Como Salvar a Si Mesmo – 4

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Frequentemente é dito que o Buddha ajudou os devotos que estavam em dificuldades. Mas ele o fez, não através da execução de milagres, tais como restaurar um morto para a vida e assim por diante, mas através de Seus atos de sabedoria e compaixão que ajudaram tais pessoas a entender a realidade da existência.

Certa vez, uma mulher chamada Kisa Gotami foi procurar a ajuda do Buddha para que ele restaurasse a vida do filho que tinha morrido. Sabendo que Ele não conseguiria conversar racionalmente com ela, tamanha a perturbação e pesar que sofria, o Buddha disse a ela que deveria primeiro obter um punhado de sementes de mostarda de uma pessoa que nunca houvesse perdido uma pessoa querida através da morte. A mulher perturbada correu de casa em casa e, apesar de que todos estavam inclinados a dar-lhe as sementes de mostarda, nenhum poderia honestamente dizer que nunca haviam perdido um ente querido através da morte. Vagarosamente, Kisa Gotami veio a perceber que a morte é uma ocorrência natural a ser experienciada por qualquer ser que nasceu. Preenchida por essa compreensão, ela retornou ao Buddha e agradeceu a Ele por mostrar-lhe a verdade sobre a morte.

Agora, o ponto aqui é que o Buddha estava mais preocupado com a compreensão da mulher sobre a natureza da vida do que em dar a ela um alívio temporário restaurando a vida a seu filho – a criança teria crescido e ainda morreria. Com sua compreensão mais abrangente, Kisa Gotami não apenas foi capaz de fazer as pazes com o fenômeno da morte, mas também aprender sobre a causa do pesar através do apego. Ela foi capaz de perceber que o apego causa o sofrimento, que quando o apego é destruído, então, o sofrimento é também destruído.

Dessa forma, no Buddhismo, uma pessoa pode buscar a ajuda de agentes externos (como os devas) na busca da felicidade temporal, mas em estágios posteriores de desenvolvimento, quando cessa o apego às condições mundanas, começa o caminho na direção da renúncia e da iluminação e, nessa altura, é preciso andar com as próprias pernas. Quando se busca obter a libertação, quebrar o ciclo sem fim de nascimento e morte, conquistar a compreensão e a iluminação, isso só será possível pelo próprio esforço e poder concentrado da vontade. “Ninguém pode nos salvar, somente nós mesmos”.

O Buddhismo dá grande crédito ao homem. É a única religião que afirma que os seres humanos têm o poder para ajudar e libertar a si mesmos. Nos estágios posteriores de seu desenvolvimento, eles não estão à mercê de nenhuma força ou agente externos que devem constantemente agradar pela adoração ou oferecimento de sacrifício.

Um comentário em “Como Salvar a Si Mesmo – 4

    Maria Eliane disse:
    4 maio, 2009 às 8:37 am

    “Agora, o ponto aqui é que o Buddha estava mais preocupado com a compreensão da mulher sobre a natureza da vida do que em dar a ela um alívio temporário restaurando a vida a seu filho – a criança teria crescido e ainda morreria.”
    Não há milagre maior que a compreensão da natureza das coisas; e Buddha nos ensinou quarenta e cinco anos e através do Dhamma e da Sanga, continua nos ensinando o Caminho a seguir… não há outro.

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