Gotama, o Buddha – 2

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Por seis longos anos, Ele se dedicou a encontrar a Verdade. Qual a verdade que buscava? Era entender verdadeiramente a natureza da existência e encontrar a felicidade derradeira e imutável. Estudou sob os mais proeminentes mestres da época e aprendeu tudo que tais professores religiosos podiam Lhe ensinar. Quando descobriu que não podiam ensinar aquilo que estava buscando, Ele decidiu encontrar a Verdade por Seus próprios esforços. Um bando de ascetas se juntou a Ele e juntos praticaram severas austeridades na crença de que se o corpo fosse torturado então a alma seria liberta do sofrimento. Siddhattha era um homem de energia e força de vontade e superou os outros ascetas em cada austeridade que praticavam. Quando jejuava, Ele comia tão pouco que quando olhava a pele de Seu estômago, Ele conseguia tocar Sua coluna vertebral. Ele se pressionou a realizar feitos suprahumanos de autotortura de maneira que certamente teria morrido. Mas compreendeu a futilidade da automortificação e ao invés disso decidiu praticar a moderação.

Na noite de lua cheia do mês de Vesakha, Ele se sentou sob a Árvore Bodhi em Gaya, imerso em profunda meditação. Foi então que Sua mente explodiu a bolha do universo material e percebeu a verdadeira natureza de toda a vida e de todas as coisas. Com a idade de 35 anos, Ele se transformou de um buscador sincero pela verdade em um Buddha, o Iluminado.

Por quase meio século depois da Iluminação, o Buddha andou pelas estradas poeirentas da Índia ensinando o Dhamma, de forma que aqueles que ouvissem e praticassem viessem a ser enobrecidos e livres. Ele fundou uma ordem de monges e monjas, desafiou o sistema de castas, elevou o status das mulheres, encorajou a liberdade religiosa e a livre investigação, abriu os portões da libertação para todos, em qualquer condição de vida, alta ou baixa, santo ou pecador, e enobreceu as vidas de criminosos como Angulimala e de cortesãs como Ambapali. Ele libertou a humanidade da escravidão religiosa, do dogma religioso e da fé cega.

Ele atingiu o ápice em sabedoria e inteligência. Cada problema foi analisado em suas partes constituintes que então foram rejuntadas na ordem lógica com o significado tornado claro. Ninguém podia derrotá-Lo no diálogo. Um professor inigualável mesmo nos dias de hoje. Ele ainda é o mais proeminente analista da mente e dos fenômenos. Pela primeira vez na história, Ele deu aos seres humanos o poder para pensar por si mesmos, elevou o valor da humanidade e mostrou que os seres humanos podem alcançar o mais alto conhecimento e a suprema Iluminação por seus próprios esforços.

Apesar de sua incomparável sabedoria e linhagem real, Ele nunca se afastou dos simples aldeões. Distinções superficiais de classe e casta significavam pouco para Ele. Ninguém era tão pequeno ou baixo para que Ele não pudesse ajudar. Frequentemente quando uma pessoa sem casta, pobre e rejeitada vinha até Ele, seu respeito próprio era restaurado e sua vida era transformada de ignóbil para a de um nobre ser.

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Gotama, o Buddha – 3

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O Buddha era pleno de compaixão (karuna) e sabedoria (pañña), conhecedor do como e do quê ensinar aos indivíduos de acordo com seu nível de entendimento. Ele era conhecido por ter andado longas distâncias para ajudar uma única pessoa a fim de mostrar a ele ou ela o Caminho correto.

Ele era carinhoso e dedicado aos Seus discípulos, sempre perguntando a respeito de seu bem estar e progresso. Quando residia no mosteiro, Ele visitava diariamente os lugares onde os doentes ficavam. Sua compaixão pelos doentes pode ser notada por meio de Seu conselho: “Quem cuida do doente, cuida de mim”. O Buddha manteve ordem e disciplina com base no respeito mútuo. O rei Pasenadi não podia entender como o Buddha mantinha tal ordem e disciplina na comunidade dos monges, enquanto ele, um rei com o poder de punir, não conseguia fazê-lo em sua corte. O método do Buddha era o de fazer com que as pessoas agissem a partir de um entendimento interior ao invés de fazê-las se comportar pela imposição de leis e ameaçá-las com punições.

