Buddhismo e Política – 4

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O rei sempre se aperfeiçoa e examina cuidadosamente sua própria conduta nas ações, palavras e pensamentos, tentando descobrir e ouvir a opinião do público, a fim de perceber se ele é culpado de quaisquer faltas e erros ao governar o reino. Se descobrir que rege de maneira injusta, o público reclamará que está sendo arruinado por um regente perverso por meio de tratamentos injustos, punição, taxação ou outras opressões incluindo a corrupção de qualquer tipo; e o público reagirá contra ele de uma forma ou outra. Ao contrário, se ele rege de forma justa, as pessoas o elogiarão assim: ´Vida longa a Sua Majestade’. (Majjhima Nikāya)

A ênfase dada pelo Buddha quanto ao dever moral de um regente em usar o poder público a fim de melhorar o bem-estar do povo inspirou o Imperador Asoka no terceiro século a.C. a fazer o mesmo. O Imperador Asoka, um exemplo brilhante desse princípio, resolveu viver de acordo com isso e pregar o Dhamma, servindo assim a seus súditos e a toda a humanidade. Ele declarou suas intenções não agressivas a seus vizinhos, assegurando-os de sua boa vontade e enviando mensageiros a reis distantes levando sua mensagem de paz e não-agressão. Promoveu a prática energética das virtudes sócio-morais da honestidade, sinceridade, compaixão, benevolência, não-violência, comportamento respeitoso a todos, não-extravagância, não-ganância, e não-injúria aos animais. Ele encorajou a liberdade religiosa e o respeito mútuo aos credos de cada um. Periodicamente fazia excursões de pregação do Dhamma na zona rural. Realizou obras de utilidade pública, tais como a criação de hospitais para homens e animais, abastecimento de remédios, plantação de árvores e parques ao longo das estradas, construção de poços, sistemas de drenagem e abrigos. Expressamente proibiu a crueldade para com os animais.

Por vezes se diz que o Buddha foi um reformador social. Entre outras coisas, Ele condenou o sistema de castas, reconheceu a igualdade entre as pessoas, falou sobre a necessidade de melhorar as condições sócio-econômicas, reconheceu a importância de uma distribuição de renda mais justa entre ricos e pobres, elevou o status das mulheres, recomendou a incorporação do humanismo no governo e na administração, e ensinou que uma sociedade não deve ser dirigida pela ganância, mas pelo respeito e compaixão pelo povo. Apesar disso, sua contribuição para a humanidade é muito maior pois ressaltou um ponto que nenhum outro reformador havia feito ou fez desde então, dirigindo-se às raízes mais profundas do mal-estar humano, que estão na mente do homem. Somente na mente humana a verdadeira reforma pode ser realizada. Reformas impostas pelo exercício da força sobre mundo externo têm uma vida muito curta pois não têm raízes. Mas aquelas reformas que surgem como resultado da transformação da consciência interna do homem permanecem enraizadas. Enquanto seus galhos se dirigem para fora, elas tiram seu alimento de uma fonte infalível – os imperativos subconscientes do próprio fluxo da vida. Assim, as reformas acontecem quando as mentes dos homens tiverem preparado o caminho para elas, e viverão enquanto os homens continuarem a revitalizá-las a partir de seu próprio amor à verdade, à justiça e por seus companheiros humanos.

3 comentários em “Buddhismo e Política – 4

    A Vida Humana na Sociedade disse:
    6 junho, 2008 às 8:43 am

    […] Buddhismo e Política – 4 […]

    Índice « No Que Os Buddhistas Acreditam disse:
    12 junho, 2008 às 7:16 am

    […] Buddhismo e Política – 4 […]

    sebbaptista disse:
    12 junho, 2008 às 1:46 pm

    O bom governante é aquele que cuida das necessidades do povo, tornando-o mais saudável, feliz e inteligente.

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