Renascimento -2

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A doutrina buddhista do renascimento deve ser diferenciada dos ensinamentos de transmigração e reencarnação de outras religiões. Ao contrário do Hinduísmo, o Buddhismo não confirma a existência de uma alma permanente, criada por deus, ou de uma entidade imutável que transmigra de uma vida para outra.

Assim como uma identidade relativa é tornada possível pela continuidade causal sem um Self ou Alma, da mesma forma a morte pode resultar em renascimento sem uma Alma transmigrante. Em uma única vida, cada momento-de-pensamento brilha e se apaga em termos de existência, dando surgimento ao seu sucessor e ao seu perecimento. Estritamente falando, esse momentâneo surgimento e desaparecimento de cada pensamento é um nascimento e uma morte. Dessa forma, em uma única vida passamos por incontáveis nascimentos e mortes a cada segundo. Mas porque o processo mental continua com o apoio de um único corpo físico, consideramos o contínuo mente-corpo como constituíndo uma única vida.

O que comumente queremos dizer com ‘morte’ é a cessação das funções vitais do corpo. Quando um corpo físico perde sua vitalidade ele não mais consegue sustentar a corrente de consciência, o lado mental do processo. Mas tanto quanto houver um apego à vida – um desejo de seguir existindo -, a corrente de consciência não tem uma parada com a perda de vida do corpo. Ao invés disso, quando a morte acontece, quando o corpo morre, a corrente mental, impulsionada pela sede por mais existência, jorrará novamente com o apoio de um novo corpo físico, um corpo que vêm à existência pelo encontro do esperma com o óvulo. Assim, concepção ocorre imediatamente após a morte, sem intervalos. O fluxo de memória pode ser interrompido e o sentido de identidade transferido para a nova situação, mas toda a acumulação de experiência e disposição pode ser transmitida para o novo ser, e o ciclo do vir-a-ser começa a girar por mais outro período.

Para o Buddhismo, portanto, a morte não implica na entrada na vida eterna ou na completa aniquilação. É, ao contrário, o portal para um novo renascimento, o qual será seguido por mais crescimento, decadência e, então, outra morte.

Ainda que haja um continuum mental, no último momento não ocorre, entretanto, nenhuma função física renovada na mente de uma pessoa que morre. É como um motorista que solta o acelerador antes de parar, de maneira que nenhuma força de arranque é dada ao motor. Similarmente, qualidades materiais do kamma não surgem mais.

2 comentários em “Renascimento -2

    Índice « No Que Os Buddhistas Acreditam disse:
    28 setembro, 2010 às 10:29 am

    […] Renascimento – 2 […]

    Daniel disse:
    14 setembro, 2013 às 12:02 am

    Muito legal e exclarecedor! parabéns

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