Capítulo 15

Por que não há paz?

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O homem se esqueceu de que tem um coração. Ele se esquece de que se ele trata o mundo gentilmente, o mundo irá tratá-lo gentilmente em retorno.

Vivemos num mundo de contradições realmente impressionantes. Por um lado, as pessoas têm medo da guerra; e, por outro, elas se preparam para a com frenesi. Elas produzem em abundância, mas distribuem com avareza. O mundo se torna mais e mais populoso, mas o homem se torna cada vez mais isolado e solitário. Os homens vivem perto uns dos outros como em uma grande família, mas cada indivíduo se encontra, mais do que nunca, separado do seu vizinho. A carência de entendimento mútuo e sinceridade são impressionantes. Um homem não pode confiar num outro, por mais que aquele seja bom.

Quando as Nações Unidas surgiu, após os horrores da Segunda Guerra Mundial, os dirigentes das Nações se reuniram para assinar a carta de intenções que deveria começar com o seguinte preâmbulo: “Desde que é na mente dos homens que a guerra se inicia, é na mente dos homens que a fortificação da paz deve ser erigida”. Este mesmo sentimento é ecoado no primeiro verso do Dhammapada que declara: “Todos os estados (mentais) tem a mente como precursor, a mente é seu chefe, e são produzidos pela mente. Se uma pessoa fala ou age, com uma mente impura, o sofrimento o segue como a roda segue a pata do boi que puxa a carroça”.

A crença de que a única maneira de combater a força é aplicando mais força tem levado à corrida armamentista entre os grandes poderes. E essa competição para aumentar as armas de guerra tem levado a humanidade à beira da total auto-destruição. Se não fizermos nada sobre isso, a próxima guerra será o fim do mundo, onde não haverá nem vitoriosos nem vítimas – somente corpos mortos.

O ódio não cessa pelo ódio; somente pelo amor ele cessa”. Tal é o conselho do Buddha àqueles que pregam a doutrina do antagonismo e da má-vontade, e que colocam os homens em guerra e rebelião uns contra os outros. Muitas pessoas dizem que o conselho do Buddha de devolver o mal com o bem é impraticável. De fato, é o único método correto para resolver qualquer problema. Esse método foi introduzido pelo grande Mestre a partir de Sua própria experiência. Porque somos orgulhosos e egoístas, relutamos em devolver o mal com o bem, pensando que o público irá nos considerar pessoas covardes. Algumas pessoas até mesmo pensam que a bondade e a gentileza são atitudes afeminadas; não coisas de ‘macho’! Mas qual prejuízo existe se pudermos resolver nossos problemas, trazendo a paz e a felicidade, pela adoção desse método educado e pelo sacrifício de nosso perigoso orgulho?

A tolerância deve ser praticada se quisermos que a paz chegue nessa terra. A força e a compulsão somente criarão a intolerância. Para estabelecer a paz e a harmonia na humanidade, cada um de nós deve primeiro aprender a praticar os caminhos que levam à extinção do ódio, cobiça e confusão, as raízes de todas as forças maléficas. Se a humanidade puder erradicar essas forças maléficas, a tolerância e a paz chegarão para esse mundo atribulado.

Nos dias de hoje, os seguidores do compassivo Buddha têm uma obrigação especial de trabalhar para o estabelecimento da paz no mundo, e mostrar um exemplo para outros, seguindo o conselho do Mestre: “Todos tremem com a punição, todos temem a morte; comparando-se com os outros, uma pessoa não deve matar nem causar a morte”. (Dhammapada 129).

A paz é sempre alcançável. Mas o caminho para a paz não é somente através das orações e rituais. A paz é o resultado da harmonia do homem com seus companheiros e com seu meio ambiente. A paz que tentamos introduzir pela força não é uma paz duradoura. É um intervalo entre o conflito do desejo egoísta e as condições mundanas.