Muitos poderes milagrosos foram atribuídos a Ele, mas Ele não considerava qualquer tipo de poder sobrenatural algo de importância. Para Ele, o maior milagre era explicar a Verdade e tornar uma pessoa cruel em alguém bondoso por meio da compreensão. Um professor com profunda compaixão, Ele sentia o sofrimento humano e estava determinado a libertar as pessoas de seus grilhões por meio de um sistema racional de pensamento e um modo de vida.

O Buddha não afirmava ter ‘criado’ condições mundanas, os fenômenos universais ou a Lei Universal que chamamos de ‘Dhamma’. Embora descrito como lokavidu ou ‘conhecedor dos mundos’, Ele não era considerado o exclusivo guardião da Lei Universal. Ele livremente reconhecia que o Dhamma, juntamente com o funcionamento do cosmos, é atemporal; não tem criador e é independente no sentido absoluto. Cada coisa condicionada que existe no cosmos é sujeita à operação do Dhamma. O que o Buddha fez (como todos os outros Buddhas antes Dele) foi redescobrir a Verdade infalível e torná-la conhecida pela humanidade. Descobrir a Verdade, Ele também descobriu os meios pelos quais alguém poderia de forma derradeira se libertar da sujeição ao ciclo infindável do condicionamento, com os malefícios que o seguem.

Após quarenta e cinco anos de ministério, o Buddha faleceu (atingiu o parinibbana) com a idade de oitenta anos num local chamado Kusinara, deixando para trás numerosos seguidores, monges e monjas, e um vasto tesouro de Ensinamentos do Dhamma. O impacto de Seu grande amor e dedicação ainda hoje é sentido.

No Três Maiores Homens da História, H.G.Wells declara: “No Buddha se vê claramente um homem simples, devoto, solitário, lutando pela luz, uma personalidade humana vívida, não um mito. Ele também deixou uma mensagem universal à humanidade. Muitas de nossas melhores idéias atualmente se encontram em estreita harmonia com sua mensagem. Toda miséria e descontentamento da vida são devidos, ele ensinou, ao egoísmo. Antes de um homem se tornar sereno ele deve cessar de viver voltado para seus sentidos ou para ele mesmo. Então ele se funde em um ser maior. O Buddhismo, com uma linguagem diferente, convidou o homem a se esquecer de si mesmo quinhentos anos antes de Cristo. De certa forma, Ele estava mais perto de nós e de nossas necessidades. Ele foi mais lúcido quanto a nossa importância individual no serviço do que Cristo e menos ambíguo quanto a questão da imortalidade pessoal”.

Sua Renúncia

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A renúncia do Príncipe Siddhattha foi o passo mais corajoso que um homem já deu

Era noite. Siddhattha não conseguia encontrar a paz. Ele vagou pelas salas do palácio e finalmente foi até o rei. Ele o reverenciou e disse a ele:

‘Pai, conceda-me o pedido que fiz. Permita-me deixar o palácio para seguir o caminho da libertação, pois todas as coisas terrestres mudam e são de curta duração. Assim, devemos nos separar, pai’.

‘Filho, desista dessa idéia. Você ainda é jovem demais para um chamado religioso. É mais apropriado para mim abraçar a religião. O tempo chegou para eu deixar o palácio. Eu abdico, filho!’.

‘Prometa-me quatro coisas, ó pai, e eu não deixarei sua casa e não me dirigirei até a floresta’.

‘Que coisas?’, perguntou o rei.

‘Prometa-me que minha vida não terminará em morte, que a doença não afetará minha saúde, que a idade não seguirá minha juventude, que o infortúnio não destruirá minha prosperidade’.

‘Não posso prometer tais coisas, filho, pois são inevitáveis’.

‘Então não se segure. Ó pai, minha mente está determinada. Todas as coisas terrenas são transitórias’.

Dessa forma o príncipe resolveu realizar a Grande Renúncia naquela própria noite.

