Eternalismo e Niilismo

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O Buddha rejeitou ambos os extremos: do eternalismo e do niilismo

Para desenvolver a Compreensão Correta ou Compreensão Perfeita, devemos primeiramente ter consciência das duas compreensões que são consideradas imperfeitas ou erradas. A primeira é a do eternalismo. Tal doutrina ou crença tem a ver com a vida eterna ou com coisas eternas. Antes do tempo do Buddha se pensava que havia uma entidade imutável que poderia existir para sempre e que os humanos poderiam viver a vida eterna por meio da preservação da alma eterna de maneira a estarem unidos a um Ser Supremo. No Buddhismo, esse ensinamento é chamado de sassata ditthi – a visão errônea dos eternalistas. Tais idéias ainda existem mesmo no mundo moderno devido ao desejo dos seres humanos pela vida eterna.

Porque o Buddha refutou o ensinamento do eternalismo? Porque quando entendemos as coisas desse mundo como realmente são, não conseguimos encontrar nada que seja permanente ou que exista para sempre. As coisas mudam e continuam assim de acordo com as condições mutáveis das quais dependem. Quando analisamos as coisas em seus elementos ou em sua realidade, não conseguimos encontrar nenhuma entidade que lá habite, nenhuma coisa que dure para sempre. Esse é o motivo porque a visão eternalista é considerada errônea ou falsa.

A segunda compreensão falsa é o niilismo ou a visão mantida pelos niilistas que clamam que não há vida após a morte. Essa idéia pertence a uma filosofia materialista que recusa aceitar o conhecimento da condicionalidade mental. Consentir com uma filosofia materialista é entender a vida somente parcialmente. O niilismo ignora o lado da vida que diz respeito à condicionalidade mental. Se alguém afirma que após a morte ou cessação de uma vida, esta não vem a ser novamente, a continuidade das condições mentais é negada. Para entender a vida, devemos considerar todas as condições, tanto mentais quanto materiais. Quando entendemos as condições mentais e materiais, não podemos dizer que não há vida após a morte e que não há um futuro vir-a-ser depois da morte. Essa visão niilista da existência é considerada falsa por ser baseada num entendimento incompleto da realidade. Esse é o motivo porque o niilismo foi também rejeitado pelo Buddha. O ensinamento do kamma prova que o Buddha não ensinou a aniquilação após a morte; o Buddhismo aceita a ‘sobrevivência’ não no sentido de uma alma eterna, mas no sentido de um vir-a-ser ou contínuo mental renovado.

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2 comentários em “Eternalismo e Niilismo

    Índice « No Que Os Buddhistas Acreditam disse:
    28 setembro, 2010 às 10:30 am

    […] Eternalismo e Niilismo […]

    Euler disse:
    8 abril, 2015 às 1:07 pm

    muito bom! o que é permanente é a mente sutil ou consciência pura!!!!

    Om Mani Padme Hum

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