Capítulo 09

Porque tomamos Refúgio no Buddha – 1

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Os buddhistas tomam refúgio no Buddha para se inspirar e conseguir uma compreensão correta para sua autopurificação e afirmar sua confiança no Buddha ou se lembrar do Buddha em suas mentes.

Os buddhistas não tomam refúgio no Buddha com a crença de que Ele é um Deus ou filho de Deus. O Buddha nunca clamou para si qualquer divindade. Ele era o Iluminado, o mais Compassivo, Sábio e Santo que já viveu neste mundo. Dessa forma, as pessoas tomam refúgio no Buddha como um Professor ou Mestre que mostrou o verdadeiro caminho para a emancipação. Elas prestam homenagem a Ele a fim de mostrar sua gratidão e respeito, mas não pedem por favores materiais. Os buddhistas não oram para o Buddha pensando que Ele é um deus que irá recompensá-los ou puni-los. Eles recitam versos ou alguns sutras não no sentido de súplica, mas como uma forma de se lembrar de Suas grandes virtudes e boas qualidades e, assim, ter mais inspiração e orientação para eles mesmos e para desenvolver a confiança em seguir Seus Ensinamentos. Há críticos que condenam essa atitude em tomar refúgio no Buddha. Eles não entendem o verdadeiro significado do conceito de tomar refúgio e prestar homenagem a um grande Professor religioso. Eles aprenderam somente sobre o rezar, que é a única coisa que algumas pessoas fazem em nome da religião. Quando os buddhistas buscam refúgio isso significa que aceitam Buddha, Dhamma e Sangha como os meios através dos quais podem erradicar todas as causas de seu medo e outras perturbações mentais. Muitas pessoas, especialmente as que nutrem crenças animistas, buscam proteção em certos objetos à volta delas e que acreditam estarem habitados por espíritos. Os buddhistas entretanto sabem que a única proteção que podem ter é por meio de um completo entendimento de suas próprias naturezas, erradicando seus instintos mais baixos. A fim de assim fazê-lo, eles colocam sua confiança nos ensinamentos do Buddha e em Seu Caminho, pois esse é o único modo para uma verdadeira Emancipação e liberdade em relação ao sofrimento.

Porque tomamos Refúgio no Buddha – 2

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O Buddha advertiu contra a futilidade em tomar refúgio em montanhas, florestas, matas, árvores e santuários quando as pessoas são tomadas pelo medo. Nenhum desses refúgios é seguro, nenhum desses refúgios é Supremo. Não é confiando em tais refúgios que alguém se torna livre de toda dificuldade. Aquele que toma refúgio no Buddha, Dhamma e Sangha vê com correto conhecimento as Quatro Nobres Verdades – o sofrimento, a causa do sofrimento, a transcendência em relação ao sofrimento e o Nobre Caminho Óctuplo que leva à cessação do sofrimento. Esse de fato é um refúgio seguro. É buscando tal refúgio que alguém se liberta de todo sofrimento (Dhammapada 188-192).

No Dhajagga Sutta é mencionado que tomando refúgio em Sakra, o rei dos deuses, ou em qualquer deus, tais seguidores não seriam livres de todos os problemas e medos mundanos. A razão para isso é de que os próprios deuses não são livres da paixão, do ódio, da ilusão e do medo, enquanto que Buddha, Dhamma e Sangha estão livres de tais coisas. Somente aqueles que estão livres da insatisfatoriedade podem mostrar o caminho para a felicidade derradeira.

Francis Story, um erudito ocidental buddhista, dá sua visão sobre a tomada de refúgio no Buddha. ‘Eu vou ao Buddha como refúgio. Busco a presença do Exaltado Mestre por cuja compaixão eu possa ser guiado através das torrentes do samsara, por cujo sereno comportamento eu possa ser elevado distante do lamaçal dos pensamentos e desejos mundanos, na certeza da Paz Nibbânica, a qual Ele mesmo atingiu. No pesar e na dor volto-me a Ele e em minha felicidade busco Seu tranquilo olhar. Deposito diante de Sua imagem não apenas flores e incenso, mas também o fogo que queima em meu coração agitado, que ele possa ser arrefecido e aquietado. Abandono o fardo de meu orgulho e de meu egoísmo, o fardo pesado de minhas preocupações e aspirações, o cansativo peso deste incessante nascer e morrer’.

