A Atitude Buddhista quanto a Doação de Órgãos Humanos

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Do ponto de vista buddhista, a doação de órgãos após a morte, para o propósito de restaurar a vida de outro ser humano, claramente constitui um ato de caridade – o que forma a base ou fundação de um modo de vida espiritual ou religioso.

Dana é um termo pali no Buddhismo que significa caridade ou generosidade. A perfeição dessa virtude consiste em praticá-la de três formas, a saber:

1. Doar ou compartilhar de coisas materiais ou posses mundanas;
2. Oferecer os próprios órgãos do corpo;
3. Oferecer os próprios serviços para uma causa merecedora a fim de salvar a vida, mesmo com o risco de sacrificar a própria, com a finalidade do bem-estar e felicidade de outros em necessidade.

É por meio de atos de caridade que alguém é capaz de reduzir da mente os próprios motivos egoístas e começar a desenvolver e cultivar as grandes virtudes de bondade amorosa, compaixão e sabedoria.

O ensinamento do Buddha tem como propósito a redução do sofrimento aqui e agora, e pavimentar o caminho para a completa cessação de todas as formas de sofrimento.

O medo em participar de um ato nobre tal como a doação de órgãos jaz primariamente numa falta de entendimento da real natureza da existência.

Há algumas pessoas que acreditam que quando qualquer parte de seu corpo é removida, elas partirão sem aquele órgão para sua próxima vida ou não serão eleitas para entrar no reino do céu. Não há base racional para tais idéias.

Do ponto de vista buddhista a morte se dá quando a consciência deixa o corpo material que se desintegra. E é tal consciência de religação que determina a próxima vida. Algumas pessoas religiosas podem chamar essa consciência de religação de “alma”, enquanto outras podem chamar de “espírito” ou “energia mental”. Seja qual for o termo em uso, é claro que isso nada tem a ver com os componentes materiais do corpo, os quais por sua vez retornam para suas respectivas fontes de energia. O elemento terra retorna para o solo; o elemento água retorna para os rios; e os elementos calor e ar retornam para a atmosfera. Não importando quão bem o corpo seja preservado, seja num caixão de metal ou madeira, a decomposição do corpo é inevitável. É somente a consciência que vai para um novo renascimento.

Ao invés de permitir o órgão apodrecer e ser desperdiçado, a tecnologia e os métodos cirúrgicos atuais capacitaram que estruturas desses componentes, tais como o coração e outros órgãos, sejam usadas ou transplantadas para restaurar a vida.

Com o número crescente de falhas de órgãos ocorrendo no país, o tempo é chegado para que nossos membros públicos mais esclarecidos se levantem e sejam voluntários para a doação de órgãos após a sua morte em nome de uma causa justa.

É o dever de todas as pessoas conscientes se juntar nessa nobre causa de ajudar a aliviar a humanidade sofredora. Algum tempo atrás havia um decalque de carro que dizia: “Deixe seus órgãos para trás, Deus sabe que precisamos deles aqui”.

Um comentário em “A Atitude Buddhista quanto a Doação de Órgãos Humanos

    Divulgação Nalanda « E-Sangha Blog disse:
    15 setembro, 2009 às 8:03 pm

    […] A Atitude Buddhista quanto a Doação de Órgãos Humanos […]

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