Capítulo 10

Natureza da Vida Moderna – III

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Se praticar a meditação, você poderá aprender a se comportar como um cavalheiro mesmo se perturbado por outros. Por meio da meditação poderá aprender a relaxar o corpo e a acalmar a mente; poderá aprender a estar tranquilo e feliz dentro de si.

Como um motor se aquece e se danifica quando ligado por um tempo prolongado, necessitando resfriar para superar isso, assim também a mente se sobrecarrega quando a sujeitamos a um esforço mental prolongado, e é somente por meio da meditação que o relaxamento ou resfriamento pode ser conquistado. A meditação fortalece a mente para que consiga controlar a emoção humana quando perturbada por pensamentos e sentimentos negativos como ciúmes, raiva, orgulho e inveja.

Se praticar a meditação, você poderá aprender a tomar a decisão apropriada quando estiver diante de uma encruzilhada em sua vida e se sentir perdido sobre que caminho tomar. Tais qualidades não podem ser compradas em lugar algum. Nenhum dinheiro ou propriedade poderá comprar essas qualidades; mas você poderá atingi-las por meio da meditação. E, no final, o objeto último da meditação buddhista é erradicar todas as impurezas da mente e atingir a meta final – Nibbāṇa.

Hoje em dia, entretanto, a prática da meditação foi abusada pelas pessoas. Elas querem resultados imediatos e rápidos, da mesma forma como esperam retornos rápidos para tudo o que fazem na vida diária. No Buddhismo, como é o caso com outras culturas orientais, a paciência é uma qualidade muito importante. A mente deve ser trazida sob controle vagarosamente e não se deve tentar alcançar os estados mais altos sem um treinamento apropriado. Já ouvimos sobre rapazes e garotas excessivamente entusiasmados e que literalmente ficaram perturbados em suas mentes porque adotaram atitudes erradas em relação à meditação. Meditação é um modo gentil de conquistar as impurezas que poluem a mente. Se as pessoas querem ‘sucesso’ ou ‘aquisição’ a fim de se vangloriar para os outros por terem atingido esse ou aquele nível de meditação, elas estão abusando do método de cultura mental. É preciso se treinar na moralidade e se deve entender claramente que, a fim de se ter sucesso na disciplina da meditação, as conquistas mundanas não podem ser comparadas ao desenvolvimento espiritual. Idealmente, é bom trabalhar junto a um professor experiente que ajudará seu aluno a se desenvolver ao longo do caminho correto. Mas, acima de tudo, nunca se deve ter pressa em alcançar demais e muito rápido.

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O Significado dos Cânticos Paritta – I

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O cântico paritta é a recitação de alguns dos suttas pronunciados pelo Buddha na língua pāli para abençoar e proteger os devotos

O cântico paritta ou cântico de suttas é uma bem conhecida prática buddhista conduzida em todo o mundo, especialmente nos países buddhistas Theravāda, onde a língua pāli é usada para recitações. Muitas dessas são de importantes suttas contendo ensinamentos básicos do Buddha e que foram selecionados por Seus discípulos. Originariamente, esses suttas foram gravados em folhas de ola há mais de dois mil anos. Mais tarde foram compilados num livro conhecido como ‘Livro de Cânticos Paritta’. Os nomes dos livros originais dos quais esses suttas foram selecionados são Anguttara Nikāya, Majjhima Nikāya, Dīgha Nikāya, Samyutta Nikāya e Khuddaka Nikāya no Sutta Piṭaka.

Os suttas que os buddhistas recitam para proteção são conhecidos como Cânticos Paritta. Aqui, ‘proteção’ significa nos proteger de várias formas de maus espíritos, infortúnio, doenças e influências de sistemas planetários, bem como instigar a confiança na mente. O som vibrante dos cânticos cria uma atmosfera bem agradável no ambiente. O ritmo dos cânticos é também importante. É possível notar que quando os monges recitam tais suttas, diferentes entonações são adotadas para se harmonizar com os diferentes suttas destinados a diferentes propósitos. Muito cedo no desenvolvimento espiritual do homem foi compreendido que certos ritmos da voz humana poderiam produzir estados psicológicos significativos de paz e serenidade nas mentes dos ouvintes ardentes. Além disso, a entonação em certos níveis agradaria aos devas, enquanto certos ritmos poderiam criar uma boa influência sobre os seres mais inferiores como animais, cobras e mesmo espíritos ou fantasmas. Portanto, um ritmo suave e correto é um aspecto importante dos Cânticos Paritta.