A paz não pode existir nessa terra sem a prática da tolerância. Para ser tolerante, não podemos permitir que a raiva e a inveja prevaleçam em nossa mente. O Buddha disse: “Nenhum inimigo pode prejudicar tanto quanto nossos próprios pensamentos de desejo, ódio e inveja”. (Dhammapada 42)

O Buddhismo é uma religião de tolerância porque prega a vida da auto-restrição. O Buddhismo ensina uma vida baseada, não em regras, mas em princípios. O Buddhismo nunca perseguiu ou maltratou aqueles cujas crenças eram diferentes. O Ensinamento é tal que não é necessário para ninguém se rotular como buddhista a fim de praticar os Nobres Princípios dessa religião.

O mundo é como um espelho e se você se olha no espelho com um rosto sorridente, poderá ver sua própria face, bela e sorridente. Por outro lado, se você olha com uma face triste, verá invariavelmente a feiúra. Similarmente, se você tratar o mundo amorosamente, o mundo irá tratá-lo com certeza também amorosamente. Aprenda a ser pacífico consigo mesmo e o mundo será também pacífico com você.

A mente do homem é dada a tanto auto-engano que ele não quer admitir suas próprias fraquezas. Tentar encontrar desculpas para justificar suas ações e criar uma ilusão de que não tem qualquer culpa. Se um homem quiser ser realmente ser livre, ele deve ter a coragem de admitir sua própria fraqueza. O Buddha disse: “Facilmente vemos as falhas dos outros; mas difícil é ver suas próprias falhas”.

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Podemos Justificar a Guerra?

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A diferença entre uma briga de cachorro e uma guerra entre dois grupos de pessoas está somente em sua organização.

A história da humanidade é uma manifestação contínua da cobiça, do ódio, do orgulho, da inveja, do egoísmo e da ilusão do homem. Durante os últimos 3000 anos, os homens lutaram 15000 grandes guerras. Isso é uma característica do homem? Qual é seu destino? Como os homens podem se destruir uns aos outros?

Embora os homens tenham descoberto e inventado muitas coisas importantes, eles também fizeram grandes avanços em termos da destruição de sua própria raça. É assim que muitas civilizações humanas foram erradicadas da terra. O homem moderno se tornou tão sofisticado na sua arte e técnicas de guerra que agora é possível para ele transformar toda a humanidade em cinzas, em poucos segundos. O mundo se tornou um armazém para material militar como um resultado do joguinho chamado ´Superioridade Militar´.

Dizem que está sendo planejado um protótipo de uma arma nuclear mais poderosa do que a bomba atômica que foi jogada em Hiroshima, no Japão, em agosto de 1945. Os cientistas acreditam que algumas centenas de armas termo-nucleares marcarão o curso da destruição universal. Vejam o que estamos fazendo com a nossa raça humana! Pensem que tipo de desenvolvimento científico é esse! Vejam quão tolo e egoísta o homem é!

O homem não deve se submeter aos seus instintos agressivos. O homem deve se segurar nos ensinamentos éticos dos mestres religiosos e demonstrar a justiça com a moralidade, a fim de fazer a paz prevalecer.

Tratados, pactos e fórmulas para a paz têm sido adotadas; e milhões de palavras têm sido faladas por incontáveis líderes mundiais por todo mundo, os quais proclamam terem encontrado o caminho para manter e promover a paz na terra. Mas apesar de seus esforços, eles não tiveram êxito em remover a ameaça para a humanidade. A razão é que todos nós falhamos em educar nossos jovens a fim de verdadeiramente entender e respeitar a necessidade do serviço altruísta e o perigo do egoísmo. Para garantir a verdadeira paz, devemos usar todos os métodos disponíveis para educar nossos jovens a praticar o amor, a boa-vontade e a tolerância em relação aos outros.

Atitude Buddhista diante da Agressão

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Um buddhista não deve ser o agressor mesmo para proteger sua religião ou qualquer outra coisa.

