Missionários Buddhistas

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“Vão em frente, ó Bhikkhus, para o benefício de muitos, para a felicidade de muitos, devido à compaixão pelo mundo, para o bem, benefício e felicidade dos deuses e homens” (O Buddha).

Quando viramos as páginas da história do Buddhismo, aprendemos que os missionários buddhistas ensinaram a nobre mensagem do Buddha de uma forma pacífica e respeitável. Tal pacífica missão deveria causar vergonha naqueles que usam de métodos violentos para propagar sua religião.

Os missionários buddhistas não competem com outros religiosos em converter as pessoas no mercado espiritual. Nenhum missionário buddhista ou monge nem mesmo chegará a pensar em pregar a má-vontade contra os assim chamados ‘não-crentes’. A intolerância religiosa, cultural e nacionalista não é uma atitude buddhista para aquelas pessoas imbuídas de um real espírito buddhista. A agressão nunca encontra aprovação nos ensinamentos do Buddha. O mundo sangrou e sofreu o suficiente com a doença do dogmatismo, do fanatismo religioso e da intolerância. Seja na religião ou na política, as pessoas fazem um esforço consciente para trazer a humanidade à aceitação de suas próprias maneiras de vida. Ao fazer isso, elas, por vezes, mostram sua hostilidade a seguidores de outras religiões.

O Buddhismo não briga com as tradições nacionais, os costumes, a arte e a cultura das pessoas que o aceitam como um modo de vida, mas permite que existam com um refinamento. A mensagem do Buddha de amor e compaixão abriu os corações dos homens; e eles, de boa vontade, aceitaram os Ensinamentos, ajudando, assim, o Buddhismo a se tornar uma religião mundial. Missionários buddhistas foram convidados por países independentes, os quais dão as boas-vindas com o devido respeito. O Buddhismo nunca foi introduzido em nenhum país através da influência colonizadora ou de qualquer poder político.

O Buddhismo foi a primeira força espiritual conhecida por nós na história que juntou um grande número de raças que estiveram separadas pelas mais difíceis barreiras de distância, linguagem, cultura e moral. Seu motivo não foi a aquisição de comércio internacional, a construção de impérios ou o impulso migratório para ocupar um novo território. Seu objetivo foi o de mostrar como as pessoas poderiam obter mais paz e felicidade através da prática do Dhamma.

Um brilhante exemplo das qualidades e abordagem de um missionário buddhista foi o Imperador Asoka. Foi durante o tempo do Imperador Asoka que o Buddhismo se espalhou para muitos países asiáticos e ocidentais. O Imperador Asoka enviou missionários buddhistas para muitas partes do mundo para introduzir a mensagem e paz vinda do Buddha. Asoka respeitou e ajudou cada religião de sua época. Sua tolerância em relação a outras religiões foi notável. Em um de seus escritos gravados em pedra num dos Pilares de Asoka, que permanecem em pé, ainda hoje na Índia, é dito:

Não se deve homenagear somente sua própria religião e condenar a religião dos outros, mas se deve homenagear a religião dos outros por essa ou por aquela razão. Assim fazendo, uma pessoa ajuda a própria religião a crescer e presta um serviço também à religião dos outros. Agindo de maneira diferente, a pessoa cava o túmulo de sua própria religião e também prejudica a religião do outro. Quem quer que homenageie sua própria religião e condena a religião dos outros, ele, realmente, através da devoção a sua própria religião, assim o faz devido à devoção por sua própria religião, pensando: “Glorificarei minha própria religião”. Mas, pelo contrário, fazendo isso ele injuria sua própria religião mais gravemente, pois a concórdia é algo bom. Que todos possam ouvir e estejam dispostos a ouvir as doutrinas professadas pelos outros”.

Em 284 a.C. ele tornou a doutrina do Buddha uma força viva na Índia. Hospitais, instituições de serviço social, universidades para homens e mulheres, poços públicos e centros de recreação se espalharam através desse novo movimento, e as pessoas assim puderam perceber a crueldade das guerras sem sentido.

A era de ouro na história da Índia e de outros paises da Ásia – o período quando arte, cultura, educação e civilização atingiram seu zenith – ocorreu na época em que a influência buddhista reinava forte nesses paises. Guerras santas, cruzadas, inquisições e discriminação religiosa não mancham os anais dos países buddhistas. Essa é uma história nobre da humanidade da qual ela pode se orgulhar. A Grande Universidade de Nalanda na Índia, a qual floresceu do segundo ao nono século, foi um produto do Buddhismo. Foi a primeira universidade da qual tivemos notícia, e que esteve aberta a estudantes internacionais.

No passado, o Buddhismo foi capaz de fazer-se sentir em muitas partes do Oriente, embora a comunicação e o transporte fosse difíceis e as pessoas tivessem de cruzar montanhas e desertos. Apesar dessas difíceis barreiras o Buddhismo se espalhou para longe e de forma abrangente. Hoje, essa mensagem de paz está se espalhando no ocidente. Ocidentais sentem-se atraídos pelo Buddhismo e acreditam que o Buddhismo é a única religião que está em harmonia com a ciência moderna.

Os missionários buddhistas não têm necessidade ou desejo em converter aqueles que ainda têm uma religião adequada para praticar. Se as pessoas estão satisfeitas com sua própria religião, então, não há necessidade para os missionários buddhistas convertê-las. Eles dão total cooperação aos missionários de outras fés se suas idéias são as de converter o povo malvado, mau e sem cultura na direção de uma vida religiosa. Os buddhistas ficam felizes em ver o progresso de outras religiões desde que elas realmente ajudem as pessoas a levar uma vida religiosa de acordo com sua fé, desfrutando de paz, harmonia e compreensão. Por outro lado, os missionários buddhistas deploram a atitude de certos missionários que perturbam os seguidores de outras religiões, pois que não há razão para criarem uma atmosfera insalubre de competição para converter se seu objetivo for somente ensinar as pessoas a levar uma vida religiosa.

Ao introduzir o Dhamma a outros, os missionários buddhistas nunca tentaram usar exageros imaginários para descrever uma vida celestial a fim de atrair o desejo humano e estimular sua cobiça. Ao invés, eles tentaram explicar a real natureza humana e a vida celestial tal como ensinadas pelo Buddha.

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Um comentário em “Missionários Buddhistas

    Leandro disse:
    16 abril, 2007 às 11:12 am

    A forma de propagar o budismo é realmente diferente, não promete salvar sua alma ou faze-lo ficar rico materialmente por crer nisto. Achei especialmente interessante o trecho que diz

    “Não se deve homenagear somente sua própria religião e condenar a religião dos outros, mas se deve homenagear a religião dos outros por essa ou por aquela razão. Assim fazendo, uma pessoa ajuda a própria religião a crescer e presta um serviço também à religião dos outros. Agindo de maneira diferente, a pessoa cava o túmulo de sua própria religião e também prejudica a religião do outro. …”
    Várias vezes me perguntaram com certo pré-conceito ‘ budistas não são ateus?’ ‘dão comida aos mortos?’, ‘raspam o cabelo?’, como se isso ou esta atitude pudesse tornar a religião ‘melhor ou pior’ do que outra. o respeito e compreesão são essenciais.

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