O uso desses ritmos não está confinado ao Buddhismo somente. Em toda religião, quando os seguidores recitam suas orações usando os livros sagrados, eles seguem certos ritmos. Podemos observar isso quando ouvimos a leitura do Corão pelos muçulmanos e os Mantras Védicos cantados pelos sacerdotes hindus na língua sânscrita. Alguns cânticos adoráveis são também cantados por certos grupos cristãos, especialmente os católicos romanos e os gregos ortodoxos.

O Significado dos Cânticos Paritta – II

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Quando os suttas são cantados, três grandes e poderosas forças são ativadas. Essas são as forças do Buddha, Dhamma e Sangha. O Buddhismo é a combinação dessas ‘Três Jóias’ e quando invocadas juntas podem trazer bênçãos à humanidade.

(1) Buddha. Ele cultivou todas as grandes virtudes, sabedoria e iluminação, desenvolveu Seu poder espiritual e nos deu Seus nobres Ensinamentos. Embora a presença física do Mestre não estar mais conosco, Seus Ensinamentos permaneceram para o benefício da humanidade. Similarmente, o homem que descobriu a eletricidade não está mais conosco, mas usando de seu conhecimento, o efeito de sua sabedoria ainda permanece. A iluminação que desfrutamos hoje é o resultado de sua sabedoria. Os cientistas que descobriram a energia atômica não estão mais vivos, mas o conhecimento para usá-la permanece entre nós. Da mesma forma, os Nobres Ensinamentos que recebemos por meio da sabedoria e iluminação do Buddha são um poder muito efetivo do qual as pessoas podem retirar inspiração. Quando se lembra Dele e O respeita, você desenvolve a confiança Nele. Quando recita ou ouve as palavras proferidas por Ele, você  invoca o poder de Suas bênçãos.

(2) Dhamma. É o poder da verdade, justiça e paz descobertos pelo Buddha, provendo consolo espiritual para os devotos manterem a paz e a felicidade. Ao desenvolver sua compaixão, devoção e entendimento, esse poder do Dhamma te protege e ajuda a desenvolver mais confiança e força em sua mente. Então, sua própria mente se torna uma poderosa força para sua própria proteção. Quando é sabido que você mantém o Dhamma, as pessoas e os outros seres irão respeitá-lo. O poder do Dhamma o protege de vários tipos de influências ruins e forças maléficas. Aqueles que não conseguem compreender sobre o poder do Dhamma e sobre como viver de acordo com o Dhamma, invariavelmente se rendem a todas as formas de crenças supersticiosas e sujeitam-se às influências de muitos tipos de deuses, espíritos e poderes místicos que lhes requerem executar ritos e rituais estranhos. Assim fazendo, somente desenvolvem mais medo e desconfiança nascida da ignorância. Grande quantidade de dinheiro é gasta em tais práticas e isso poderia ser facilmente evitado se as pessoas desenvolvessem sua confiança no Dhamma. Dhamma é também descrito como ‘natureza’ ou ‘fenômeno natural’ e ‘lei cósmica’. Aqueles que aprenderam a natureza dessas forças podem proteger a si mesmos por meio do Dhamma. Quando a mente está calma por meio do perfeito conhecimento, as perturbações não podem criar medo na mente.

(3) Sangha. Isso se refere à ordem sagrada dos monges que renunciaram sua vida mundana em favor do desenvolvimento espiritual. Eles são considerados como discípulos de Buddha, que cultivaram grandes virtudes a fim de atingir o estado de santidade ou de Arahant. Prestamos respeito à comunidade da Sangha como mantenedores do Buddha Sāsana ou aqueles que protegeram e introduziram o Dhamma ao mundo ao longo de 2500 anos. Os serviços prestados pela comunidade da Sangha têm guiado a humanidade no sentido de levar uma vida correta e nobre. Eles são o elo vivo com o Iluminado, trazendo Sua mensagens a nós por meio da recitação das palavras proferidas por Ele.

O Significado dos Cânticos Paritta – III

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A recitação de suttas para bênçãos começou durante o tempo de Buddha. Mais tarde, em alguns países buddhistas, como o Sri Lanka, Thailândia e Birmânia, esta prática foi desenvolvida ainda mais com a organização de prolongados cânticos por toda uma noite ou por vários dias. Com grande devoção, os devotos participavam de sessões de cânticos ouvindo-os atenta e inteligentemente. Em algumas ocasiões, o Buddha e Seus discípulos cantavam suttas a fim de levar consolo espiritual às pessoas atingidas por epidemias, fome, doenças e outros desastres naturais. Em uma ocasião, quando uma criança foi relatada como sendo aflita por influências maléficas, o Buddha instruiu Seus monges a recitarem suttas que dessem proteção à criança.