Ele deve fazer seu melhor para evitar qualquer tipo de ato violento. Algumas vezes ele pode ser forçado a ir para a guerra por outros que não respeitam o conceito de irmandade do homem, tal como ensinado pelo Buddha. Ele pode ser chamado para defender seus companheiros de uma agressão, e tanto quanto não tiver renunciado a vida mundana, ele é preso ao dever de se juntar na luta pela paz e liberdade. Sob essas circunstâncias, ele não pode ser culpado por sua ação de se tornar um soldado ou se envolver na defesa. Entretanto, se cada pessoa fosse seguir o conselho do Buddha, não haveria razão para a guerra acontecer nesse mundo. É o dever de todo homem educado descobrir todas as maneiras e meios possíveis para resolver as disputas de uma maneira pacífica, sem declarar uma guerra para matar seus companheiros humanos. O Buddha não ensinou Seus seguidores a se render a nenhuma forma de poder maléfico – seja homem ou ser sobrenatural.

De fato, com a razão e a ciência, o homem poderia conquistar a natureza, mas, ainda assim, ele nem mesmo tornou segura sua própria vida. Por que a vida está em perigo? Enquanto devotado à razão e regido pela ciência, o homem se esqueceu de que tem um coração que tem sido negligenciado e deixado fraco e poluído pelas paixões.

Se não somos capazes de tornar seguras nossas próprias vidas, então como pode a paz mundial ser possível? Para obter a paz, devemos treinar nossas mentes para encarar os fatos. Devemos ser objetivos e humildes. Precisamos compreender que nenhuma pessoa ou nação está sempre errada. Para obter a paz, precisamos também compartilhar a riqueza da terra, não necessariamente com igualdade, mas pelo menos com justiça. Nunca poderá haver absoluta igualdade, mas certamente pode haver um maior nível de justiça.

É simplesmente inconcebível que 5% da população mundial desfrute de 15% de sua riqueza; ou que 25% do mundo esteja razoavelmente bem alimentado e alguns superalimentados, enquanto 75% do mundo está sempre faminto. A paz somente virá quando as nações estiverem dispostas a dividir e dividir eqüitativamente, o rico ajudando o pobre e o forte ajudando o fraco, criando assim a boa-vontade internacional. Somente se e quando essas condições forem satisfeitas, poderemos imaginar um mundo sem desculpa para a guerra.

A loucura da corrida armamentista precisa parar! Precisamos tentar construir escolas ao invés de cruzadores, hospitais ao invés de armas nucleares. A quantidade de dinheiro e de vidas humanas que os vários governos gastam no campo de batalha deveria ser usada para incentivar a economia em elevar o nível de vida.

O mundo não pode ter paz até que os homens e as nações renunciem aos desejos egoístas, abandonem a arrogância racial, e erradiquem a paixão egoísta por posses e poder. A riqueza não pode assegurar a felicidade. Somente a religião pode efetuar as necessárias mudanças do coração e trazer o único verdadeiro desarmamento – que é o da mente.

Todas as religiões ensinam as pessoas a não matar; mas, infelizmente, esse importante preceito é convenientemente ignorado. Hoje, com os armamentos modernos, o homem pode matar milhões em um segundo, ou seja, mais do que as tribos primitivas fizeram em um século.

Muito infelizmente algumas pessoas de certos países trazem rótulos religiosos, slogans e bandeiras para os campos de batalha. Eles não entendem que estão desonrando o bom nome da religião.

“De fato, monges”, disse o Buddha, “devido ao desejo sensorial, reis lutam com reis, príncipes com príncipes, sacerdotes com sacerdotes, cidadãos com cidadãos, a mãe briga com o filho, o filho briga com o pai, irmão com irmão, irmão com a irmã, irmã com o irmão, amigo com amigo” (Majjihima Nikāya).

Podemos felizmente dizer que pelos últimos 2500 anos nunca houve uma discórdia séria ou um conflito criado por buddhistas que tivesse levado à guerra em nome dessa religião. Esse é um resultado do caráter dinâmico do conceito de tolerância contido no ensinamento do Buddha.

Um buddhista pode se juntar ao Exército?

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Você pode ser um soldado da Verdade, mas não o agressor.