Com a idade de 29 anos, Siddhattha era cheio de vida, um jovem no primor da vida. Assim, a tentação era grande de não abandonar tudo aquilo que havia conhecido e amado. Ele sabia que o esforço de buscar a verdade devia ser formidável. Durante Seus momentos finais no palácio, Ele visitou Seu quarto e olhou para Sua adormecida esposa e Seu filho recém-nascido. O grande impulso de permanecer e abandonar Seu plano deve ter causado uma intensa agonia. Ao contrário dos valores materialistas da era atual, naqueles dias na Índia, era considerado algo nobre uma pessoa desistir do lar e daqueles a quem amava e se tornar um asceta levando uma vida santa. Era considerado um sacrifício espiritualmente louvado. Considerando tudo isso, portanto, seria considerado que Siddhattha estava certo em corajosa e rapidamente levar adiante Seu plano.

Passados dois mil e quinhentos anos após Sua renúncia, alguns criticam-No por essa ação. Dizem que foi cruel fugir do palácio sem nem mesmo dizer a Sua esposa. Eles condenam Siddhattha por Sua maneira de deixar o lar e o Reino. Alguns descrevem isso como um ‘abandono insensível de esposa e família’. Ainda assim, o que teria acontecido se Ele não tivesse partido tão quietamente, mas se aproximado de seus queridos para um adeus formal? Eles iriam, com certeza, implorar a Ele para mudar de idéia. A cena teria sido histérica, e possivelmente o pequeno reino de Seu pai, Rajá Suddhodana, teria entrado em convulsão. Sua intenção de procurar a Verdade teria que ser abortada, pois Seu pai e esposa não iriam concordar com Seus planos de renúncia, embora tivesse discutido com Seu pai e esposa sobre Suas intenções de renúncia. Por causa de Sua partida naquele dia, hoje, quinhentos milhões de seres humanos O seguem. Sua esposa e filho O teriam seguido. Sua esposa, entretanto, não O acusou de abandono quando percebeu o propósito de Sua renúncia. Ao contrário, ela abandonou sua vida de luxo a fim de levar uma vida simples como um sinal de respeito. Mais cedo, quando havia conversado com Sua esposa sobre Sua renúncia, ela soube que não haveria maneira dele desistir de Sua decisão. Ela então pediu a Ele que tivessem um filho antes disso. Foi por isso que Ele decidiu renunciar no mesmo dia em que o filho nasceu.

Ele renunciou ao mundo não para Si mesmo ou para Sua própria conveniência, mas por causa de toda a humanidade sofredora. Para Ele, toda a humanidade era uma família. A renúncia do Príncipe Siddhattha numa idade tão jovem foi o passo mais corajoso que um homem já deu.

O desapego é um dos fatores mais importantes para o atingimento da Iluminação. O atingimento da Iluminação se dá através do não apego. A maior parte das dificuldades da vida é causada pelo apego. Ficamos com raiva; nos preocupamos; nos tornamos gananciosos e reclamamos amargamente. Todas essas causas de infelicidade, tensão, teimosia e tristeza são devido ao apego. Quando investigamos qualquer dificuldade ou preocupação que temos, a causa principal é sempre o apego. Tivesse o Príncipe Siddhattha desenvolvido Seu apego com relação à Sua esposa, filho, reino e os prazeres do mundo, Ele nunca teria sido capaz de descobrir o remédio para a humanidade sofredora. Entretanto, Ele teria que sacrificar tudo, inclusive os prazeres do mundo, de modo a ter uma mente concentrada livre de quaisquer distrações, a fim de encontrar a Verdade que pudesse curar o sofrimento da humanidade. Considerem isso, se o príncipe não tivesse renunciado, a humanidade ainda estaria aprisionada no medo, ignorância e tristeza, sem um entendimento real da condição humana.

Aos olhos desse jovem Príncipe, todo o mundo queimava com paixão, ódio, cobiça e muitas outras impurezas que incendiam o fogo de nossas paixões. Ele viu cada ser vivo neste mundo, incluindo Sua esposa e pai, sofrendo todos os tipos de doenças físicas e mentais. Tão determinado Ele estava a buscar uma solução para a erradicação do sofrimento para a humanidade sofredora, que Ele estava preparado para tudo sacrificar.

