Fé, Confiança e Devoção

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Entendimento Correto mostra o caminho para a confiança; a confiança pavimenta o caminho para a sabedoria. A sabedoria pavimenta o caminho para a salvação.

A fé no sentido teísta não tem fundamento no Buddhismo por causa de sua ênfase no entendimento. A fé teísta é um sedativo para a mente emocional e demanda a crença em coisas que não podem ser explicadas. O conhecimento destrói a fé e a fé destrói a si mesma quando uma crença misteriosa é examinada sob o holofote da razão. A confiança não pode ser obtida pela fé uma vez que esta coloca pouca ou nenhuma ênfase na razão.

Referindo-se à natureza ininteligível e ‘cega’ da fé, Voltaire disse: “A fé é acreditar em algo que sua razão lhe diz não poder ser verdade; mas se sua razão aprovar isso, então não se trata de fé cega”.

A confiança, entretanto, não é o mesmo que fé. Pois a confiança não é uma mera aceitação do que não pode ser conhecido. A confiança é uma expectativa assegurada, não de um desconhecido além, mas daquilo que pode ser testado como experienciado e compreendido pessoalmente. A confiança é como o entendimento que um estudante obtém de seu professor, o qual lhe explica na sala de aula a lei da gravidade da inversão do quadrado estabelecida por Newton. Ele não deveria adotar uma crença inquestionável em seu professor e em seu manual. Ele estuda o fato, examina os argumentos científicos, e avalia a confiabilidade da informação. Se tiver dúvidas, ele deveria reservar seu julgamento até o momento em que for capaz de investigar a precisão da informação por si mesmo. Para um buddhista, a confiança é um produto de razão, conhecimento e experiência. Quando desenvolvida, a confiança não pode nunca ser uma fé cega. A confiança se torna um poder da mente em entender a natureza e o significado da vida.

Em seu livro, ‘What The Buddha Taught’, Walpola Rahula diz:

A questão da crença surge quando não há visão – visão em todos os sentidos da palavra. No momento em que você vê, a questão da crença desaparece. Se eu lhe disser que tenho uma gema escondida na palma fechada de minha mão, a questão da crença surge porque você não a vê por si mesmo. Mas se abro meu punho e mostro a gema a você, então você a vê por si mesmo, e a questão da crença não surge. Uma frase dos textos antigos buddhistas contém: ‘Compreendendo, como alguém vê uma gema (ou uma cereja) na palma da mão’.

2 comentários em “Fé, Confiança e Devoção

    Maria Eliane disse:
    21 janeiro, 2009 às 12:17 pm

    Parabéns para o Texto! Explica detalhadamente como se manifesta a fé e sua diferença em relação à Confiança.

    Eliane.

    Ribamar Lopes disse:
    22 fevereiro, 2009 às 9:32 pm

    Este é um grande e fascinante diferencial do budismo.

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