Sri Rama Chandra Bharati, um poeta indiano, dá uma outra razão significativa para se tomar refúgio no Buddha: ‘Não busco vosso refúgio para o ganho, nem pelo temor, nem pelo amor à fama, nem por serdes da raça solar, nem para conquistar vasto conhecimento. Mas atraído pelo poder de vosso amor sem fronteiras e vossa visão toda abrangente, o vasto oceano do samsara a salvo para cruzar, eu me curvo, ó Senhor, e torno-me vosso devoto’.

Porque tomamos Refúgio no Buddha – 3

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Algumas pessoas dizem que uma vez que o Buddha foi somente um homem, não há sentido em tomar refúgio Nele. Mas elas não sabem que, apesar de o Buddha ter dito claramente ter sido um homem, Ele não era um homem comum como qualquer um de nós. Ele foi uma pessoa santa extraordinária que possuía a Suprema Iluminação e grande compaixão em relação a todos os seres vivos. Foi um homem livre de todas as fraquezas e impurezas humanas, até mesmo das emoções humanas ordinárias. É dito sobre ele: ‘Não há ninguém tão sem deus quanto o Buddha e nem tão parecido com deus’. No Buddha estão corporificadas todas as virtudes, santidade, sabedoria e iluminação.

Uma outra pergunta que as pessoas levantam freqüentemente é: ‘Se o Buddha não é um deus, se Ele não vive mais neste mundo, como Ele abençoa as pessoas?’ De acordo com o Buddha, se as pessoas seguem Seu conselho de levar uma vida religiosa, elas certamente receberão bênçãos. Bênção num sentido buddhista significa a alegria experienciada quando desenvolvemos confiança e satisfação. Uma vez o Buddha disse: ‘Se qualquer um desejar me ver, deverá olhar para Meus Ensinamentos e praticá-los’ (Samyutta Nikaya). Aqueles que compreendem Seus Ensinamentos facilmente verão a real natureza do Buddha refletida neles mesmos. A imagem do Buddha que eles mantêm em suas mentes é mais real do que a imagem que vêem no altar, a qual é meramente uma representação simbólica. ‘Aqueles que vivem de acordo com o Dhamma (correto modo de vida) serão protegidos por esse mesmo Dhamma’ (Theragatha). Quem conhece a verdadeira natureza da existência e os fatos da vida por meio do Dhamma não terá qualquer temor e assegurará um modo harmonioso de vida.

Porque tomamos Refúgio no Buddha – 4

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Em outras religiões, as pessoas adoram seu Deus pedindo por favores a serem concedidos a eles. Os buddhistas não adoram o Buddha pedindo por favores mundanos, mas eles O respeitam por Sua suprema conquista. Quando os buddhistas respeitam o Buddha, eles estão indiretamente elevando suas próprias mentes para que um dia possam também conquistar a mesma iluminação para servir a humanidade se aspirarem a se tornar um Buddha. Uma vez que o Buddha foi um ser humano, Suas experiências e conquistas estão ao alcance de todos os mortais. Os ensinamentos do Buddha são para todos nós e, certamente, não estão além de nossas capacidades enquanto mortais comuns.

Os buddhistas respeitam o Buddha como seu mestre. Entretanto, esse respeito não implica num apego ou numa dependência em relação ao Mestre. Esse tipo de respeito está de acordo com Seu Ensinamento como se segue:

‘Monges, mesmo que um monge segurasse a ponta de Meu manto externo e andasse bem perto de mim, passo a passo, ainda assim, se fosse cheio de paixões, fortemente apegado aos prazeres dos sentidos, malevolente no pensamento, de mente e propósitos corruptos, de vigilância confusa, sem atenção e não contemplativo, disperso na mente, com faculdades sensoriais descontroladas, então, ele estaria distante de Mim e Eu distante dele’.

