Capítulo 10

Adoradores de Ídolos? – 4

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Não somente em cor e verso os homens expressaram sua fé no Buddha e na graciosidade de seus Ensinamentos. Mãos humanas forjaram metal e pedra para produzir a imagem do Buddha – que é uma das maiores criações do gênio humano. Testemunhem a famosa imagem do Abhayagiri Vihara no Sri Lanka, ou a imagem do Buddha de Sarnath, ou as celebradas imagens de Borobudur. Os olhos estão cheios de compaixão e as mãos expressam o destemor, a boa vontade e as bênçãos; ou ainda revelam uma linha de pensamento ou clamam pelo testemunho da terra pela Sua grande busca pela Verdade. Aonde quer que o Dhamma tenha penetrado, a imagem do grande Mestre foi com ele, não apenas como um objeto de adoração, mas também como um objeto de meditação e reverência. ‘Nada conheço’, disse Keyserling, ‘de mais grandioso nesse mundo do que a figura do Buddha. É absolutamente a corporificação perfeita da espiritualidade no domínio do visível’.

Uma vida tão bela, um coração tão puro e bondoso, uma mente tão profunda e iluminada, uma personalidade tão inspiradora e altruísta – tal vida perfeita, tal coração compassivo, tal mente calma e serena personalidade é realmente merecedora de respeito, merecedora de louvor e merecedora de oferendas. O Buddha é a maior perfeição da humanidade.

A imagem do Buddha é o símbolo, não de uma pessoa, mas do estado de Buddha – aquilo que todos os homens podem atingir, embora poucos o façam. Pois o estado de Buddha não é para um, mas para muitos: ‘Os Buddhas das eras passados, os Buddhas que ainda não vieram, o Buddha da presente era; humildemente, a cada dia, eu louvo’.

Mas não é obrigatório que cada buddhista tenha uma imagem do Buddha para que possa praticar o Buddhismo. Aqueles que conseguem controlar mente e sentidos, podem certamente fazê-lo sem uma imagem como objeto. Se os buddhistas verdadeiramente desejarem ver o Buddha em todo seu esplendor majestoso e na beleza de Sua presença ideal, eles deverão traduzir Seus Ensinamentos para a prática em suas vidas diárias. É na prática de Seus Ensinamentos que eles se aproximam Dele e sentem o brilho maravilhoso de Sua imortal sabedoria e compaixão. Simplesmente respeitar as imagens sem seguir Seus Ensinamentos Sublimes não é o caminho para encontrar a salvação.

Devemos também nos esforçar para compreender o espírito do Buddha. Seu Ensinamento é o único modo de salvar esse mundo conturbado. Apesar das tremendas vantagens vindas da ciência e da tecnologia, as pessoas no mundo atualmente estão cheias de medo, ansiedade e desespero. A resposta para nosso mundo turbulento é encontrada nos Ensinamentos do Buddha.

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O Significado Religioso do Jejum

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Muitas pessoas no mundo enfrentam a morte prematura devido à alimentação excessiva

No Buddhismo, o jejum é reconhecido como um dos métodos para a prática do autocontrole. O Buddha aconselhou aos monges para não comerem alimentos sólidos após o meio-dia. Os laicos que observam os Oito Preceitos nos dias de lua cheia também se abstêm de qualquer alimento sólido após o meio-dia.

Os críticos, por vezes, julgam tais práticas como manias religiosas. Elas não são manias religiosas, mas práticas baseadas num insight moral e psicológico.

No Buddhismo, o jejum é um estágio inicial para a autodisciplina destinada a conquistar o autocontrole. Em todas as religiões há um sistema de jejum. Jejuando e sacrificando uma refeição ao dia, ou por um período qualquer, podemos contribuir com nosso alimento para aqueles que estão famintos ou que não têm nem mesmo uma refeição apropriada por dia.

Um homem que come muito’, escreve Leo Tolstoy, ‘não consegue lutar contra a preguiça, enquanto que um homem glutão e desocupado jamais será capaz de enfrentar a paixão sexual. Portanto, de acordo com todos os ensinamentos morais, o esforço dirigido ao autocontrole começa com uma luta contra a paixão da gula – começa com o jejum. Como a primeira condição para uma boa vida é o autocontrole, assim a primeira condição de uma vida de autocontrole é o jejum’.

