, o Buddha pacientemente explicou que a linguagem humana é muito limitada e não podia descrever a Verdade Última. Se a Verdade Última é absoluta, então ela não tem nenhum ponto de referência para pessoas do mundo providas apenas de experiências mundanas e entendimento relativo para compreendê-la totalmente. Quando assim tentam fazer com suas capacidades mentais limitadas, elas se equivocam a respeito da Verdade como os sete homens cegos e o elefante. Um ouvinte que não realizou a Verdade não pode entender a explicação dada, assim como um homem que é cego de nascença não terá como visualizar a cor do céu.

O Buddha não tentava dar respostas para todas as questões feitas a Ele. Ele não se sentia obrigado a responder questões sem significado que refletiam um mau-entendimento grosseiro da parte do questionador e que, de qualquer forma, não tinham relevância para o desenvolvimento espiritual da pessoa. Ele foi um Mestre prático, cheio de compaixão e sabedoria. Ele sempre falou com as pessoas compreendendo completamente seu temperamento, habilidade e capacidade para compreender. Quando uma pessoa fazia uma pergunta, não com a intenção de aprender como levar uma vida religiosa, mas simplesmente para criar uma oportunidade de discutir, o Bem-Aventurado não respondia. As perguntas eram respondidas para ajudar a pessoa na direção da autorealização, não como um modo de mostrar Sua elevada sabedoria.

Como Responder Perguntas

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De acordo com o Buddha, há várias formas de responder os muitos tipos de perguntas.

O primeiro tipo de questão é aquela que requer uma resposta definitiva, tal como um ‘sim’ ou ‘não’. Por exemplo, a questão: ‘Todas as coisas condicionadas são impermanentes?’, é respondida com um ‘Sim’.

O segundo tipo de questão é aquela que requer uma resposta analítica. Supondo que alguém diga que Angulimala era um assassino antes de se tornar um ‘Arahant’ e, sendo assim, seria possível para qualquer assassino se tornar um Arahant? Essa pergunta deve ser analisada antes de se poder dizer ‘sim’ ou ‘não’. Do contrário, ela não será respondida correta e abrangentemente. Seria preciso analisar quais condições tornam possível para um assassino se tornar um santo em uma vida.

O terceiro tipo de questão é aquela em que é necessário perguntar outra questão para ajudar o questionador a pensar a respeito. Se você pergunta: ‘Porque é errado matar outros seres vivos?’, a pergunta adicional será: ‘Como se sente quando outros tentam matá-lo?’

O quarto tipo de questão é aquela que deveria ser afastada. Isso significa que você não deveria respondê-la. Essas são as questões especulativas por natureza, e qualquer resposta irá somente criar mais confusão. Um exemplo de tal questão é: ‘O universo tem um começo ou não?’ As pessoas podem discutir tal questão por anos sem chegar a uma conclusão. Elas podem somente responder tal questão baseadas em sua imaginação, não no real entendimento.

Algumas respostas dadas pelo Buddha encontram um paralelo no tipo de respostas dadas na ciência nuclear. De acordo com Robert Oppenheimer: “Se perguntamos, por exemplo, se a posição do elétron permanece a mesma, devemos dizer ‘não’; se perguntamos se ele está estático, devemos dizer ‘não’; se perguntamos se está em movimento, devemos dizer ‘não’”. O Buddha ofereceu tais respostas quando interrogado sobre as condições do ‘self’ do homem após sua morte; mas essas não eram respostas comuns de acordo com a tradição da ciência do século dezessete e dezoito.

É importante notar, entretanto, que o Buddha respondeu a algumas dessas questões a Seus discípulos mais intelectualmente desenvolvidos após o inquiridor original ter ido embora. E em muitos casos, Suas explicações estão contidas em outros discursos, o que nos mostra que tais questões não foram respondidas pelo Buddha meramente para satisfazer a mente curiosa, porém, não desenvolvida dos inquiridores.

