O Poder Milagroso – 2

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A seguinte história ilustra a atitude do Buddha em relação aos poderes milagrosos. Certo dia o Buddha encontrou um asceta sentado à margem de um rio. O asceta havia praticado austeridades por vinte e cinco anos. O Buddha lhe perguntou o que havia conquistado por meio de todo esse esforço. O asceta orgulhosamente respondeu que, finalmente, podia agora cruzar o rio andando sobre as águas. O Buddha lhe disse que esse ganho era insignificante se comparado a todos os anos de esforço, uma vez que qualquer um poderia cruzar o rio usando uma barca e pagando um centavo!

Em certas religiões, a execução de atos milagrosos pode ajudar alguém a ser declarado como um santo. Mas no Buddhismo, milagres podem ser um obstáculo para uma pessoa atingir o estado de santidade, o qual é um gradual atingimento pessoal e ocupação individual que resulta na completa erradicação das impurezas da mente. Cada pessoa por si mesma deve trabalhar para sua santidade por meio da autopurificação e ninguém pode transformar outra pessoa num santo.

O Buddha disse que uma pessoa pode conquistar o poder de milagres sem desenvolver o poder espiritual. Ele nos ensina que se conquistamos primeiramente o poder espiritual, então automaticamente recebemos os poderes milagrosos ou psíquicos também. Mas se desenvolvemos os poderes milagrosos sem o desenvolvimento espiritual, então, estamos em perigo. Podemos usar incorretamente esse poder para ganhos mundanos (pataligama-udana). Há muitos que se desviaram do caminho correto pelo uso de seus poderes milagrosos sem ter qualquer desenvolvimento espiritual. Muitas pessoas que supostamente obtiveram algum poder milagroso sucumbiram à glória vã de obter algum ganho mundano. Ainda pior, pessoas com poderes milagrosos sem o desenvolvimento espiritual podem se enganar pensando terem um poder divino.

Muitos dos chamados milagres declarados pelas pessoas são meramente imaginações e alucinações criadas por suas próprias mentes devido a uma falta de entendimento das coisas como realmente são. Todos esses milagres permanecem como milagres só enquanto elas fracassam em conhecer o que esses poderes realmente são.

O Buddha também proibiu expressamente Seus discípulos de usar os milagres a fim de provar a superioridade de Seus Ensinamentos. Em uma ocasião Ele disse que o uso de milagres para atrair conversões era como usar dançarinas para atrair pessoas a fim de fazerem algo. Qualquer um com o treinamento mental apropriado pode executar milagres, pois esses são simplesmente uma expressão da superioridade da mente sobre a matéria.

De acordo com o Buddha, o milagre da realização da Verdade é o único milagre. Quando um assassino, ladrão, terrorista, bêbado ou adúltero consegue compreender que aquilo que estava fazendo é errado e abandona seu modo de vida ruim, imoral e danoso, tal mudança pode ser considerada como um milagre. A mudança para melhor surgida de um entendimento da lei universal ou das ocorrências naturais do Dhamma é o maior milagre que qualquer pessoa pode fazer.

Um comentário em “O Poder Milagroso – 2

    Willian Oliveira Dos Santos disse:
    22 julho, 2012 às 9:22 pm

    o maior milagre que uma pessoa pode vivenciar é o da mudança de atitude…quando se compreende a mudança de caminho como uma mudança de vida e atitude.

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