Sem pecadores – 1

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No Buddhismo, más ações são meramente denominadas não-habilidosas ou insalubres, não pecaminosas

Buddhistas não consideram os humanos como sendo pecadores por natureza ou ‘em rebelião contra deus’. Cada ser humano é uma pessoa de grande valor que tem dentro dele ou dela um vasto depósito de bondade assim como de maus hábitos. O bem numa pessoa está sempre esperando por uma adequada oportunidade para florescer e amadurecer. Lembrem-se do ditado: ‘Há tanto que é bom no pior de nós, e tanto que é mau no melhor de nós’.

O Buddhismo ensina que todos são responsáveis por suas próprias ações boas e más. Diz o Buddha: ‘Essas ações maléficas foram feitas somente por você, não pelos seus pais, amigos ou parentes; e você mesmo irá colher os resultados dolorosos’ (Dhammapada 165).

Nosso pesar é nossa própria criação e não nos foi transmitido por uma maldição familiar ou por um pecado original de um ancestral mítico primitivo. Os buddhistas não aceitam a crença de que esse mundo é meramente um lugar de julgamento e teste. Este mundo pode ser tornado um lugar onde podemos atingir a mais alta perfeição. E perfeição é sinônimo de felicidade. Para o Buddha, os seres humanos não são um experimento vivo criado por alguém e que pode ser abandonado quando não mais desejado. Se um pecado pode ser perdoado, as pessoas poderiam tirar vantagem e cometer mais e mais pecados. Os buddhistas não têm motivo para acreditar que o pecador pode escapar das consequências de suas ações através da graça de um poder externo. Se enfiarmos a mão em um forno, a mão se queimará e todas as orações do mundo não removeriam as cicatrizes. O mesmo ocorre com a pessoa que anda sobre o fogo das ações maléficas. Isso não significa dizer que cada ação errônea automaticamente será seguida por uma reação previsível. As ações maléficas são estimuladas por maléficos estados da mente. Se alguém purifica a mente, então os efeitos das ações prévias podem ser reduzidos ou totalmente erradicados. A abordagem do Buddha para os problemas do sofrimento não é algo imaginário, especulativo ou metafísico, mas essencialmente empírico e imparcial.

De acordo com o Buddhismo, não há tal coisa como ‘pecado’, tal como explicado por outras religiões. Em tais religiões, o pecado é uma transgressão de uma lei disposta por um juiz Divino. Para os buddhistas, pecado é uma ação não-habilidosa ou insalubre – akusala kamma que cria papa – a queda das pessoas. O homem mau é alguém ignorante que necessita instrução ao invés de punição e condenação. Ele não é considerado como tendo violado a vontade de deus ou como uma pessoa que deve implorar pela misericórdia e perdão divinos. O que é preciso é somente orientação para a iluminação.

Tudo o que é necessário é alguém ajudá-lo a usar sua razão para perceber que ele é responsável por suas ações erradas e que ele deve pagar pelas consequências. Dessa forma, a crença na confissão é estranha ao Buddhismo, embora os buddhistas sejam encorajados a reconhecer suas ações erradas e se lembrar de não repetir seus enganos.

Um comentário em “Sem pecadores – 1

    Maria Eliane disse:
    4 julho, 2009 às 11:24 am

    …cada dia, lendo os Textos Buddhistas, experimento o quão são esclarecedores e leves…

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