Um serviço de bênçãos, através dos cânticos, era efetivo. Claro, havia ocasiões quando o cântico de suttas não podia ser efetivo caso a vítima houvesse cometido algum forte mau kamma. Ainda assim, certos efeitos menores de maus kammas podem ser superados pelo poder vibrante combinado com as grandes virtudes e a compaixão daquelas pessoas santas que cantam esses suttas. Aqui, a superação de um efeito do mau kamma não significa a completa erradicação do efeito, mas somente uma suspensão temporária de tal efeito.

Devotos que estavam cansados ou fatigados experimentavam alívio e calma após ouvir ao cântico dos suttas. Tal experiência é diferente daquela oferecida pela música pois esta pode criar excitação em nossa mente e manipular nossas emoções, mas sem criar a devoção e confiança espiritual.

Pelos últimos 2500 anos, os devotos buddhistas experimentaram os bons efeitos do cântico de suttas. Deveríamos tentar compreender como e porquê as palavras proferidas pelo Buddha para fins de abençoar poderiam ser tão efetivas mesmo depois de Sua morte. É mencionado no ensinamento de Buddha que desde quando teve a aspiração de se tornar um Buddha durante Seus nascimentos anteriores, Ele se manteve firmemente estabelecido num princípio em particular, a saber, abster-se de ‘dizer mentiras’. Sem ofender ou empregar mal Suas palavras, Ele falava gentilmente sem ferir os sentimentos dos outros. O poder da Verdade se tornou uma fonte de poder nas palavras proferidas com grande compaixão pelo Buddha. Entretanto, somente o poder da palavra do Buddha não é suficiente para assegurar as bênçãos quando não acompanhadas de devoção e entendimento dos devotos.

O efeito milagroso experienciado por muitas pessoas em se livrar de suas doenças e muitas outras perturbações mentais por meio dos suttas buddhistas, capacita-as a desenvolver sua fé e confiança nessa forma de serviço religioso.

Adoradores de Ídolos? – 1

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Os Buddhistas são Adoradores de Ídolos?

Os buddhistas não são adoradores de ídolos, mas adoradores ideais.

Entre os buddhistas, embora seja costumeiro manter imagens do Buddha e prestar seus respeitos ao Buddha, os buddhistas não são adoradores de ídolos. Idolatria geralmente significa erigir imagens de desconhecidos deuses e deusas, em várias formas e tamanhos, e rezar diretamente para essas imagens. As orações são pedidos aos deuses por orientação e proteção. Os deuses e deusas são requisitados a conceder saúde, riqueza, propriedades e a proverem várias de suas necessidades; pede-se para perdoarem as transgressões.

Louvar’ a imagem do Buddha é bastante diferente. Os buddhistas reverenciam a imagem do Buddha como uma atitude em relação ao maior, mais sábio, mais benevolente, compassivo e sagrado homem que já viveu nesse mundo. É um fato histórico que esse grande homem realmente viveu nesse mundo e prestou um grande serviço à humanidade. Louvar o Buddha significa realmente prestar homenagem, veneração e devoção a Ele e ao que Ele representa, e não a uma pedra ou figura de metal.

A imagem é uma ajuda visual que ajuda a mantermos o Buddha em nossa mente e para lembrar de Suas grandes qualidades que inspiraram milhões de pessoas, de geração em geração, por todo o mundo civilizado. Os buddhistas usam a estátua como um símbolo e como um objeto de concentração para obter uma paz na mente. Quando os buddhistas olham para a imagem do Buddha, eles colocam de lado pensamentos de conflito e pensam somente na paz, na serenidade, na calma e na tranqüilidade. A estátua capacita a mente a recordar esse grande homem, inspirando os devotos a seguir Seu exemplo e instruções. Em suas mentes, os devotos buddhistas sentem a presença viva do Mestre. Esse sentimento torna o ato de louvor algo vívido e significativo. A serenidade da imagem do Buddha influencia e inspira para que observem o caminho correto de conduta e pensamento.

Um buddhista sabedor nunca pede favores à imagem nem solicita perdão pelas ações danosas cometidas. Um buddhista sabedor tenta controlar sua mente, seguindo o conselho do Buddha, a fim de se livrar das misérias mundanas e encontrar sua salvação.