Em vários países, sábios que praticam o autocontrole começam com um sistema de jejum regulado e são bem sucedidos em atingir inacreditáveis alturas na espiritualidade. Um asceta foi chutado e torturado, suas mãos e pés foram cortados sob as ordens de um rei imoral, mas o asceta, de acordo com a história buddhista, suportou a tortura com equanimidade e sem a menor raiva ou ódio. Tais pessoas religiosas desenvolveram seu poder mental por meio da restrição quanto à indulgência sensual.

Vegetarianismo

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Não se deveria julgar a pureza ou a impureza de um homem somente observando o que ele come.

No Amagandha Sutta, o Buddha disse:

Nem carne, nem jejum, nem nudez,
Nem cabeça raspada, nem cabelos presos, nem sujeira,
Nem pele rude, nem adoração ao fogo,
Nem todos os ascetismos aqui neste mundo.
Nem hinos, nem oblação, nem sacrifício,
Nem festas da estação,
Purificarão um homem preso na dúvida
” [1] .

Comer peixe e carne em si mesmo não faz com que um homem se torne impuro. Um homem se torna impuro pela intolerância, fraude, inveja, auto-exaltação, depreciação e outras intenções maléficas. Por meio de seus próprios pensamentos e ações maléficos, o homem se torna impuro. Não há uma regra estrita no Buddhismo que diga que os seguidores do Buddha não devam comer peixe ou carne. O único conselho dado pelo Buddha é o de que não deveriam se envolver na matança intencional ou o de não pedir para que outros matem qualquer ser vivo para eles. Entretanto, aqueles que se alimentam de vegetais e se abstêm da carne animal são louvados.

Embora o Buddha não advogasse o vegetarianismo para os monges, Ele aconselhou aos monges de evitar dez tipos de carne para seu respeito próprio e proteção. Eles são a carne humana, de elefantes, de cavalos, de cachorros, de cobras, de leões, de tigres, de leopardos, de ursos e de hienas. Alguns animais atacam pessoas quando sentem o cheiro de carne fresca da sua própria espécie (Vinaya Pitaka).

Quando Devadatta, um de Seus discípulos, pediu ao Buddha para introduzir o vegetarianismo entre Seus discípulos (monges) o Buddha se recusou. Como o Buddhismo é uma religião livre, Seu conselho foi deixar a decisão sobre o vegetarianismo para cada discípulo individual. Isto mostra claramente que o Buddha não considerou aquilo como uma observância religiosa muito importante. O Buddha nada mencionou sobre o vegetarianismo para os buddhistas laicos em Seu Ensinamento.

Jīvaka Komarabhacca, o médico, discutiu esse assunto controverso com o Buddha: “Senhor, tenho ouvido que animais têm sido mortos de propósito para o recluso Gotama, e que o recluso Gotama come conscientemente a carne morta para ele. Senhor, aqueles que dizem que animais tem sido mortos de propósito para o recluso Gotama e que o recluso Gotama come conscientemente a carne morta para ele, eles acusam falsamente o Buddha? Ou eles falam a verdade? Suas declarações e suplementos não estão sujeitas a serem ridicularizadas por outros de alguma forma?

Jīvaca, aqueles que dizem: ‘Animais têm sido mortos de propósito para o recluso Gotama, e o recluso Gotama come conscientemente a carne morta para ele’ não falam de acordo com aquilo que declarei, e me acusam falsamente. Jīvaca, declarei que não se deveria ffazer uso da carne se fosse visto, ouvido ou se tivesse a suspeita de que havia sido morta de propósito para alimentar um monge. Eu permito que os monges comam carne que seja bastante pura em três aspectos: se não foi vista, ouvida ou se não houvesse suspeita de que foi morta de propósito para a alimentação de um monge” (Jīvaca Sutta)

Em certos países, os seguidores da escola Mahāyāna do Buddhismo são estritamente vegetarianos. Ao mesmo tempo em que apreciamos sua observância em nome da religião, gostaríamos de indicar que eles não deveriam condenar o que não são vegetarianos. Eles devem se lembrar de que não há nenhum preceito nos Ensinamentos originais do Buddha que requeira que todos os buddhistas sejam vegetarianos. Devemos nos lembrar de que o Buddhismo é conhecido como o Caminho do Meio. É uma religião liberal e o conselho do Buddha era de que não era necessário chegar a extremos a fim de praticar Seus Ensinamentos.

