Para Além da Ciência

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O Buddhismo ultrapassa a ciência moderna em sua aceitação de um campo mais abrangente de conhecimento do que é permitido pela mente científica. O Buddhismo admite o conhecimento que surge dos órgãos dos sentidos tanto quanto aquele proveniente da experiência pessoal ganho através da cultura mental. Pelo treinamento e desenvolvimento de uma mente muito concentrada, a experiência religiosa pode ser compreendida e verificada. A experiência religiosa não é algo que possa ser entendida conduzindo experimentos num tubo de laboratório ou examinada sob um microscópio.

A verdade descoberta pela ciência é relativa e sujeita a mudanças, enquanto aquela encontrada pelo Buddha é final e absoluta: a Verdade do Dhamma não muda de acordo com tempo e espaço. Além disso, ao contrário da teorização seletiva da ciência, o Buddha encorajou o sábio a não se apegar a teorias, científicas ou outras. Ao invés de teorizar o Buddha ensinou a humanidade sobre como viver uma vida correta a fim de descobrir as Verdades Últimas. Por viver uma vida justa, acalmando os sentidos e abandonando os desejos, o Buddha indicou o caminho pelo qual podemos descobrir dentro de nós mesmos a natureza da vida. E o propósito real da vida pode ser encontrado.

A prática é importante no Buddhismo. Uma pessoa que estuda muito mas não pratica é como alguém capaz de recitar receitas de um grande livro de culinária sem tentar preparar um único prato. Sua fome não pode ser aliviada somente pelo conhecimento do livro. A prática é um pré-requisito tão importante da iluminação que em algumas escolas do Buddhismo, como o Zen, a prática é colocada até mesmo na frente do conhecimento.

O método cientifico é dirigido para fora, e os cientistas modernos exploram a natureza e os elementos para seu próprio conforto, freqüentemente desconsiderando a necessidade de se harmonizar com o ambiente, tendo como conseqüência a poluição do mundo. Ao contrário, o Buddhismo é voltado para dentro e se preocupa com o desenvolvimento interno do homem. No nível mais básico, o Buddhismo ensina o individuo como se ajustar e lidar com os eventos e circunstâncias da vida diária. No nível mais alto, ele representa a pujança humana em crescer para além de si mesmo através da prática da cultura mental ou do desenvolvimento da mente.

O Buddhismo tem um completo sistema de cultura mental dirigido à conquista do insight em relação à natureza das coisas o qual leva à completa autorealização da Verdade Última – Nibbāna. Esse sistema é tanto prático quanto científico; ele envolve uma observação desapaixonada dos estados emocionais e mentais. Mais como um cientista do que como um juiz, um meditante observa o mundo interior com vigilância.

9 comentários em “Para Além da Ciência

    Brown disse:
    8 maio, 2007 às 10:44 am

    No mínimo curioso ler tantas críticas à ciência, e no final observar “Mais como um CIENTISTA do que como um juiz, um meditante observa o mundo interior com vigilância.”. Puxa, até que a ciência tem seus méritos, não?

    Interessante também a assertiva de que “a verdade descoberta pela ciência é relativa e sujeita a mudanças”.

    Ninguem que já tenha estudado filosofia da ciência irá discordar – a IMPERMANÊNCIA das verdades, por definição, é pré requisito para algo ser ciência. Assertiva sobre o óbvio.

    Por fim, o post não se limita a estabelecer limitações, ainda que contraditórias como visto acima. Emite claro juizo de valor, comparativo, sobre o método científico (melhor que o abstrato “ciência”)ao observar que o “buddhismo ultrapassa a ciência moderna em sua aceitação de um campo mais abrangente de conhecimento do que é permitido pela mente científica”. Mais separa que observa pontos em comum, mais julga – sumariamente – que tenta compreender o campo de atuação, os limites do método e as aplicações possíveis. Uma pena.

    “E pur se muove”… E não é que Galileu estava certo?

