a Cura pela Fé

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A cura pela fé – uma abordagem psicológica

A prática da cura pela fé prevalece em muitos países. Muitas pessoas tentam influenciar o público através da persuasão emocional chamada de cura pela fé. A fim de impressionar seus pacientes quanto à eficácia de seus poderes de cura, alguns curandeiros usam o nome de um deus ou um objeto religioso para incluir um sabor religioso ao seu método de cura. A introdução da religião na cura pela fé é, de fato, um disfarce ou um engodo para enganar o paciente no desenvolvimento de mais devoção e aumentar a confiança ou fé do paciente no curandeiro. Esse ato de cura, quando executado em público, tem a intenção de angariar convertidos para uma denominação religiosa particular.

Na realidade, tanto quanto concerne a cura pela fé, a religião não é assim tão importante. Há numerosos casos de curandeiros executando seus atos de cura sem usar a religião de modo algum. Um exemplo é o da ciência do hipnotismo, cuja prática não envolve quaisquer aspectos religiosos. Aqueles que associam a religião com a cura pela fé estão, de alguma forma, se engajando numa forma sutil de ilusão tentando atrair convertidos para sua religião em particular fazendo uso da cura pela fé e descrevendo certas curas como atos miraculosos.

Os métodos empregados pelos curandeiros são o de condicionar as mentes dos pacientes para ter uma certa atitude mental que resulta em certas mudanças psicológicas e fisiológicas que invariavelmente acontecem. Isso atrai as condições da mente, do coração, a conseqüente circulação sanguínea e outras funções orgânicas relacionadas do corpo, criando assim um sentimento de bem estar. Se a doença é atribuída a condições mentais, então certamente a mente pode ser condicionada apropriadamente a fim de assistir na erradicação de qualquer doença que possa ocorrer.

Nesse contexto, deve ser notado que a prática constante e regular da meditação pode ajudar a minimizar, se não erradicar completamente, várias formas de doenças. Há muitos discursos nos Ensinamentos do Buddha onde está indicado que várias formas de doenças foram erradicadas através do condicionamento da mente. Dessa forma, vale a pena praticar a meditação para atingir o bem-estar mental e físico.

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Superstições e Dogmas

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As pessoas ridicularizam as superstições dos outros, enquanto cultuam as suas próprias‘.

Todas as dores têm cura, mas não as superstições. E, se por uma ou outra razão, uma superstição se cristaliza numa religião, facilmente se torna um mal quase incurável. Na execução de certas funções religiosas, mesmo pessoas educadas atualmente se esquecem de sua dignidade humana aceitando as  mais ridículas e supersticiosas crenças.

Crenças e rituais supersticiosos foram adotados para decorar uma religião a fim de atrair multidões. Mas, após algum tempo, a hera plantada para decorar o santuário, cresce e domina o santuário, resultando que os objetivos religiosos são relegados ao segundo plano e as crenças e rituais supersticiosos se tornam predominantes – a hera eclipsando o santuário.

Da mesma forma que a superstição, a crença dogmática também sufoca o crescimento saudável da religião. A crença dogmática e a intolerância andam de mãos dadas. Isso faz lembrar a Idade Média com suas pueris inquisições, assassinatos cruéis, violência, infâmias, torturas e queima de seres inocentes. Isso também faz lembrar das barbaridades e das cruzadas implacáveis. Todos esses eventos foram estimulados pelas crenças dogmáticas em autoridades religiosas e pela intolerância que daí resulta.

Antes do desenvolvimento do conhecimento cientifico, as pessoas ignorantes tinham muitas crenças supersticiosas. Por exemplo, muitas pessoas acreditavam que o eclipse do sol e da lua traziam má sorte e pestes. Hoje sabemos que tais crenças não são verdadeiras. Aqui também alguns religiosos inescrupulosos encorajam as pessoas a acreditar em superstições de maneira a usarem os seguidores para seu próprio benefício. Quando as pessoas realmente purificarem suas mentes da ignorância, elas verão o universo tal como realmente é e não sofrerão com superstições e dogmatismo. Essa é a ‘salvação’ que os buddhistas aspiram.

É extremamente difícil para nós quebrarmos o sentimento emocional relacionado à superstição ou à crença dogmática. Mesmo a luz do conhecimento cientifico freqüentemente não é forte o suficiente para fazer com que desistamos dos conceitos errôneos. Por exemplo, notamos por gerações que a terra se move em volta do sol; mas, experiencialmente, ainda percebemos o sol surgindo, atravessando o céu e se pondo ao entardecer. Ainda temos que dar um salto intelectual a fim de imaginar que estamos, de fato, movendo-nos a uma grande velocidade em volta do sol.

Precisamos entender que os perigos do dogmatismo e da superstição seguem de mãos dadas com a religião. O tempo é chegado para que as pessoas sábias separem a religião do dogmatismo e da superstição. Do contrário, o bom nome da religião será manchado e o número de não crentes aumentará, como já acontece.