‘Monges, mesmo que um monge vivesse cem milhas distante, mas ainda assim, se não fosse cheio de paixões, não fortemente apegado aos prazeres dos sentidos, não malevolente no pensamento, sem a mente e propósitos corruptos, de vigilância firmemente estabelecida, atento, contemplativo, seus pensamentos bem focados, controlado quanto as suas faculdades sensoriais, então, ele estaria perto de Mim e Eu perto dele’ (Samyutta Nikaya).

Nenhuma submissão

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A dependência em relação aos outros significa uma submissão do próprio esforço e da autoconfiança

O Buddhismo é uma religião gentil onde igualdade, justiça e paz reinam supremas. Depender de outros para a salvação é negativo, mas depender de si mesmo é positivo. Dependência em relação aos outros significa um abandono da própria inteligência e esforços.

Tudo que melhorou e levantou a humanidade foi feito pelos próprios seres humanos. Sua melhoria deve vir de seu próprio conhecimento, compreensão, esforço e experiência; e não do céu. Os homens não deveriam ser escravos mesmo das grandes forças da natureza, pois mesmo que elas possam esmagá-los, eles permanecem superiores em razão de seu entendimento. O Buddhismo leva a Verdade mais além: ele mostra que por meio da compreensão, as pessoas podem também controlar seu ambiente e circunstâncias. Eles podem cessar de serem esmagados por elas e usar seu poder para se elevar a grandes alturas de espiritualidade e nobreza.

O Buddhismo dá o devido crédito à inteligência e ao esforço humanos em suas conquistas, sem depender de seres sobrenaturais. A verdadeira religião deveria significar fé na bondade do homem ao invés da fé em forças desconhecidas. A esse respeito, o Buddhismo não é meramente uma religião, mas um método nobre para a obtenção da paz e da eterna salvação através de um viver respeitável. Desde o início, o Buddhismo apela para as mentes cultas e inteligentes. Toda pessoa culta neste mundo de hoje respeita o Buddha como um professor racional.

O Buddha ensinou que para sermos felizes não precisamos de uma religião com uma massa de dogmas e teorias, mas precisamos de conhecimento – conhecimento das forças cósmicas e seu relacionamento com as leis de causa e efeito. Até que o princípio de que a vida é meramente uma manifestação imperfeita da natureza seja completamente entendido, nenhum homem pode se emancipar de forma plena.

O Buddha deu uma nova explicação do universo. É uma nova visão da eterna felicidade, a aquisição da perfeição. Conquistar o objetivo humano no Buddhismo é chegar no estado permanente além da impermanência, o atingimento do Nirvana além de todos os mundos da mudança e a total libertação das misérias da existência.

Sem pecadores – 1

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No Buddhismo, más ações são meramente denominadas não-habilidosas ou insalubres, não pecaminosas

Buddhistas não consideram os humanos como sendo pecadores por natureza ou ‘em rebelião contra deus’. Cada ser humano é uma pessoa de grande valor que tem dentro dele ou dela um vasto depósito de bondade assim como de maus hábitos. O bem numa pessoa está sempre esperando por uma adequada oportunidade para florescer e amadurecer. Lembrem-se do ditado: ‘Há tanto que é bom no pior de nós, e tanto que é mau no melhor de nós’.

O Buddhismo ensina que todos são responsáveis por suas próprias ações boas e más. Diz o Buddha: ‘Essas ações maléficas foram feitas somente por você, não pelos seus pais, amigos ou parentes; e você mesmo irá colher os resultados dolorosos’ (Dhammapada 165).