Eis como um poeta viu a renúncia do Buddha:

Não foi por ódio das doces crianças,
Não foi por ódio de Sua adorável esposa,
Excitação de corações – não que Ele os amou menos,
Mas mais o Estado de Buddha, que Ele renunciou a tudo.
(Dwight Goddard)

A Natureza do Buddha

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Luz do mundo

 “Entendidas estão as coisas que devem ser entendidas,
Cultivadas estão as coisas que devem ser cultivadas,
Erradicadas estão as coisas que devem ser erradicadas,
Portanto, brahmana, Eu sou o Buddha”.  (Sutta Nipata)

“Enquanto, irmãos, a lua e o sol não surgem no mundo, não há brilho de uma grande luz de grande radiância. Prevalece a grosseira escuridão, a escuridão da confusão. A noite não é distinguida do dia, nem o mês, a quinzena e as estações dos anos podem ser distintos uns dos outros.

Mas, irmãos, quando a lua e o sol surgem no mundo, então brilha uma grande luz de grande radiância. A grosseira escuridão, a escuridão da confusão, não mais existe: Há os meses e a quinzena e as estações dos anos.

Da mesma forma, irmãos, enquanto não surge um Buddha, que é um Arahant, um Buddha Supremo, não há brilho de uma grande luz de grande radiância. Mas prevalece a grosseira escuridão, a escuridão da confusão. Não há proclamação, não há ensinamento, não há demonstração, não há estabelecimento, não há abertura, não há análise, não há o tornar claro das Quatro Nobres Verdades.

Quais quatro? A Nobre Verdade sobre o Sofrimento, o Surgimento do Sofrimento, a Cessação do Sofrimento e a Abordagem para a Cessação do Sofrimento.

Dessa forma, irmãos, esforcem-se para realizar ‘Isto é o sofrimento; isto é o surgimento do sofrimento; isto é a cessação do sofrimento; isto é a abordagem para a cessação do sofrimento’”.

As palavras acima nos dão uma clara imagem do grande valor do surgimento do Buddha no mundo. O Buddha surgiu numa época em que a Filosofia Ocidental tal como desenvolvida pelos gregos, era liderada por Heráclito que deu uma nova interpretação aos deuses do Olimpo das religiões antigas. Era uma época em que Jeremias dava uma nova mensagem para os judeus na Babilônia; que Pitágoras introduzia a doutrina da reencarnação na Grécia; que Confúcio estabelecia sua ética de conduta na China; que a rede social da Índia era pesadamente encrustrada por sacerdotes, domínio dos brahmanas, automortificação, distinção de castas, feudalismo corrupto e sujeição da mulher. Foi durante tal época que o Buddha, a flor mais fragrante da raça humana, apareceu na terra onde santos e sábios dedicavam suas vidas à procura da Verdade.

Ele foi um grande homem que exerceu uma extraordinária influência mesmo durante o período de Sua vida. Seu magnetismo pessoal, prestígio moral e confiança radiante em Suas descobertas, fizeram-No um sucesso popular. Durante Sua vida ativa como Professor, o Buddha iluminou muitos que O escutavam. Ele atraiu o alto e o baixo, o rico e o pobre, o letrado e o inculto, homens e mulheres, pessoas de família e ascetas, nobres e camponeses. Ele foi à procura dos viciados para ensinar, enquanto os puros e virtuosos vinham à Sua procura para aprender. Para todos, Ele deu o presente da Verdade que tinha descoberto. Seus discípulos eram reis e soldados, comerciantes e milionários, mendigos, cortesãs, religiosos, aqueles inclinados ao crime, bem como pessoas iludidas. Quando pessoas brigavam, Ele trazia a paz entre elas. Quando estavam iludidas, Ele as iluminava. Quando estavam inflamadas pela raiva e pela paixão, Ele lhes dava a água refrescante da Verdade. Quando abandonadas e rejeitadas, Ele lhes estendia o infinito amor de seu coração compassivo. Todas as pessoas eram uma só aos olhos do Buddha.

