Como Salvar a Si Mesmo – 1

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A própria pessoa, de fato, é seu próprio salvador, pois que outro haveria? Estando bem controlada o problema de buscar por um salvador externo é solucionado (Dhammapada 166)

Quando o Buddha estava prestes a morrer, Seus discípulos vieram de toda parte para estarem com Ele. Enquanto os outros discípulos estavam constantemente ao Seu lado e em profundo pesar devido a perda iminente de seu Mestre, um monge chamado Attadatta entrou em sua cela e praticou meditação. Os outros monges, pensando que ele não ligava para o bem-estar do Buddha, ficaram agitados e contaram para Ele. O monge, entretanto, se dirigiu ao Buddha assim: ‘Senhor, como o Bem-Aventurado em breve falecerá, pensei que a melhor forma de honrar o Bem-Aventurado seria atingindo o estado de Arahant ainda durante a vida do próprio Bem-Aventurado’. O Buddha louvou sua atitude e conduta e disse que o bem-estar espiritual de uma pessoa não deveria ser abandonado por causa de outros.

Nessa história se ilustra um dos aspectos mais importantes do Buddhismo. Uma pessoa deve estar constantemente alerta no sentido de buscar sua libertação do samsara; e sua salvação só pode ser alcançada por ela mesmo. Ela não pode buscar por nenhuma força ou agente externo para ajudá-la a atingir o Nibbana.

As pessoas que não compreendem o Buddhismo criticam esse conceito e dizem que o Buddhismo é uma religião egoísta que apenas fala sobre a própria libertação da dor e do pesar. Isso não é verdade de modo algum. O Buddha claramente diz que se deve trabalhar incessantemente para o bem-estar espiritual e material de todos os seres enquanto que, ao mesmo tempo, diligentemente se persegue seu próprio objetivo de atingir o Nibbana. O serviço altruísta é altamente recomendado pelo Buddha.

Também pessoas que não compreendem o Buddhismo podem perguntar: ‘Pode dar certo para seres humanos afortunados, em total comando de seus poderes mentais, buscar o Nibbana pelos seus próprios esforços; mas o que dizer daqueles que são mental, física ou mesmo materialmente deficientes? Como podem confiar em si mesmos? Eles não precisam da ajuda de alguma força externa, algum deus ou deva para assisti-los?’

A resposta para isso é que o Buddhismo não acredita que a libertação final deva necessariamente acontecer em uma única vida. O processo pode levar um longo tempo, no período de muitos nascimentos. É preciso se aplicar, no melhor de sua habilidade, e vagarosamente desenvolver os poderes da autoconfiança. Assim, mesmo os que são deficientes mental e espiritualmente precisam fazer um esforço, mesmo que pequeno, a fim de começar o processo da libertação e o dever daqueles mais capazes é ajudá-los.

Uma vez que a roda é colocada em movimento, o indivíduo vagarosamente se treina para aumentar tal poder de autoconfiança. A pequena semente um dia crescerá como um poderoso carvalho, mas não da noite para o dia. Paciência é um ingrediente essencial nesse processo difícil.

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