Nosso pesar é nossa própria criação e não nos foi transmitido por uma maldição familiar ou por um pecado original de um ancestral mítico primitivo. Os buddhistas não aceitam a crença de que esse mundo é meramente um lugar de julgamento e teste. Este mundo pode ser tornado um lugar onde podemos atingir a mais alta perfeição. E perfeição é sinônimo de felicidade. Para o Buddha, os seres humanos não são um experimento vivo criado por alguém e que pode ser abandonado quando não mais desejado. Se um pecado pode ser perdoado, as pessoas poderiam tirar vantagem e cometer mais e mais pecados. Os buddhistas não têm motivo para acreditar que o pecador pode escapar das consequências de suas ações através da graça de um poder externo. Se enfiarmos a mão em um forno, a mão se queimará e todas as orações do mundo não removeriam as cicatrizes. O mesmo ocorre com a pessoa que anda sobre o fogo das ações maléficas. Isso não significa dizer que cada ação errônea automaticamente será seguida por uma reação previsível. As ações maléficas são estimuladas por maléficos estados da mente. Se alguém purifica a mente, então os efeitos das ações prévias podem ser reduzidos ou totalmente erradicados. A abordagem do Buddha para os problemas do sofrimento não é algo imaginário, especulativo ou metafísico, mas essencialmente empírico e imparcial.

De acordo com o Buddhismo, não há tal coisa como ‘pecado’, tal como explicado por outras religiões. Em tais religiões, o pecado é uma transgressão de uma lei disposta por um juiz Divino. Para os buddhistas, pecado é uma ação não-habilidosa ou insalubre – akusala kamma que cria papa – a queda das pessoas. O homem mau é alguém ignorante que necessita instrução ao invés de punição e condenação. Ele não é considerado como tendo violado a vontade de deus ou como uma pessoa que deve implorar pela misericórdia e perdão divinos. O que é preciso é somente orientação para a iluminação.

Tudo o que é necessário é alguém ajudá-lo a usar sua razão para perceber que ele é responsável por suas ações erradas e que ele deve pagar pelas consequências. Dessa forma, a crença na confissão é estranha ao Buddhismo, embora os buddhistas sejam encorajados a reconhecer suas ações erradas e se lembrar de não repetir seus enganos.

Sem pecadores – 2

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O propósito do aparecimento do Buddha neste mundo não é lavar os pecados cometidos pelos seres humanos nem punir ou destruir as pessoas más, mas fazê-las entender quão tolo é cometer o mal e apontar as consequências de tais ações maléficas. Dessa forma, não há mandamentos no Buddhismo, uma vez que ninguém pode controlar a elevação espiritual de um outro. O Buddha nos encorajou a desenvolver e usar nosso entendimento. Ele nos mostrou o caminho para nossa libertação do sofrimento. Os preceitos que tomamos para observar não são mandamentos: eles são observados voluntariamente. O Ensinamento do Buddha é assim: ‘Preste atenção; escute este conselho e pense sobre ele. Se você pensa que é apropriado praticar Meu conselho, então tente praticá-lo. Você pode ver os resultados através de sua própria experiência’. Não há valor religioso em observar cegamente qualquer mandamento sem convicção e compreensão apropriadas. Entretanto, não devemos aproveitar da liberdade dada pelo Buddha para fazermos o que quer que gostemos. É nossa obrigação nos comportarmos como seres humanos cultos, civilizados e compreensivos, seguindo uma vida religiosa. Se pudermos compreender isso, os mandamentos não serão importantes. Enquanto professor iluminado, o Buddha nos aconselhou a levar uma vida pura sem a imposição de mandamentos ou o uso do medo da punição. Os Cinco Preceitos que o Buddha toma como parte da prática diária não são, assim, mandamentos. São, por definição, regras de treinamento que alguém voluntariamente toma para o desenvolvimento espiritual.