Somente o vegetarianismo não ajuda um homem a cultivar suas qualidades humanas. Há pessoas gentis, humildes, educadas e religiosas entre os não-vegetarianos. Portanto, não se deveria aprovar a declaração de que um homem puro e religioso deva praticar o vegetarianismo.

Por outro lado, se alguém pensa que as pessoas não possam ter uma vida saudável sem comer peixe e carne, daí não se segue necessariamente que esteja correto uma vez que há milhões de vegetarianos puros em todo o mundo que são mais fortes e saudáveis que os que comem carne.

Pessoas que criticam buddhistas que comem carne não compreendem a atitude buddhista com relação à comida. Um ser vivo precisa de alimento. Comemos para viver. Dessa forma um ser humano deve suprir seu corpo com o alimento de que necessita para se manter saudável e prover energia para trabalhar. Entretanto, como resultado do aumento da riqueza, mais e mais pessoas, especialmente nos países desenvolvidos, comem simplesmente para satisfazer seus paladares. Se alguém anseia por qualquer tipo de alimento ou mata para satisfazer sua ânsia por carne, isso é errado. Mas se alguém come sem ganância e sem estar diretamente envolvido no ato da matança, mas meramente para sustentar seu corpo físico, ele está praticando a auto-restrição.

[1] Nota do tradutor: Estas práticas mencionadas eram tidas por alguns como purificadoras.

A Lua e as Observâncias Religiosas

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Os eventos notáveis na vida do Buddha ocorreram em dias de lua cheia

Muitas pessoas gostariam de conhecer o significado religioso dos dias de lua cheia e de lua nova. Para os buddhistas, há um significado especial para os dias de lua cheia pois certos eventos importantes e notáveis conectados à vida do Senhor Buddha tiveram lugar nesses dias. O Buddha nasceu em um dia de lua cheia. Sua renúncia ocorreu numa lua cheia. Sua Iluminação, Seu primeiro sermão, Sua passagem para o Nibbāna e muitos outros eventos importantes associados com Sua vida de 80 anos, ocorreram em dias de lua cheia.

Os buddhistas de todo o mundo têm uma alta consideração por esses dias. Eles os celebram com fervor religioso por meio da observação dos preceitos, prática da meditação e se mantendo afastados da vida mundana sensual. Nesse dia, eles dirigem sua atenção para o desenvolvimento espiritual. Além dos buddhistas, entende-se que outros religiosos também acreditam em algum significado religioso relacionado às várias fases da lua. Eles também observam certas disciplinas religiosas, tais como o jejum e a prece nos dias de lua cheia.

Antigas crenças na Índia dizem que a lua é a controladora das águas, e ao circular pelo universo, sustentando todas as criaturas vivas, ela é a contraparte, na Terra, da bebida celestial, ‘amṛta’, o néctar dos deuses. Orvalho e chuva se tornam a seiva vegetal, a seiva se torna o leite da vaca, e o leite é então convertido no sangue – água de Amṛta, seiva, leite e sangue, representam apenas diferentes estados de um mesmo elixir. O receptáculo ou taça desse fluido imortal é a lua.

Acredita-se que a lua, como os outros planetas, exerça uma influência, em grau considerável, sobre os seres humanos. Foi observado que pessoas sofrendo de problemas mentais invariavelmente têm suas paixões e emoções afetados durante os dias de lua cheia. A palavra ‘lunático’, derivada da palavra ‘lunar’ (da lua), é bastante significativa e indica muito claramente a influência da lua sobre a vida humana. Algumas pessoas, sofrendo de várias formas de doença, invariavelmente vêem suas doenças agravadas durante tais períodos. Pesquisadores têm descoberto que certas fases da lua não somente afetam humanos e animais, mas também influenciam a vida das plantas e outros elementos. Marés baixas e altas são um resultado direto da tremenda influência da lua.

Nosso corpo humano consiste de cerca de setenta por cento de líquido. É aceito pelos médicos que nossos fluidos corporais fluem mais livremente no período da lua cheia. Pessoas que sofrem de asma, bronquite e mesmo algumas doenças de pele, têm suas doenças agravadas sob a influência da lua. Mais de cinco mil anos atrás, as pessoas já reconheciam a influência da lua nas plantações. Os fazendeiros observavam atentamente a influência da lua em suas colheitas. Eles sabiam que certos grãos e lavouras seriam afetados se a floração ocorresse durante um período de lua cheia. A ciência médica comprovou também as diferentes reações a certos medicamentos sob diferentes fases da lua, devido à influência desta nos seres humanos.

