Como Salvar a Si Mesmo – 2

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Isso não significa que o Buddhismo ensine que se deva ser egoísta. No Buddhismo, quando as pessoas buscam, por seus próprios esforços, atingir o Nibbana, elas se determinam a não matar, roubar, dizer mentiras, nutrir a luxúria pelos outros ou perder o controle de seus sentidos através da intoxicação. Quando assim se controlam elas automaticamente contribuem para a felicidade de outros. Dessa forma, não é o assim chamado ‘egoísmo’ uma boa coisa para o bem geral dos outros?

Num nível mais mundano, tem sido perguntado como as formas inferiores de vida podem se desembaraçar de uma mera roda de existência sem sentido. Certamente em tal estado desesperado alguma força externa benevolente é necessária a fim de puxar o ser desafortunado da areia movediça. Para responder a essa questão devemos nos referir ao nosso conhecimento da teoria da evolução. É claramente dito que a vida começa em formas bem primitivas – não mais do que uma simples célula flutuando na água. Depois de milhões de anos essas formas básicas de vida se desenvolvem e se tornam mais complexas, mais inteligentes. É nesse nível mais inteligente que as formas de vidas são capazes de organização, pensamento independente, conceptualização e assim por diante.

Quando buddhistas falam sobre a habilidade de salvar a si mesmos, estão se referindo a formas de vida nesse nível mais alto de desenvolvimento mental. Nos estágios mais anteriores de evolução kâmmica as forças mentais permanecem latentes, mas após incontáveis renascimentos, um ser se ergue para o nível do pensamento independente e se torna capaz de comportamento mais racional que instintivo. É nesse estágio que o ser se torna consciente da falta de sentido dos renascimentos sem fim com seus concomitantes naturais de dor e pesar. É então que o ser é capaz de fazer sua determinação para terminar com o renascimento e buscar pela felicidade por meio da obtenção da iluminação e do Nibbana. Com esse alto nível de inteligência, o individuo é de fato capaz de auto-aperfeiçoamento e autodesenvolvimento.

Todos sabemos que os seres humanos nascem com uma grande variedade de níveis de inteligência e poderes de raciocínio. Alguns nascem como gênios, enquanto que, no outro extremo do espectro, alguns nascem com uma inteligência muito baixa. Mesmo assim cada ser tem alguma habilidade para distinguir entre as escolhas ou opções, especialmente concernentes à sobrevivência. Se alargarmos esse fato da sobrevivência mesmo para o mundo animal poderemos distinguir entre os animais superiores e inferiores, com essa mesma habilidade (em graus variados, é claro) de fazer escolhas baseadas na sobrevivência.

Daí que mesmo uma forma de vida inferior tem o potencial de criar um bom kamma, ainda que de limitado alcance. Com uma diligente aplicação disso e um aumento gradual de bom kamma um ser pode se erguer a níveis superiores de existência e compreensão.

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