A Atitude do Buddha diante do Conhecimento Mundano

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O conhecimento mundano nunca pode ajudar alguém a levar uma pura vida religiosa para obter a paz e a emancipação

O conhecimento mundano é útil para fins mundanos. Com tal conhecimento, a humanidade aprende como usar dos recursos da terra para melhorar o padrão de vida, produzir mais alimento, gerar energia para as fábricas e iluminar as ruas e casas, administrar fábricas e comércio, curar doenças, construir apartamentos e pontes, cozinhar pratos exóticos e assim por diante. O conhecimento mundano pode também ser útil para fins danosos como a construção de mísseis com bombas nucleares, manipulação da bolsa de valores, trapacear ‘legalmente’ e inflamar a ansiedade e ódio políticos. Apesar da rápida expansão do conhecimento mundano, especialmente no século XX, a humanidade não chegou perto da solução dos problemas humanos e da erradicação da abrangente insatisfatoriedade. Com toda a probabilidade, ele nunca solucionará os problemas universais da humanidade, trazendo paz e felicidade, por causa das premissas sobre as quais tal conhecimento, descobertas e invenções são construídas.

Enquanto que o Buddhismo pode trazer um entendimento maior sobre como levar uma boa vida mundana, seu principal foco é como conseguir a libertação por meio do desenvolvimento da sabedoria, cultura mental e pureza. Para os seres humanos comuns, não há fim na procura pelo conhecimento mundano, o qual, no final das contas, não importa realmente. Tanto quanto formos ignorantes sobre o Dhamma, estaremos sempre presos no Samsara, o ciclo repetido de nascimento e morte. De acordo com o Buddha:

“Por um longo tempo, Irmãos, vocês têm sofrido a morte de uma mãe; por um longo tempo, a morte de um pai; por um longo tempo, a morte de um filho; por um longo tempo, a morte de uma filha; por um longo tempo, a morte de irmãos e irmãs; por um longo tempo vocês têm sofrido a perda de seus bens; por um longo tempo, vocês têm sido aflitos pela doença. E porque por um longo tempo têm sofrido a morte de uma mãe, a morte de um pai, a morte de um filho, a morte de uma filha, a morte de irmãos e irmãs, a perda de seus bens, as dores da doença e a companhia indesejada, realmente derramaram mais lágrimas nessa longa jornada – do nascimento para a morte, da morte para o nascimento – que todas as águas presentes nos quatro grandes mares” (Anguttara Nikaya).

Aqui o Buddha descrevia o Sofrimento dos contínuos nascimentos e mortes no mundo. Ele queria mostras às pessoas o Caminho para fora de todos esses Sofrimentos.

Por que o Buddha falou dessa maneira a Seus discípulos? E por que Ele não fez uma tentativa para solucionar os problemas de se o mundo é eterno ou não, se é finito ou não? Tais problemas podem ser excitantes e estimulantes para aqueles que são curiosos. Mas de forma alguma as respostas a tais problemas ajudam uma pessoa a superar o Sofrimento. Foi esse o motivo para Ele ignorar essas perguntas, pois eram fúteis e o conhecimento de tais coisas não contribuiria para o bem-estar de alguém.

O Buddha sabia que falar sobre coisas que não tinham valor prático e que estavam além do poder de compreensão, era uma perda de tempo e energia. Ele previu que afirmar hipóteses sobre tais coisas somente serviria para distrair os pensamentos de seu canal apropriado e impedir o desenvolvimento espiritual.

O conhecimento mundano e a pesquisa científica deveriam ser complementados e equilibrados por valores religiosos e espirituais. Do contrário, tal conhecimento mundano não contribui de nenhuma forma ao progresso de alguém em levar uma vida pura e religiosa. Os seres humanos chegaram num estágio em que suas mentes, alimentadas por instrumentos e frutos dos avanços tecnológicos, se tornaram obcecadas pelo egoísmo, desejo pelo poder e cobiça pela riqueza material. Sem os valores religiosos, o conhecimento mundano e os avanços tecnológicos podem levá-los à queda e destruição. Tais coisas apenas irão inflamar sua cobiça, a qual assumirá novas e terríveis dimensões. Por outro lado, quando o conhecimento mundano está ligado a fins morais, ele pode trazer o máximo de benefício e felicidade para a humanidade.