Distorção da Religião

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Apesar do valor da religião na elevação moral, é também verdade dizer que a religião é um solo fértil para o desenvolvimento de superstições e da hipocrisia devocional, envoltas na roupagem da religiosidade. Muitas pessoas usam a religião para escapar das realidades da vida e vestem as roupas da religião e dos símbolos religiosos. Elas podem até mesmo rezar freqüentemente em locais de adoração, mas, ainda assim, não são sinceramente religiosas e não compreenderam o significado da religião. Quando uma religião foi rebaixada pela ignorância, ganância pelo poder e pelo egoísmo, as pessoas rapidamente apontam o dedo acusador dizendo que a religião é irracional. Mas ‘Religião’ (a prática externa ritualística de qualquer ensinamento) deve ser distinguida do ensinamento em si. Antes de alguém criticar, ele deve estudar os ensinamentos originais do fundador e ver se há algo lá intrinsecamente errado.

A religião aconselha o povo a fazer o bem e ser bom, mas as pessoas não têm interesse nisso. Ao contrário, elas preferem se agarrar a outras práticas que não têm valores religiosos verdadeiros. Se tentassem cultivar suas mentes pela erradicação do ciúme, orgulho, crueldade e egoísmo, teriam pelo menos encontrado o caminho correto para praticar uma religião. Infelizmente, elas desenvolvem ciúme, orgulho, crueldade e egoísmo ao invés de erradicá-los. Muitas pessoas fingem serem religiosas, mas cometem as maiores atrocidades em nome da religião. Elas lutam, discriminam e criam a inquietude em nome da religião, perdendo de vista seu propósito mais alto. Observando o aumento da realização de várias assim chamadas atividades religiosas, podemos ter a impressão de que a religião está progredindo, mas o oposto é realmente o caso uma vez que muito pouca pureza mental e compreensão estão sendo atualmente praticados.

Praticar uma religião nada mais é que o desenvolvimento de uma consciência interna, boa vontade e compreensão. Os problemas devem ser enfrentados diretamente com o suporte da própria força espiritual. Fugir dos próprios problemas em nome do espiritualismo não é corajoso, muito menos deve ser considerado como algo espiritual. Sob as condições caóticas de hoje, homens e mulheres deslizam rapidamente morro abaixo na direção de sua própria destruição. A ironia é imaginarem que estão progredindo em direção a uma gloriosa civilização que ainda será realizada.

Em meio a essa confusão, conceitos religiosos imaginários e maleáveis são propagados a fim de criar mais tentação e confusão na mente do homem. A religião está sendo mal usada para a obtenção de ganho e poder pessoal. Certas práticas imorais, tais como sexo livre, têm sido encorajadas por alguns grupos religiosos irresponsáveis a fim de introduzir sua religião entre os jovens. Fazendo surgir os sentimentos de paixão, esses grupos esperam seduzir meninos e meninas a seguirem sua religião. Hoje, a religião se degenerou numa mercadoria barata no mercado religioso com pouca consideração pelos valores morais e pelo que ela representa. Alguns missionários afirmam que a prática da moral, da ética e dos preceitos não é importante se uma pessoa tem fé e reza para Deus, algo que se acredita ser suficiente para garantir sua salvação. Tendo testemunhado como algumas autoridades religiosas desencaminham e vendam os olhos de seus seguidores na Europa, Karl Marx fez uma observação cáustica: “A religião é o suspiro da criatura oprimida, os sentimentos de um mundo sem coração, assim como é a alma das condições sem alma. É o ópio do povo”.

O homem precisa de uma religião não para dar a ele um sonho para sua próxima vida ou para provê-lo com algumas idéias dogmáticas para seguir, de uma tal forma que ele renuncie sua inteligência humana e se torne um incômodo para seus companheiros. Uma religião deveria ser um método confiável e razoável para as pessoas viverem ‘aqui e agora’, como seres educados e compreensivos, ao mesmo tempo em que prestam um bom exemplo para os outros seguirem. Muitas religiões viram os pensamentos do homem para longe de si mesmo, na direção de um ser supremo. Mas o Buddhismo dirige a busca do homem pela paz na direção de seu interior, na direção das potencialidades escondidas dentro de si mesmo. ‘Dhamma’ (que significa: sustentar) não é algo que uma pessoa busque fora de si mesma, porque, em última análise, o homem é Dhamma e o Dhamma é homem. Assim, a verdadeira religião, que é Dhamma, não é algo fora de nós que possamos adquir, mas é o cultivo e a realização da sabedoria, compaixão e pureza que desenvolvemos dentro de nós mesmos.

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2 comentários em “Distorção da Religião

    Índice « No Que Os Buddhistas Acreditam disse:
    24 setembro, 2007 às 10:34 am

    […] Distorção da Religião […]

    Distorcendo a religião | My great WordPress blog disse:
    28 abril, 2014 às 3:36 pm

    […] da confusão mental se tornam predominantes. Pessoas ingênuas tornam-se, então, presas fáceis. A passagem dessa semana de Sri. K. Dhammananda é significativa quanto a esse ponto: “Em meio a essa confusão, […]

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