Em vista da possível influência da lua, os antigos sábios aconselhavam as pessoas a se absterem de vários compromissos nesse dia em particular, mantendo-se relaxadas nesses dias. Elas eram aconselhadas a relaxarem suas mentes e devotarem seu tempo a tarefas espirituais. Todos aqueles que desenvolveram suas mentes até um certo nível podem atingir a iluminação uma vez que o cérebro está num estado desperto. Aqueles que não treinaram suas mentes por meio de uma disciplina religiosa estão propensos a se sujeitarem à forte influência da lua. O Buddha atingiu Sua Iluminação num dia de lua cheia pois tinha desenvolvido e harmonizado sua mente corretamente durante um longo período.

A Lua e as Observâncias Religiosas – 2

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Antigamente, os dias de lua cheia e lua nova eram declarados como sendo feriados públicos em muitos países buddhistas e as pessoas eram encorajadas a dedicarem seu tempo ao desenvolvimento espiritual. Foi somente durante o período colonial que os feriados foram substituídos pelos domingos. Por essa razão, alguns países buddhistas tentam agora reintroduzir o antigo sistema lunar para os feriados. É recomendável observar o dia de lua cheia como um feriado religioso a fim de se concentrar na paz e na felicidade através da tranqüilização dos sentidos. Muitos buddhistas observam os oito preceitos nos dias de lua cheia; longe dos compromissos familiares e afastados dos prazeres mundanos eles podem cultivar a paz mental para o benefício de seu desenvolvimento espiritual. O efeito da lua cheia na vida e na terra foi analisado cientificamente:

Um escritor disse: “Li recentemente um artigo numa revista científica americana, onde o autor apresentou a pesquisa recente sobre a lua a fim de provar quão decisivo é este antigo objeto celeste em sua influência sobre nossas vidas, particularmente em cada uma das quatro fases pelas quais passa em seu ciclo de 28 dias”.

Essa pesquisa, aliás, foi realizada nas universidades americanas de Yale, Duke e Northwestern, e ‘independentemente’ chegaram à surpreendente evidência de que a lua ocupa um papel significativo em nossa vida diária e, de fato, nas vidas de todos os seres vivos.

Estamos certos de que não há nada de muito oculto nesse fenômeno uma vez que as fases da lua, de fato, estimulam várias ações corporais como a modificação do metabolismo, mudanças elétricas e na acidez no sangue.

Um dos experimentos-chave realizados a fim de estabelecer esse fato foi o de tentar enganar caranguejos, ratos e algumas plantas. Todos foram colocados em compartimentos onde as condições do tempo não poderiam afetá-los, mas permaneciam sujeitos à pressão do ar, umidade, luz e temperatura sob condições controladas.

As centenas de observações revelaram um fato notável, a saber, o de que todos os animais e plantas operavam num ciclo de 28 dias. O metabolismo, que se descobriu baixar na época da lua nova, aumentava em 20% na fase da lua cheia. Essa diferença é tida como como uma variação notável.

Certa vez, uma enfermeira na Flórida disse a um médico que ela notava muito mais sangramento ocorrendo quando a lua estava cheia. Como todos os médicos que são céticos sobre tais crenças, ele riu dessa declaração.

Mas a enfermeira, impassível, apresentou os relatórios de operações cirúrgicas, os quais claramente mostravam que, durante a lua cheia, mais pacientes voltavam ao centro cirúrgico do que em qualquer outra época a fim de se tratar por causa do excesso de sangramento pós-operatório. O médico começou, então, a observar por si mesmo e chegou à mesma conclusão. Quando consideramos todas essas ocorrências, podemos compreender porque nossos antepassados e mestres religiosos nos aconselharam a mudar nossa rotina diária e relaxar física e mentalmente nos dias de lua cheia e lua nova. A prática da religião é o método mais apropriado para as pessoas experienciarem a paz mental e o relaxamento físico. Os buddhistas meramente seguem a sabedoria do passado quando dedicam mais tempo a atividades de natureza espiritual nos dias de lua nova e lua cheia.