Crença em deidades (Devas)

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Os buddhistas não negam a existência de vários deuses ou deidades.

Os devas são mais afortunados do que os seres humanos no que concerne os prazeres sensoriais. Eles também possuem certos poderes que os seres humanos usualmente carecem. Entretanto, os poderes dessas deidades são limitados porque elas também são seres transitórios. Eles existem em moradas felizes e desfrutam sua vida por um período mais longo do que os seres humanos. Quando o bom kamma, que acumularam durante os nascimentos prévios, se extingue, essas deidades morrem e renascem em algum outro lugar de acordo com seus bons e maus kammas. De acordo com o Buddha, os seres humanos têm mais oportunidades de adquirir méritos para um nascimento em melhores condições, enquanto que as deidades têm menos chances a esse respeito.

Os buddhistas não atribuem nenhuma importância específica a tais deuses. Não consideram tais deidades como de ajuda ao desenvolvimento moral ou para o atingimento da salvação do Nibbāna. Grandes ou pequenos, tanto os seres humanos como as deidades são perecíveis e sujeitas ao renascimento.

É uma crença comum entre no público buddhista de que tais deidades podem ser influenciadas – pela transferência de méritos a elas, sempre que ações meritórias sejam executadas – a fim de se conseguir seus favores. Essa crença é baseada no ordenamento do Buddha de que as deidades protejam aqueles seres humanos que têm um modo de vida religioso. Essa é a razão porque os buddhistas transferem os méritos a tais deidades ou se lembram delas sempre que realizam alguma ação meritória. Entretanto, fazer oferendas e adorar tais deidades não é encorajado, embora alguns costumes buddhistas se centrem em torno de tais atividades. Quando as pessoas estão em grandes dificuldades, elas naturalmente se voltam para tais deidades a fim de expressar suas aflições em um lugar de adoração. Assim fazendo, ganham algum alívio e consolo; em seus corações, sentem-se muito melhor. Entretanto, para um intelectual que tem uma poderosa força de vontade, boa educação e compreensão, não é necessário que se faça uso de tais crenças e ações. Definitivamente não há Ensinamento no Buddhismo com relação aos buddhistas atingirem o Nibbāna através da reza a alguma deidade. Os buddhistas acreditam que “pureza e a impureza dependem de si mesmos. Ninguém desde fora pode purificar um outro”. (Dhammapada 165)

O Estado de Buddha e o Nibbāna podem ser atingidos sem qualquer ajuda de uma fonte externa. Portanto, os buddhistas podem praticar sua religião com ou sem as deidades.

8 comentários em “Crença em deidades (Devas)

    Paulo disse:
    23 janeiro, 2007 às 1:29 pm

    “Os buddhistas não atribuem nenhuma importância específica a tais deuses”

    É tão difícil explicar isso às pessoas…

    Bem, pelo menos agora poderei usar um “argumento de autoridade” – :>D

    leandro disse:
    2 maio, 2007 às 9:26 am

    deidades então seriam como ”santos”? ou espiritos de adoração em outras religiões? quando um budista se depara com algo além de sua capacidade humana de resolver,ele o que deveria fazer?

    Antonio M. Soares disse:
    23 agosto, 2007 às 11:20 pm

    Mas a prática do Budismo com o culto a deidades não implica em abrir mão da confiança no ensinamento de Buda Shakyamuni? E contar apenas consigo mesmo para ver as coisa como elas são, não implica em uma visão originada da pretensão do ego de ser totalmente “autosuficiente e se bastar absolutamente?
    Onde buscar resposta a essas questões?

    dhanapala respondido:
    25 agosto, 2007 às 10:26 am

    Olá Antonio. Quanto a cultos a deidades ser um abrir mão da confiança no ensinamento do Buddha, isso é algo que você teria que perguntar para aqueles que aconselham tal culto. Quanto a contar apenas consigo mesmo, como sendo originado de uma pretensão do ego, não é isso que está se falando neste post. O que é dito é que em questões de pureza e impureza dependemos somente de nós. E de quê mais poderíamos contar? É claro que para outras coisas dependemos de outros. Dependemos de nossos pais para nos alimentar na infância, ou dependemos do bom Dhamma ter sido exposto para nossa alimentação espiritual, por exemplo.

    leandro disse:
    19 setembro, 2007 às 1:11 pm

    minha duvida de 2 de maio foi deixada de lado?

    Leandro disse:
    24 setembro, 2007 às 4:35 pm

    Eu ainda continuo tentando fazer uma relação para facilitar o entendimento sobre este assunto. Deidades seriam como santos para a igreja Católica? Entidades para a Umbanda? Espiritos para o espiritismo? Facilitaria o entendimento se eu conseguisse comparar com algo que já tenho algum conhecimento. O budismo por ser muito amplo me parece(nao conheço a todas as linhas) que contém linhas que não aceitam tais entidades, outras que crêem nestas… eu fico pensando sobre o que estas poderiam ser consideradas.. Seres que foram criados com poderes sobrenaturais? Folclore? Crença em espiritos com mais força? Em diversas religiões existe um apelo a orações ao anjo da guarda, a espiritos de Luz, como modo proteção as coisas que não podemos lidar ( do sobrenatural), mas me lembro de ter lido algo em que o Buddha fala que não deveriamos perder tempo com o que não pode ser explicado( referindo-se a criação do mundo e pra onde vamos, vou pesquisar de novo),seria o mesmo sobre as deidades, já que se nos mantermos com pensamento e ações corretas, não abrimos espaço a tais entes, se eu não me engano li isso num livro sobre o budismo da Martin Claret.
    Eu não cultuo deidades, fiquei especialmente curioso porque é uma das coisas que ainda permanece obscuro a mim no budismo, como os buddhistas agem, no que realmente crêem, o que é melhor para todos, tenho me esmerado em como vivenciar isso e não apenas ler..

    caso alguem tenha interesse para dialogar o assunto de deidas, ou possa me ajudar com isso pode me escrever.. estou vendo o topico desde 2 de maio!… ou meu e mail soarescoelho@gmail.com

    em gashô, paz e felicidades aos amigos budistas e não budistas, leandro 🙂

    Jorge disse:
    25 setembro, 2007 às 12:22 pm

    Olá, Leandro.
    Meu conhecimento é limitado mas vou expor umas reflexões pessoais e , quem sabe, possa te ajudar.
    1 – O Buddhismo em geral aceita formas de existência não acessíveis aos nossos sentidos mundanos.
    2 – Existe uma diferença na importância que se dá a estes seres e à possível ajuda que possamos obter deles nas várias escolas.
    3 – Estritamente falando, ajuda do ponto de vista Buddhista é aquilo que nos aproxima do estado de liberação do sofrimento.
    4 – Manter uma disciplina ética, moral, em acordo com os preceitos dados pelo Buddha é o que melhor podemos fazer em nosso benefício. Observando em especial o princípio do Kamma que é, em essência, a intenção com que pensamos, falamos e agimos no mundo. Desta forma, o ideal é levar em consideração aquilo que o Buddha ensinou como o benefício que vale a pena ser perseguido.
    É isso.

    Manoel Couto disse:
    20 outubro, 2008 às 3:48 pm

    Adorem as Deidades!
    Louvem os Deuses!

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