A Natureza do Buddha – 2

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Ele era ‘Lokavidu’ (Conhecedor do mundo). Tendo conhecido por si mesmo a vida luxuosa, Ele conhecia o mundo bem o suficiente para não nutrir qualquer ilusão sobre sua natureza ou para não acreditar que suas leis pudessem ser completamente remodeladas para se encaixarem aos desejos dos seres humanos. Ele sabia que o mundo não existia apenas para seu prazer. Ele conhecia a natureza das condições mundanas. Compreendia as vicissitudes da vida no mundo. Ele sabia da futilidade da imaginação humana ou do sonhar acordado em relação ao mundo.

Ele não encorajava o pensamento iludido de estabelecer uma Utopia no mundo. Não tentou iniciar uma recriação do mundo. Ao contrário, mostrou o modo como alguém poderia conquistar seu próprio mundo – o mundo subjetivo interno que é o domínio privado de cada um. Numa linguagem simples, Ele nos falou que todo o mundo está dentro de nós e que é dirigido pela mente e que essa mente deve ser treinada e limpa de forma apropriada. O mundo material externo poderia ser controlado e cessado de criar angústia se nosso mundo interno estivesse controlado.

Seu Ensinamento foi basicamente simples e significativo: “Para colocar um fim no mal; para realizar tudo de bom; para purificar a mente. Esse é o conselho de todos os Buddhas”. (Dhammapada, 183)

Ele ensinou às pessoas como erradicar a ignorância. Encorajou-as a manterem a liberdade em suas mentes a fim de pensarem de forma livre.

A partir de todos os testes daquilo que disse e fez, Ele demonstrou ser um homem importante de Seus dias. Ele declarou uma fé no serviço, um ministério de sacrifício e realização. Aconselhou-nos a começarmos cada dia como se fosse o começo de uma vida. Não devemos desperdiçar tempo e energia na procura do início da vida. Deveríamos cumprir nossas infindáveis responsabilidades e deveres de nossa existência diária aqui e agora sem depender de ninguém para fazê-lo por nós. Em outras palavras, ensinou-nos a dependermos de nós mesmos.

Ele deu à humanidade uma nova explicação do universo. Doou uma nova visão da felicidade eterna, da conquista da perfeição no estado de Buddha. Mostrou o caminho para o estado permanente além de toda a impermanência, o caminho para o Nibbana, a liberdade final da miséria da existência.

Ele viveu há mais de 2500 anos. Mas ainda hoje este grande Professor é honrado não apenas por todas as pessoas com inclinações religiosas. Ele é também honrado por ateus, historiadores, racionalistas e intelectuais, livre-pensadores, cientistas e psicólogos por todo o mundo, os quais O reconhecem como o Professor Iluminado, de mente liberal e compassivo.

Sukho Buddhanam Uppado’ – ‘Feliz é o nascimento dos Buddhas’. (Dhammapada 194)

Buddha foi uma incarnação de Deus?

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O Buddha nunca afirmou que era o filho ou mensageiro de qualquer Deus

O Buddha foi um ser humano único que se iluminou. Não teve ninguém que pudesse considerar seu professor. Por meio de Seus próprios esforços Ele praticou perfeitamente os dez paramitas – qualidades supremas de generosidade, disciplina, renúncia, sabedoria, energia, resistência, veracidade, determinação, boa vontade e equanimidade. Por meio de Sua purificação mental, Ele abriu as portas para todo o conhecimento. Conheceu todas as coisas a serem conhecidas, cultivou todas as coisas a serem cultivadas e destruiu todas as coisas a serem destruídas. De fato, é difícil compará-Lo com outros mestres religiosos em termos de cultivo da mente, pureza mental e sabedoria suprema.

Tão especial foi Ele e tão eletrizante Sua mensagem que muitas pessoas perguntavam ‘O que Ele era (e não tanto Quem era)’. A pergunta ‘Quem Ele era’ seria com relação ao Seu nome, origem, ancestrais, etc., mas ‘O que Ele era’ se referia à ordem de seres a qual pertenceria. Tão ‘divino’ e inspirado era Ele que mesmo durante Sua vida, numerosas tentativas aconteceram de torná-Lo num deus ou numa reencarnação de um deus. Ele nunca concordou em ser considerado assim. No Anguttara Nikaya, Ele diz: “Não sou de fato um deva nem qualquer outra forma de ser divino, nem sou um ser humano comum. Saibam que sou o Buddha, o Desperto”. Após a Iluminação, o Buddha não mais poderia ser classificado mesmo como um ‘manusya’ ou um ser humano comum. Ele pertencia ao Buddha wangsa, uma classe especial de seres iluminados, todos sendo Buddhas.

