Tudo é mutável

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O que existe é mutável e o que não é mutável não existe

Percebemos como a vida muda e como continuamente se move entre extremos e contrastes. Percebemos aparecimento e desaparecimento, sucessos e fracassos, perdas e ganhos; experimentamos elevação e oposição, elogio e censura; e sentimos como nossos corações respondem à felicidade e ao pesar, ao deleite e ao desespero, ao desapontamento e à satisfação, ao medo e à esperança. Essas ondas poderosas de emoção nos elevam, nos jogam para baixo, e tão logo encontramos algum descanso, já somos carregados pela força de uma nova onda. Como podemos esperar encontrar uma base segura no topo das ondas? Onde vamos erigir o edifício de nossa vida em meio a esse incansável oceano da existência?

Este é um mundo onde qualquer pequena alegria que é destinada aos seres é assegurada somente após muitos desapontamentos, fracassos e derrotas. Este é um mundo onde pouca alegria cresce entre doença, desespero e morte. Este é um mundo onde os seres que há pouco tempo estavam conectados a nós pela alegria simpatética num momento seguinte se encontram necessitando de nossa compaixão. Tal mundo necessita de equanimidade. É da natureza do mundo que aconteça de vivemos com nossos amigos íntimos, os quais poderão se tornar no dia seguinte em nossos inimigos que nos prejudicam.

O Buddha descreveu o mundo como um fluxo sem fim de vir-a-ser. Tudo é mutável, transformação contínua, mutação incessante e corrente que se move. Tudo existe de momento a momento. Tudo é uma rotação recorrente de surgir e desaparecer da existência. Tudo se move do nascimento à morte. A vida é um movimento contínuo de mudanças em direção à morte. A matéria, ou formas materiais, na qual a vida se expressa ou não, está também em contínuo movimento ou mudança em direção à decadência. Esse ensinamento da natureza impermanente de todas as coisas é um dos pivôs principais do Buddhismo. Nada na terra tem o caráter de realidade absoluta. Que não haja morte daquilo que nasceu é impossível. O que quer que seja sujeito à originação é sujeito também à destruição. A mudança é o próprio constituinte da realidade.

O Buddha nos lembrou que todas as coisas compostas existentes são impermanentes. Com nascimento, há morte; com surgimento, há dissolução; com reunião, há separação. Como pode haver nascimento sem morte? Como pode haver surgimento sem dissolução? Como pode haver reunião sem separação?

Ao declarar a Lei da Impermanência ou mudança, o Buddha nega a existência de substâncias eternas. Matéria e espírito são falsas abstrações que, na realidade, são somente fatores mutáveis (dhamma) que estão conectados e que surgem em dependência funcional um em relação ao outro.

Um comentário em “Tudo é mutável

    Índice « No Que Os Buddhistas Acreditam disse:
    20 dezembro, 2010 às 8:05 am

    […] Tudo é mutável […]

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