Um dia, Sinha, o general do exército, foi até o Buddha e disse: “Sou um soldado, ó Abençoado. Fui designado pelo Rei para fazer cumprir suas leis e travar suas batalhas. O Buddha ensina o amor infinito, a bondade e a compaixão para todos os que sofrem: O Buddha permite a punição do criminoso? E também, o Buddha declara que é errado ir à guerra para a proteção de nossas casas, nossas esposas, nossos filhos e nossas propriedades? O Buddha ensina a doutrina da completa rendição? Devo sofrer com o ato do homem mau em fazer o que lhe agrada e render-me passivamente a ele que ameaça tomar pela violência o que é meu? O Buddha sustenta que toda luta, incluindo a guerra travada por uma causa justa, deva ser proibida?

O Buddha respondeu: “Aquele que merece punição deve ser punido. E aquele que é merecedor de favores deve ser favorecido. Não machuque nenhum ser vivo, mas seja justo, cheio de amor e bondade”. Tais injunções não são contraditórias porque a pessoa que é punida por seus crimes sofrerá os danos não através da má-vontade do juiz, mas através do próprio ato maléfico. Suas próprias ações trazem os danos impostos pelo executor da lei. Quando um juiz pune, ele não deve abrigar o ódio em seu coração. Quando um assassino é sentenciado à morte, ele deve perceber que sua punição é o resultado de sua própria ação. Com esse entendimento, ele não mais lamentará seu destino, mas terá sua mente consolada. E o Abençoado continuou: “O Buddha ensina que toda guerra na qual o homem tenta matar seus irmãos é lamentável. Mas ele não ensina que aqueles envolvidos numa guerra para manter a paz e a ordem, após ter exaurido todos os meios de evitar o conflito, são censuráveis”.

A luta precisa existir, porque toda a vida é, de alguma forma, um luta. Mas certifique-se de que a luta não seja pelo interesse próprio contra a verdade e a justiça. Ele que luta devido ao interesse próprio a fim de tornar-se grande, poderoso, rico ou famoso, não terá recompensa. Mas aquele que luta pela paz e pela verdade terá grande recompensa: mesmo sua derrota será julgada como uma vitória”.

Se uma pessoa vai para uma batalha mesmo por uma causa correta, então, Sinha, ele precisa estar preparado para ser morto pelo seu inimigo porque a morte é o destino dos guerreiros. E se seu destino chegar a ele, ele não terá razão para reclamações. Mas se ele é vitorioso seu sucesso pode ser considerado como grande; mas não importa quão grande seja, a roda da fortuna poderá girar novamente e levar sua vida de volta pra o pó. Entretanto, se ele cultivar a moderação e extinguir todo o ódio em seu coração, se ele estender a mão ao seu adversário, levantá-lo e dizer a ele: “Venha agora, façamos a paz e sejamos irmãos”, então ele obterá uma vitória que não é um sucesso passageiro; porque os frutos de tal vitória permanecerão para sempre”.

Grande é um general bem sucedido, Sinha, mas aquele que conquista a si próprio é o maior vitorioso. Este ensinamento da conquista de si próprio, Sinha, não é ensinado para destruir as vidas de outros seres, mas para protegê-las. A pessoa que conquistou a si mesma está mais apta para viver, ser bem sucedida e obter vitórias do que uma pessoa que é escrava de si mesma. A pessoa cuja mente é livre da ilusão do ‘eu’, permanecerá de pé e não cairá na batalha da vida. Aquele cujas intenções são corretas e justas, não encontrará fracassos. Ele terá sucesso em seu empreendimento e seu sucesso durará. Quem abriga o amor à verdade em seu coração viverá e não sofrerá, porque bebeu da água da imortalidade. Então lute corajosa e sabiamente. Serás, então, um soldado da Verdade”.

Não há justiça na guerra ou na violência. Quando declaramos guerra, nós a justificamos; quando outros declaram a guerra, dizemos, que é injusta. Então quem pode justificar a guerra? O homem não deveria seguir as leis da selva a fim de superar os problemas humanos.

Morte por Misericórdia

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Misericórdia e morte nunca podem andar juntas

De acordo com o Buddhismo a morte por misericórdia não pode ser justificada. Misericórdia e morte não podem andar juntas. Algumas pessoas matam seus animais de estimação justificando o fato por não gostarem de ver os animais sofrendo. Entretanto, se a morte por misericórdia é o método correto a ser praticado nos animais de estimação e nos outros animais, então porque as pessoas são tão relutantes em fazer o mesmo com seus entes queridos?