Faça você mesmo

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A autoconfiança tem um papel importante em todos os aspectos de nossas vidas

Sabendo que forças exteriores, crenças ou rituais não podem nos salvar, os buddhistas entendem a necessidade de confiar no próprio esforço. Eles conquistam a confiança através da confiança em si mesmos. Compreendemos que toda a responsabilidade de nossa vida presente tanto quanto da vida futura depende completamente de nós mesmos. Cada qual deve buscar a salvação por si mesmo. Alcançar a salvação pode ser comparado a curar uma doença: se alguém está doente deverá ir a um médico. O médico diagnostica a doença e prescreve um remédio. O remédio deve ser tomado pela própria pessoa. Ela não pode mandar uma outra pessoa tomar o remédio. Ninguém pode ser curado simplesmente admirando o remédio ou apenas elogiando o médico por causa de sua boa prescrição.

Para ser curado, o paciente deve devotadamente seguir as instruções dadas pelo médico com relação ao modo e frequência do tomar o remédio, dieta diária e outras relevantes restrições médicas. Da mesma forma, uma pessoa deve seguir os preceitos, as instruções ou os conselhos dados pelo Buddha (o qual deu as prescrições para a libertação), controlando ou diminuindo a cobiça, ódio e ignorância. Ninguém pode encontrar a salvação simplesmente cantando louvores para o Buddha ou fazendo oferendas a Ele. Nem pode alguém encontrar a salvação celebrando certas ocasiões importantes em homenagem ao Buddha. O Buddhismo não é uma religião onde as pessoas podem atingir a salvação meramente rezando ou pedindo para serem salvas. Elas precisam se esforçar bastante para controlar suas mentes na erradicação dos desejos e emoções egoístas a fim de atingirem a perfeição.

‘Entender a si mesmo é o começo da sabedoria’.

Os seres humanos são responsáveis por tudo

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Quando tentarmos viver como reais seres humanos sem perturbar os outros, poderemos viver pacificamente sem nenhum temor

De acordo com o Buddha, os próprios seres humanos são os construtores de seu destino. Eles não têm ninguém a culpar por seu destino, uma vez que são responsáveis por suas próprias vidas. Eles moldam suas vidas para melhor ou para pior.

O Buddha diz: os humanos criam tudo. Todo nosso pesar, perigos e infortúnios são de nossa própria criação. Surgimos de nenhuma outra fonte que não nossas próprias imperfeições de coração e mente. Somos o resultado de nossas boas e más ações cometidas no passado sob a influência da cobiça e da ilusão. E uma vez que nós mesmos fizemos surgir isto, está dentro de nossa capacidade superar os maus efeitos e cultivar a boa natureza.

A mente humana, como a de um animal, é por vezes governada pelos instintos animais. Mas diferente da mente animal, a mente humana pode ser treinada para valores mais altos. Quando a mente não é cultivada apropriadamente, tal mente não cultivada cria uma grande quantidade de problemas neste mundo. Por vezes o comportamento humano é mais prejudicial e mais perigoso do que o comportamento animal. Os animais não têm problemas religiosos, linguísticos, políticos, sociais, éticos ou étnicos. Eles lutam somente pelo alimento, abrigo e prazer sensual. Mas há milhares de problemas criados pelos seres humanos. Seu comportamento é tal que não são capazes de resolverem nenhum desses problemas sem criar mais problemas. Eles relutam em admitir sua fraqueza e não estão dispostos a assumir suas responsabilidades. Sua atitude é sempre culpar os outros por seus fracassos. Se nos tornarmos mais responsáveis em nossas ações, poderemos manter a paz e a felicidade.

Os seres humanos prendem a si mesmos

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Existe alguma verdade em nossa proposição de que deveríamos ter liberdade para fazer as coisas tal como queremos?

