Vegetarianismo

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Não se deveria julgar a pureza ou a impureza de um homem somente observando o que ele come.

No Amagandha Sutta, o Buddha disse:

Nem carne, nem jejum, nem nudez,
Nem cabeça raspada, nem cabelos presos, nem sujeira,
Nem pele rude, nem adoração ao fogo,
Nem todos os ascetismos aqui neste mundo.
Nem hinos, nem oblação, nem sacrifício,
Nem festas da estação,
Purificarão um homem preso na dúvida
” [1] .

Comer peixe e carne em si mesmo não faz com que um homem se torne impuro. Um homem se torna impuro pela intolerância, fraude, inveja, auto-exaltação, depreciação e outras intenções maléficas. Por meio de seus próprios pensamentos e ações maléficos, o homem se torna impuro. Não há uma regra estrita no Buddhismo que diga que os seguidores do Buddha não devam comer peixe ou carne. O único conselho dado pelo Buddha é o de que não deveriam se envolver na matança intencional ou o de não pedir para que outros matem qualquer ser vivo para eles. Entretanto, aqueles que se alimentam de vegetais e se abstêm da carne animal são louvados.

Embora o Buddha não advogasse o vegetarianismo para os monges, Ele aconselhou aos monges de evitar dez tipos de carne para seu respeito próprio e proteção. Eles são a carne humana, de elefantes, de cavalos, de cachorros, de cobras, de leões, de tigres, de leopardos, de ursos e de hienas. Alguns animais atacam pessoas quando sentem o cheiro de carne fresca da sua própria espécie (Vinaya Pitaka).

Quando Devadatta, um de Seus discípulos, pediu ao Buddha para introduzir o vegetarianismo entre Seus discípulos (monges) o Buddha se recusou. Como o Buddhismo é uma religião livre, Seu conselho foi deixar a decisão sobre o vegetarianismo para cada discípulo individual. Isto mostra claramente que o Buddha não considerou aquilo como uma observância religiosa muito importante. O Buddha nada mencionou sobre o vegetarianismo para os buddhistas laicos em Seu Ensinamento.

Jīvaka Komarabhacca, o médico, discutiu esse assunto controverso com o Buddha: “Senhor, tenho ouvido que animais têm sido mortos de propósito para o recluso Gotama, e que o recluso Gotama come conscientemente a carne morta para ele. Senhor, aqueles que dizem que animais tem sido mortos de propósito para o recluso Gotama e que o recluso Gotama come conscientemente a carne morta para ele, eles acusam falsamente o Buddha? Ou eles falam a verdade? Suas declarações e suplementos não estão sujeitas a serem ridicularizadas por outros de alguma forma?

Jīvaca, aqueles que dizem: ‘Animais têm sido mortos de propósito para o recluso Gotama, e o recluso Gotama come conscientemente a carne morta para ele’ não falam de acordo com aquilo que declarei, e me acusam falsamente. Jīvaca, declarei que não se deveria ffazer uso da carne se fosse visto, ouvido ou se tivesse a suspeita de que havia sido morta de propósito para alimentar um monge. Eu permito que os monges comam carne que seja bastante pura em três aspectos: se não foi vista, ouvida ou se não houvesse suspeita de que foi morta de propósito para a alimentação de um monge” (Jīvaca Sutta)

Em certos países, os seguidores da escola Mahāyāna do Buddhismo são estritamente vegetarianos. Ao mesmo tempo em que apreciamos sua observância em nome da religião, gostaríamos de indicar que eles não deveriam condenar o que não são vegetarianos. Eles devem se lembrar de que não há nenhum preceito nos Ensinamentos originais do Buddha que requeira que todos os buddhistas sejam vegetarianos. Devemos nos lembrar de que o Buddhismo é conhecido como o Caminho do Meio. É uma religião liberal e o conselho do Buddha era de que não era necessário chegar a extremos a fim de praticar Seus Ensinamentos.

Somente o vegetarianismo não ajuda um homem a cultivar suas qualidades humanas. Há pessoas gentis, humildes, educadas e religiosas entre os não-vegetarianos. Portanto, não se deveria aprovar a declaração de que um homem puro e religioso deva praticar o vegetarianismo.

Por outro lado, se alguém pensa que as pessoas não possam ter uma vida saudável sem comer peixe e carne, daí não se segue necessariamente que esteja correto uma vez que há milhões de vegetarianos puros em todo o mundo que são mais fortes e saudáveis que os que comem carne.