Quando algumas pessoas vêem seus cachorros ou gatos sofrerem de alguma doença de pele, elas preparam a morte desses pobres animais. Chamam esse ato de morte por misericórdia. Na verdade, não é que tenham misericórdia por esses animais, mas os matam para sua própria precaução e para se livrarem de uma visão terrível. E mesmo se têm realmente misericórdia em relação ao animal sofredor, ainda assim não têm o direito de tirar sua vida. Não importa quão sincero se possa ser, matar por misericórdia não é a abordagem correta. As conseqüências dessa morte, entretanto, são diferentes daquelas provenientes da morte por ódio ao animal. Os buddhistas não têm motivo para dizerem que qualquer tipo de morte é justificada.

Algumas pessoas tentam justificar a morte por misericórdia com o entendimento errado de que se o motivo ou razão é bom, então o ato em si é bom. Proclamam, então, que matando seus animais de estimação, elas têm a intenção de evitar o sofrimento do infeliz animal; sendo, assim, uma ação boa. Sem dúvida sua intenção ou motivo original são bons. Mas o ato maléfico de matar que ocorre num pensamento subseqüente, certamente trará resultados inapropriados.

Manter-se afastados da morte por misericórdia pode ser um aborrecimento para muitos. Ainda assim, a religião buddhista não podem justificar a morte por misericórdia como algo completamente livre de uma reação maléfica. Entretanto, matar por necessidade e sem nenhum ódio ou raiva possui menos reação ruim do que matar com intenção de ódio ou ciúme.

Por outro lado, um ser (homem ou animal) pode sofrer devido ao seu próprio mau kamma. Se pela morte por misericórdia, impedimos a ação de seu mau kamma, o débito deverá ser pago em outra existência. Como buddhistas, tudo o que podemos fazer é ajudar na redução da dor do sofrimento nos outros.

Matar para se defender

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O Buddha aconselhou a todos a se abster de matar. Se todos aceitarem esse conselho, os seres humanos não se matarão uns aos outros. Quando a vida de alguém está ameaçada, o Buddha diz que mesmo assim não será aconselhável matar para se defender. A arma para a auto-proteção é a amizade amorosa. Quem pratica essa bondade raramente cruza com o infortúnio. Entretanto, o homem ama tanto sua vida que não está preparado para se render aos outros; na prática de fato, a maioria das pessoas lutará para se defender. Isto é natural e cada ser humano luta e mata os outros para sua auto-proteção, mas o efeito kâmmico dependerá de sua atitude mental. Durante a luta para se proteger, se acontecer de matar seu oponente, embora sem a intenção de matar, a pessoa, então, não será responsável por tal ação. Por outro lado, se matar uma pessoa sob quaisquer circunstâncias, com a intenção de matar, então ela não estará livre da reação kâmmica; ela terá que enfrentar as conseqüências. Devemos nos lembrar que matar é matar; quando desaprovamos, chamamos de ‘assassinato’. Quando punimos um homem pelo assassinato, chamamos de ‘punição capital’. Se nossos próprios soldados são mortos por um ‘inimigo’, chamamos de ‘carnificina’. Entretanto, se aprovamos o matar, chamamos de ‘guerra’. Mas se removemos o conteúdo emocional dessas palavras, poderemos entender que matar é matar.

Em anos recentes muitos cientistas e alguns religiosos têm usado expressões como ‘matar humano’, ‘morte misericordiosa’, ‘morte gentil’ e ‘morte sem dor’ para justificar o por um fim à vida. Eles argumentam que se a vítima não sente dor e se a faca estiver afiada, matar é justificável. O Buddhismo nunca poderá aceitar tais argumentos, pois não é como a matança ocorre que é importante, mas o fato de que a vida de um ser é terminada por um outro. Ninguém tem qualquer direito de fazer isso por qualquer que seja a razão.