Quando consideramos a liberdade humana, é bastante difícil descobrir se somos realmente livres para fazer qualquer coisa de acordo com nossos próprios desejos. Estamos sujeitos a muitas condições, tanto externas como internas: pedem-nos para obedecer a leis que nos são impostas pelo governo; devemos seguir certos princípios religiosos; pedem-nos para cooperar com as condições morais e sociais da sociedade na qual vivemos; somos compelidos a seguir certos costumes e tradições nacionais e familiares. Na sociedade moderna, vivemos sob grande pressão; espera-se que nos conformemos através da adaptação à maneira moderna de viver. Precisamos cooperar com as leis naturais e as energias cósmicas, porque também somos parte da mesma energia. Estamos sujeitos às condições do tempo e clima da região. Não somente temos que prestar atenção à nossa vida ou aos elementos físicos, mas também temos que trabalhar para controlar nossas próprias emoções. Em outras palavras, não temos liberdade para pensar livremente porque estamos sobrecarregados por novos pensamentos que podem contradizer ou desacreditar nossos pensamentos e convicções anteriores. Ao mesmo tempo, podemos acreditar que temos que obedecer e trabalhar de acordo com a vontade de deus, e não seguir nosso próprio livre arbítrio.

Levando em consideração todas as mutáveis condições acima, às quais estamos sujeitos, podemos perguntar: “Existe alguma verdade em nossa proposição de que deveríamos ter liberdade para fazer as coisas tal como queremos?”.

Por que os seres humanos têm suas mãos tão firmemente atadas? A razão é que há vários maus elementos dentro deles. Tais elementos são perigosos e prejudiciais para todas as criaturas vivas. Pelos últimos milhares de anos, todas religiões têm tentado domar essa atitude não confiável, ensinando à humanidade como viver uma vida nobre. Mas é um infortúnio o fato de que ela ainda não está pronta para ser digna de confiança, ainda que pareça ser boa. Os seres humanos ainda continuam a abrigar todos esses elementos maléficos dentro de si mesmos. Esses elementos maléficos não são introduzidos ou influenciados por fontes externas, mas são criadas por eles próprios. Se essas forças maléficas são fabricadas por eles próprios, então são eles que devem trabalhar duro para se libertar delas após terem reconhecido seu perigo. Infelizmente, a maioria das pessoas é cruel, ardilosa, maliciosa, ingrata, não confiável e inescrupulosa. Se as pessoas pudessem viver de acordo com o próprio livre arbítrio, sem moderação e restrição, iriam certamente violar a paz e a felicidade de pessoas inocentes. Seu comportamento provavelmente seria muito pior do que o de outros seres vivos perigosos. A religião é necessária para treiná-los a levar uma vida respeitável e obter a paz e a felicidade aqui e depois.

Um outro obstáculo que impede a vida religiosa e o progresso espiritual é a arrogância racial. O Buddha aconselhou Seus seguidores a não estimular nenhum preconceito racial quando viessem praticar a religião. Os buddhistas são ensinados a esquecer sua própria origem racial e distinções de casta e classe, todas elas criadas pelas mentes iludidas que não conseguem ver a unidade essencial de tudo o que existe. As pessoas de todas as religiões não deveriam discriminar contra qualquer grupo de pessoas através da glorificação de seus próprios hábitos de vida. Deveriam tratar todos igualmente, especialmente no campo da religião. Infelizmente, seguidores de diferentes religiões encorajam a discriminação e a hostilidade contra outros grupos religiosos.
Enquanto trabalhando com outros, os verdadeiros discípulos não deveriam perturbar seus sentimentos por causa de suas tradições e costumes. Eles podem seguir as tradições e os costumes que são afins com os princípios religiosos e códigos morais de suas religiões.

A arrogância racial é um grande obstáculo para o progresso religioso e espiritual. O Buddha certa vez usou o símile da água do oceano para ilustrar a harmonia que pode ser experienciada pelas pessoas que aprenderam a afastar a arrogância racial: diferentes rios têm diferentes nomes. As águas de todos os rios individuais fluem para o oceano e se tornam a água do oceano, com um gosto, o gosto do sal. De uma maneira similar, todos aqueles que vêm de diferentes comunidades e diferentes castas, precisam esquecer suas diferenças e pensar neles mesmos somente como seres humanos.