    Aei disse:
    8 maio, 2007 às 4:15 pm

    Nossa!
    Quanta arrogância!! E eu que pensava que a turma do budismo tentava dimimuir o ego…
    Parece turma de adolescente: “o meu é maior!, o meu é melhor!!!, o meu então é maior, melhor e mais bonito!!!!!”
    O religioso pode dar as mãos tanto ao papa quanto às lideranças muçulmanas. Todos afirmando que só eles tem razão, que só eles sabem das coisas.
    Talvez seja melhor colocar todos numa sala só mesmo……….

    Jorge disse:
    10 maio, 2007 às 5:26 am

    Não há tantas críticas à ciência! O que o autor fala é um fato! O Buddhismo efetivamente ultrapassa a ciência quando admite a existência de algo que transcende o campo de atuação do método científico. Deste ponto de vista, e apenas deste, a ciência é ultrapassada. Ou seja, um Buddhista que pratica e obtém os resultados da prática é capaz de sustentar este ponto de vista.
    A semelhança entre Buddhismo e ciência é que ambos preconizam um método de observação, investigação e conhecimento visando a um fim. E só. Nisto é que nós, Buddhistas, nos assemelhamos mais ao cientista que ao juiz.
    A observação sobre a impermanência das verdades científicas é justa dentro da estrutura do texto e não diminui a ciência, apenas afirma a natureza ética do Buddhismo em contraposição à da ciência que é motivada primariamente pelo desejo de conhecimento.
    Não consigo ver arrogância no texto. Não há mençaõ comparativa à nenhuma religião. Novamente há apenas a afirmação de fatos por parte de um Buddhista praticante. As palavras “melhor”, “superior”, não foram usadas. Observe que o autor fala em “experiência religiosa” e não em “experiência Buddhista”.

    dhanapala respondido:
    14 maio, 2007 às 11:00 am

    Concordo com o Jorge. Tudo o que foi falado sobre a ciência são coisas que os próprios cientistas concordam. A ciência se baseia em dados sensoriais e naquilo que é mensurável, e seus resultados são necessariamente impermanentes. Que cientista discordaria disso? Os cientistas freqüentemente até se orgulham pelo fato de que a ciência evolui e modifica-se a cada geração.

    Brown disse:
    24 maio, 2007 às 6:26 pm

    O problema aparece tanto no conteúdo, que compara, julga, isso melhor que aquilo, este maior que aquele, budismo superior, ciência inferior, abacaxi gostoso, banana ruim, quanto na forma, já vi abordagems e modos de expressão bem mais gentis e equinânimes em outros autores budistas.

    Reafirmando:
    O texto mais separa que observa pontos em comum, mais julga – sumariamente – que tenta compreender o campo de atuação, os limites do método e as aplicações possíveis.

    Achei a princípio realmente uma pena, mas as coisas são o que são, e é melhor olhar com olhos bem abertos tanto conteúdo quanto forma. A alternativa é enxergar o que se gostaria de ler, e não o que está escrito. Que budista discordaria disso?

    Dhanapala respondido:
    24 maio, 2007 às 7:19 pm

    E isso não é verdade para tudo, ou seja, enxergar o que se gostaria de ler e não o que está escrito, inclusive nestes comentários? Afinal, onde está escrito no texto que buddhismo é bom e ciência é ruim, ou que um é melhor do que o outro?

    Brown disse:
    25 maio, 2007 às 12:47 am

    Dhanapala Disse:
    Afinal, onde está escrito no texto que buddhismo é bom e ciência é ruim, ou que um é melhor do que o outro?