Pessoas que criticam buddhistas que comem carne não compreendem a atitude buddhista com relação à comida. Um ser vivo precisa de alimento. Comemos para viver. Dessa forma um ser humano deve suprir seu corpo com o alimento de que necessita para se manter saudável e prover energia para trabalhar. Entretanto, como resultado do aumento da riqueza, mais e mais pessoas, especialmente nos países desenvolvidos, comem simplesmente para satisfazer seus paladares. Se alguém anseia por qualquer tipo de alimento ou mata para satisfazer sua ânsia por carne, isso é errado. Mas se alguém come sem ganância e sem estar diretamente envolvido no ato da matança, mas meramente para sustentar seu corpo físico, ele está praticando a auto-restrição.

[1] Nota do tradutor: Estas práticas mencionadas eram tidas por alguns como purificadoras.

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8 comentários em “Vegetarianismo

    Eliane disse:
    25 agosto, 2008 às 11:00 am

    Compreendi ‘perfeitamente’. Por que será então, que me sinto como incentivadora de matanças de animais no comércio de carnes? Nós, ocidentais, tradicionalmente comemos carnes, e como é difícil deixar de comê-las… Por outro lado, quem não já viu, um boi sendo abatido…?…

    Josiane disse:
    27 agosto, 2008 às 4:44 pm

    Ótimo texto! penso da mesma forma. Buda nunca requisitou que seus discípulos fossem vegetarianos ou não (creio que ele tomou essa atitude para que nos atentassemos à prática da compaixão e sabedoria em cada ato e não somente NO ato).

    É importante prestar atenção aos atos (afinal nem sempre uma ação bem-intencionada é realmente uma boa ação), mas também é tão importante qto prestar atenção em suas intenções: vc é vegetariano por qual motivo? por que se preocupa com o seu carma ou por compaixão aos animais? vc come carne porque? para manter sua saúde ou simplesmente pelo prazer de seu paladar?

    Rótulos impedem que vislumbremos as intenções das pessoas em suas ações. Deveríamos refletir melhor antes de nos glorificarmos e de julgarmos aos outros, pois mesmo sendo vegetariana sei q preciso melhorar muito mais como pessoa e q minha família, mesmo não sendo vegetariana, possui modelos de pessoas com quem eu deveria aprender mais! ^_^

    Daniel disse:
    29 agosto, 2008 às 10:56 am

    “Não se deveria julgar a pureza ou a impureza de um homem somente observando o que ele come”

    Penso que o grau de pureza depende do grau de renúncia e da fé. Consideraria, portanto, um vegetariano que abre mão de sua dieta para aceitar um pedaço de carne dado como oferenda, muito mais puro, do que aquele vegetariano que rejeita, por estar apegado à uma crença.

    THIAGO SMITH DE SOUZA disse:
    9 março, 2011 às 5:07 pm

    excelente texto ta certo buda nao obrigou o vegetarianismo
    mas recentemente foi comprovado sim, que o consumo de animais mortos seja qual especie pode influenciar maleficamente na personalidade
    comer qualquer tipo de carne é nocivo sim pois a questao as vezes nem de etica é mais mas uma questao de saude dizer que algo que esta em putrefaçao é alimento é um absurdo, assim que o animal é morto uma vida se foi dai se inicia um processo da morte das celulas dai chega os beleza e diz que comer carne faz bem seja ela branca ou vermelha
    é muita falta de reflexao carne nao é alimento o homem que inventou isso jamais qualquer iluminado iria apoiar a tortura e o consumo anti higienico que é o consumo de qualquer tipo de carne
    se buda existiu eu particularmente nao acredito que ele nao instituiu o vegetariansimo como tambem jesus dizer que ele comia carne seria um contrasenso amar ao proximo inclui todos os seres, matar somente em
    legitima defesa consumir carne é uma burrice respeito os consumidores
    de mortos pois fui um durante 25 anos hoje sou vegan graças a DEUS
    NAO ESTOU DIZENDO QUE DEIXAR DE COMER QUALQUER TIPO DE CARNE VC NAO VAI TER PROBLEMAS MAS QUE SUA SUA SAUDE E RESISTENCIA MELHORA ISSO MELHORA SE ACASO FICAR DOENTE VC SE RECUPERA MUITO MAIS RAPIDO QUE UM CARNIVORO ISSO EU SEI POR MIM DO TEMPO QUE EU COMIA CARNE E AGORA QUE ME ABSTENHO DE QUALQUER TIPO DE MORTOS FALTA AINDA MUITO MAIS ANALISES EM RELAÇAO O VEGETARIANISMO EXISTE UM MITO QUE SE DEIXAR DE COMER FICARA DOENTE TODAS AS VITAMINAS TEM NO GRAOS VEGETAIS E FRUTAS UMA ABUNDANCIA ABENÇOADA PELO CRIADOR
    TANTA COISA BONITA NA NATUREZA EM RELAÇAO A ALIMENTAÇAO E O HOMEM NA SUA MALDADE E FRIEZA ATRAVES DE UM MERCADO CRUEL
    QUERENDO TORTURAR OS ANIMAIS ,DEIXEM OS NOSSOS IRMAOS MENORES EM PAZ POIS A NATUREZA SE VINGA ATRAVES DESSE CONSUMO SEJA ATRAVES DE PROBLEMAS, DOENÇAS ,INJUSTIÇAS COMER CARNE TRAZ INUMEROS PROBLEMAS SEJAM PSCOLOGICOS ,SOCIAIS E FISICOS NAO COMENDO CARNE NÓS HUMANOS TERIAMOS MUITO MENOS PROBLEMAS COM CERTEZA ESTARIAMOS RUMO Á UMA EVOLUÇAO MAIOR NAO ADIANTA FALAR DE AMOR ENQUANTO TIVER EM SUA MESA MORTOS NAO ADIANTA DESEJAR FELIZ NATAL E UM BOM ANO NOVO ENQUANTO MILHARES DE CRIATURAS SAO MORTAS PARA SEU PALADAR MALDITO , POIS A CULINARIA CARNIVORA PARA OS HUMANOS NAO VEM DE DEUS E SIM DE BAIXOS NIVEIS ESPIRITUAIS NESSA ÉPOCA DE FIM DE ANO AUMENTA´-SE AINDA MAIS AS TORTURAS COM OS NOSSOS IRMAOS MENORES DAI OS HUMANOS COLHEM OS FRUTOS DESSE MAL HABITO
    EU NAO SOU PERFEITO MAS FAÇO DE TUDO PARA SER ALGUEM MELHOR
    QUE COMECEM PELOS HABITOS ALIMENTARES SEM MORTOS VCS SE SENTIRAO MUITO MELHORES…

