Os seres humanos prendem a si mesmos

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Existe alguma verdade em nossa proposição de que deveríamos ter liberdade para fazer as coisas tal como queremos?

Quando consideramos a liberdade humana, é bastante difícil descobrir se somos realmente livres para fazer qualquer coisa de acordo com nossos próprios desejos. Estamos sujeitos a muitas condições, tanto externas como internas: pedem-nos para obedecer a leis que nos são impostas pelo governo; devemos seguir certos princípios religiosos; pedem-nos para cooperar com as condições morais e sociais da sociedade na qual vivemos; somos compelidos a seguir certos costumes e tradições nacionais e familiares. Na sociedade moderna, vivemos sob grande pressão; espera-se que nos conformemos através da adaptação à maneira moderna de viver. Precisamos cooperar com as leis naturais e as energias cósmicas, porque também somos parte da mesma energia. Estamos sujeitos às condições do tempo e clima da região. Não somente temos que prestar atenção à nossa vida ou aos elementos físicos, mas também temos que trabalhar para controlar nossas próprias emoções. Em outras palavras, não temos liberdade para pensar livremente porque estamos sobrecarregados por novos pensamentos que podem contradizer ou desacreditar nossos pensamentos e convicções anteriores. Ao mesmo tempo, podemos acreditar que temos que obedecer e trabalhar de acordo com a vontade de deus, e não seguir nosso próprio livre arbítrio.

Levando em consideração todas as mutáveis condições acima, às quais estamos sujeitos, podemos perguntar: “Existe alguma verdade em nossa proposição de que deveríamos ter liberdade para fazer as coisas tal como queremos?”.

Por que os seres humanos têm suas mãos tão firmemente atadas? A razão é que há vários maus elementos dentro deles. Tais elementos são perigosos e prejudiciais para todas as criaturas vivas. Pelos últimos milhares de anos, todas religiões têm tentado domar essa atitude não confiável, ensinando à humanidade como viver uma vida nobre. Mas é um infortúnio o fato de que ela ainda não está pronta para ser digna de confiança, ainda que pareça ser boa. Os seres humanos ainda continuam a abrigar todos esses elementos maléficos dentro de si mesmos. Esses elementos maléficos não são introduzidos ou influenciados por fontes externas, mas são criadas por eles próprios. Se essas forças maléficas são fabricadas por eles próprios, então são eles que devem trabalhar duro para se libertar delas após terem reconhecido seu perigo. Infelizmente, a maioria das pessoas é cruel, ardilosa, maliciosa, ingrata, não confiável e inescrupulosa. Se as pessoas pudessem viver de acordo com o próprio livre arbítrio, sem moderação e restrição, iriam certamente violar a paz e a felicidade de pessoas inocentes. Seu comportamento provavelmente seria muito pior do que o de outros seres vivos perigosos. A religião é necessária para treiná-los a levar uma vida respeitável e obter a paz e a felicidade aqui e depois.

Um outro obstáculo que impede a vida religiosa e o progresso espiritual é a arrogância racial. O Buddha aconselhou Seus seguidores a não estimular nenhum preconceito racial quando viessem praticar a religião. Os buddhistas são ensinados a esquecer sua própria origem racial e distinções de casta e classe, todas elas criadas pelas mentes iludidas que não conseguem ver a unidade essencial de tudo o que existe. As pessoas de todas as religiões não deveriam discriminar contra qualquer grupo de pessoas através da glorificação de seus próprios hábitos de vida. Deveriam tratar todos igualmente, especialmente no campo da religião. Infelizmente, seguidores de diferentes religiões encorajam a discriminação e a hostilidade contra outros grupos religiosos.
Enquanto trabalhando com outros, os verdadeiros discípulos não deveriam perturbar seus sentimentos por causa de suas tradições e costumes. Eles podem seguir as tradições e os costumes que são afins com os princípios religiosos e códigos morais de suas religiões.

A arrogância racial é um grande obstáculo para o progresso religioso e espiritual. O Buddha certa vez usou o símile da água do oceano para ilustrar a harmonia que pode ser experienciada pelas pessoas que aprenderam a afastar a arrogância racial: diferentes rios têm diferentes nomes. As águas de todos os rios individuais fluem para o oceano e se tornam a água do oceano, com um gosto, o gosto do sal. De uma maneira similar, todos aqueles que vêm de diferentes comunidades e diferentes castas, precisam esquecer suas diferenças e pensar neles mesmos somente como seres humanos.

Um comentário em “Os seres humanos prendem a si mesmos

    Nalanda Curitiba » Liberdade … disse:
    7 junho, 2009 às 1:49 pm

    […] em nossa proposição de que deveríamos ter liberdade para fazer as coisas tal como queremos? https://noqueosbuddhistasacreditam.wordpress.com/2008/06/30/os-seres-humanos-prendem-a-si-mesmos/ […]

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