    “O Buddhismo ultrapassa a ciência moderna em sua aceitação de um campo mais abrangente de conhecimento do que é permitido pela mente científica.” (ou seja, a mente científica é claramente inferior à mente budista – tal como o autor entende, claro)

    “os cientistas modernos exploram a natureza e os elementos para seu próprio conforto, (como são malvados, irresponsáveis, esses cientistas… – quem são? todos? quem disse que é para conforto? isso não é julgamento sumário?), freqüentemente desconsiderando a necessidade de se harmonizar com o ambiente, tendo como conseqüência a poluição do mundo (TODOS – o autor não diferencia nada! – egoistas, inferiores, até mesmo os que trabalham exatamente para desenvolver métodos não poluentes). Ao contrário (contrário = oposto – bastante elucidativo! – portanto cientistas não tem a visão, esclarecimento, proficiência, sabedoria, o que mais? que os budistas), o Buddhismo é voltado para dentro e se preocupa com o desenvolvimento interno do homem. ”

    Dito de outro modo, cientistas são pessoas egoistas, preocupadas apenas com seu próprio conforto, enquanto budistas (como o autor entende, destaque-se, não me incluo nessa mesmo!) é um ser superior que se preocupa com o desenvolvimento interno do homem.

    Se isso não é dizer que um é melhor que o outro, bom, deixa pra la…

    Mesmo.

    Dhanapala respondido:
    25 maio, 2007 às 7:35 am

    Olha, Brown (se é esse o seu nome verdadeiro), dizer que o Buddhismo ultrapassa a ciência em sua aceitação de um campo mais abrangente do que é permitido pela mente científica, não é dizer que o Buddhismo é superior. A mente científica intencional e voluntariamente se auto-impõe tais limites. E tal colocação de limites é fundamental até para a autentificação de seus resultados. O Buddhismo ultrapassa a ciência nesses termos porque não toma os dados sensoriais como os únicos válidos. Já para a ciência, se não é mensurável, não é útil em termos científicos. Então o Buddhismo pode ser dito ultrapassar a ciência da mesma forma que aves ultrapasssam peixes em sua capacidade de voar e peixes ultrapassam aves em sua capacidade de permanecer submersos em água e ainda viver. Você concluir que o autor está dizendo que “a mente científica é claramente inferior à mente budista” não tem fundamento. A definição dada para a ciência é algo que a própria ciência deu para si mesma e se orgulha disso. Os cientistas são humildes e objetivos o suficiente para dizerem e saberem que certas coisas estão fora do escopo científico. Parece que é você que deseja enxergar na ciência algo mais do que ela própria admite ou deseja ser.

    A exploração da natureza por meio da ciência a fim de prover conforto ao homem é a razão da ciência ser incentivada, custeada e promovida. Estuda-se plantas para descobrir aplicações farmacológicas, etc. Isso é dizer que os cientistas são malvados e irresponsáveis? Você não está lendo no texto muito além do que está sendo dito? Que a ciência frequentemente desconsidera a necessidade de harmonização com o ambiente é um fato evidente. Que haja alguns cientistas conscientes dos perigos ambientais não deveria nos cegar ao fato de que todas as ameaças e pesadelos ao ambiente nos dias atuais foram inventados ou descobertos pela ciência moderna e não pela ação do homem comum. Foi um cientista que inventou um detergente barato para lavar pratos que proporcionou a poluição dos rios, e não a coitada da lavadeira que lavava seus pratos antes disso.

    Em outras palavras, você tenta colocar acusações e preconceitos na boca do autor que ele não disse, e ainda levanta que ele diz que cientistas são egoístas, irresponsáveis e malvados. Brown, todos os seres humanos no samsara são egoístas e preocupados com seu próprio conforto. A ciência e aqueles que a custeiam não são diferentes. Como esse é o capítulo do livro que trata sobre ciência, é sobre ciência que está sendo dito. Outros capítulos falarão de outras coisas, inclusive de buddhistas que também são egoístas e mal-entendendores do ensinamento do Buddha. Dizer que o autor fala que os cientistas são malvados, entretanto, é uma conclusão inteiramente vinda de você e não do autor.

    William disse:
    21 abril, 2013 às 7:59 am

    O texto foi escrito com desapego, mas as pessoas estão julgando-o com apego rs. Aquele que tem desapego pode julgar as coisas simplesmente por o que elas são, sem rebaixar ou elevar ninguém. Abram as mentes o/

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