Os Buddhas aparecem neste mundo de tempos em tempos. Mas algumas pessoas possuem uma ideia errada de que seja o mesmo Buddha que reencarna ou que aparece no mundo repetidamente. De fato, não é a mesma pessoa, pois senão não haveria lugar para outros atingirem o estado de Buddha. Os buddhistas acreditam que qualquer um pode se tornar um Buddha se desenvolver suas qualidades até a perfeição e for capaz de remover sua ignorância completamente através de seus próprios esforços. Após a Iluminação, todos os Buddhas se tornam idênticos em seu atingimento e experiência do Nibbana.

Buddha foi uma incarnação de Deus? – 2

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Os seguidores de muitos grupos religiosos ortodoxos na Índia tentaram condenar o Buddha por causa de seus ensinamentos liberais e racionais que revolucionaram a sociedade indiana da época. Muitos O consideraram um inimigo, pois seus ensinamentos contradiziam tradições religiosas antigas; porém cada vez mais intelectuais, bem como pessoas de todos os níveis da sociedade, começaram a segui-Lo e a aceitar Seus ensinamentos. Alguns tentaram reduzir sua posição apresentando-O como uma reencarnação de um de seus deuses. Dessa maneira poderiam absorver o Buddhismo dentro sua religião. Até certo ponto essa estratégia funcionou na Índia pois, através dos séculos, contribuiu para a decadência e subsequente retirada do Buddhismo de sua terra de origem.

Mesmo hoje há certos grupos religiosos que tentam absorver o Buddha em suas fés como um meio de aumentar as conversões de buddhistas para as suas religiões. O modo como fazem isso é afirmando que o próprio Buddha predisse que outro Buddha apareceria neste mundo e que este último Buddha se tornaria muito popular. Um grupo até mesmo afirma que Jesus Cristo, que viveu 600 anos depois de Gotama Buddha, seria o último Buddha. Outro grupo diz que o próximo Buddha surgiu no Japão no Século 13. Ainda outro grupo acredita que seu fundador veio da linhagem de grandes mestres, como Gotama e Jesus. Tais grupos aconselharam os buddhistas a abandonar seu ‘velho’ Buddha e a seguir o assim chamado novo Buddha. Ao mesmo tempo em que é bom vê-los dando ao Buddha o mesmo status que dão aos seus próprios mestres religiosos, sentimos que essas tentativas de absorver o Buddhismo em outra fé por meio de uma deturpação da verdade são de um extremo mau gosto.

Aqueles que proclamaram que o novo Buddha já chegou deturpam o que o Buddha disse. Embora o Buddha tenha predito a vinda do próximo Buddha, Ele mencionou algumas condições que teriam que estar presentes antes disso ser possível. É da natureza do estado de Buddha que o próximo Buddha não apareça enquanto a dispensação do Buddha atual ainda exista. Ele aparecerá somente quando as Quatro Nobres Verdades e o Caminho Óctuplo forem completamente esquecidos. As pessoas vivendo então deverão ser guiadas apropriadamente para que possam entender a mesma Verdade ensinada pelos Buddhas anteriores. Ainda vivemos dentro da dispensação de Gotama, o Buddha. Apesar da conduta moral das pessoas, com algumas poucas exceções, ter se deteriorado, o próximo Buddha somente aparecerá num período incalculável no futuro quando o Caminho para o Nibbana estiver completamente perdido para a humanidade e quando as pessoas estiverem novamente prontas para recebê-Lo.

Alguns já começaram a erigir estátuas do futuro Buddha e a adorá-lo e rezar para ele por causa dessa crença. Eles desenharam a imagem e as características de tal Buddha de acordo com sua própria imaginação.