Adoradores de Ídolos? – 2

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Aqueles que criticam os buddhistas por praticarem adoração de ídolos estão realmente interpretando mal o que os buddhistas fazem. Se as pessoas podem manter fotografias de seus pais e avós a fim de manterem vivas suas memórias; se as pessoas podem manter fotografias de reis, rainhas, primeiros-ministros, grandes heróis, filósofos e poetas – certamente não há razão para que os buddhistas não possam manter uma pintura ou imagem de seu amado Mestre a fim de se lembrar Dele e respeitá-Lo.

Qual dano se causa em recitar alguns versos elogiando as grandes qualidades de seu Mestre? Se as pessoas podem deixar grinaldas nos túmulos de seus entes queridos a fim de expressar gratidão, que mal há se os buddhistas também oferecem algumas flores, incenso, etc., para seu amado Mestre, o qual devotou toda sua vida a ajudar a humanidade sofredora? As pessoas fazem estátuas de certos heróis conquistadores, os quais, de fato, foram assassinos responsáveis pela morte de milhões de pessoas inocentes. Pela ânsia por poder, tais conquistadores cometeram o assassinato com ódio, crueldade e ganância. Invadiram países pobres e criaram sofrimentos inimagináveis ao tomar suas terras e propriedades, causando muita destruição. Muitos desses conquistadores são considerados heróis nacionais; serviços fúnebres são conduzidos em sua memória, flores são oferecidas em seus túmulos e tumbas. O que há de errado, então, se os buddhistas prestam seus respeitos ao Mestre honrado do mundo que sacrificou Seus prazeres mundanos pelo objetivo da Iluminação a fim de mostrar aos outros o Caminho de Salvação?

As imagens são a linguagem do subconsciente. Por isso, a imagem do Iluminado é freqüentemente criada dentro da mente como a corporificação da perfeição; a imagem penetrará profundamente na mente subconsciente e (se for suficientemente forte) agirá como um freio automático contra os impulsos. A recordação do Buddha produz alegria, revigora a mente e eleva o homem de estados de agitação, tensão e frustração. Assim, a adoração ao Buddha não é uma oração no sentido usual, mas uma meditação. Portanto, não é uma adoração a ídolos, mas uma adoração ‘ideal’. Os buddhistas conseguem, assim, encontrar uma força revitalizante para construir um santuário a partir de suas vidas. Eles limpam seus corações até se sentirem dignos de portar a imagem em seus santuários internos. Os buddhistas prestam respeitos à grande pessoa representada pela imagem. Tentam se inspirar por sua Nobre personalidade e imitá-Lo. Os buddhistas não vêem a imagem do Buddha como um ídolo morto de madeira, metal ou argila. A imagem representa algo vibrante para aqueles que compreendem e se purificam em pensamento, palavra e ação.

Adoradores de Ídolos? – 3

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As imagens do Buddha nada mais são que representações simbólicas de Suas grandes qualidades. Não é algo fora do normal que o profundo respeito pelo Buddha tenha sido expresso em belíssimas formas de arte e escultura como o mundo jamais conheceu. É difícil entender porque alguns menosprezam aqueles prestam homenagem a imagens que representam santos mestres religiosos.

A imagem calma e serena do Buddha tem sido um conceito padrão de beleza ideal. A imagem do Buddha é o bem mais precioso compartilhado pela cultura asiática. Sem a imagem do Buddha, onde encontraríamos uma personalidade serena, radiante e espiritualmente emancipada?

Mas a imagem do Buddha é apreciada não somente pelos asiáticos ou buddhistas. Anatole France, em sua autobiografia, escreveu: ‘No dia primeiro de maio de 1890, o acaso me levou a visitar o Museu de Paris. Lá, no silêncio e na simplicidade dos deuses da Ásia, meus olhos recaíram sobre a estátua do Buddha que incentivava a humanidade sofredora a desenvolver o entendimento e a compaixão. Se algum deus já andou sobre essa terra, eu senti que era Ele. Senti-me como me ajoelhando a Ele e orando a Ele como a um Deus’.

Certa vez um general deixou uma imagem do Buddha como um legado a Winston Churchill. O general disse: ‘Se alguma vez sua mente se perturbar e ficar confusa, quero que olhe para essa imagem e se conforte’. O que é isso que faz a mensagem do Buddha ser tão atraente para as pessoas que cultivaram seus intelectos? Talvez a resposta possa ser vista na serenidade da imagem do Buddha.