    MUITA PAZ Á TODOS QUE O CRIADOR ILUMINE A TODOS VCS!!!

    Fabio Khapa disse:
    5 dezembro, 2012 às 3:46 pm

    É sabido que nos países frios, principalmente no Tibet, é impossível sobreviver com uma dieta vegetariana. O organismo necessida de muita gordura animal para conseguir manter a temperatura interna e para que se tenha energia para realizar todas as demais atividades do dia. Os tibetanos consomem aproximadamente 40 xícaras de tsampa (chá de mantega com cevada), por dia! Pode ter até 50 g de mantega em cada xícara! Sem contar os outros derivados animais. Realmente, a dieta que alguém segue, ao contrário do que muitos vegeterianos e veganos acreditam, não é um atestado de moralidade, ética e espiritualidade avançada, visto que o próprio Buddha Shakyamuni comia carne (parece que a sua morte esteve relacionada a ingestão de carne de porco, ou javali, estragada!), e, Adolf Hitler era vegetariano!

    José Elias disse:
    10 janeiro, 2013 às 12:58 pm

    Gostei muito de ler este artigo, ele é esclarecedor.

    Henrique disse:
    1 novembro, 2013 às 2:33 pm

    “diretamente envolvido no ato da matança”

    O que significa isto? Se eu compro carne no açougue eu estou financiando a matança. É óbvio.
    Como posso ser bom e assassinar um animal que está na Terra para evoluir? Como posso seguir um caminho espiritual e co-participar de um ato que é pura tortura só porque Budha não proibiu?
    Budha também disse que não devemos seguir mestres só porque disseram algo e sim seguir a si próprios.

    Lea Felippe disse:
    26 junho, 2016 às 9:39 am

    Como posso seguir um caminho espiritual que simplesmente se omite diante de tamanha atrocidade? Se eu compro carne no açougue, evidentemente que estou financiando a matança de animais — é óbvio, afinal, só há quem os mate porque há quem os compre.

    Cabe ressaltar que embora o Buddha não advogasse o vegetarianismo, Ele aconselhou aos monges evitar dez tipos de carne para a sua própria proteção. A saber, estas são a carne humana, a de elefantes, a de cavalos, a de cachorros, a de cobras, a de leões, a de tigres, a de leopardos, a de ursos e a de hienas, visto que acreditava-se, à época, que alguns desses animais atacariam pessoas quando sentissem o cheiro de carne fresca da sua própria espécie (Vinaya Pitaka).

    Sendo assim, certamente os monges tinham — e ainda o têm! — livre arbítrio para não comer determinados alimentos que lhes sejam oferecidos. Dessa forma, não se pode usar como desculpa suas respectivas vidas de monges mendicantes para justificar a ausência de compaixão pelos animais e tampouco a omissão monástica diante de todo o processo de sofrimento envolvido em tal prática, inclusive do ponto de vista ambiental.

    Gosto muito de uma frase do ativista político norte-americano Martin Luther King que diz: “O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons”.

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