Fraqueza Humana e o Conceito de Deus

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Tanto o conceito de Deus com os mitos de criação associados foram protegidos e defendidos pelos crentes que necessitam dessas idéias para justificar sua existência e sua utilidade para a sociedade humana. Todos os crentes proclamam ter recebido suas respectivas escrituras como uma Revelação; em outras palavras, todos professam vir diretamente do Deus único. Cada religião baseada em Deus proclama que defende a Paz Universal e a Fraternidade Universal, além de outros altos ideais.

Por maiores que sejam os ideais das religiões, a história do mundo mostra que as religiões, até os dias de hoje, também têm ajudado a espalhar as superstições. Algumas se opuseram à ciência e ao avanço do conhecimento, levando a sentimentos ruins, assassinatos e guerras. A esse respeito, as religiões baseadas em Deus falharam em sua tentativa de iluminar a humanidade. Por exemplo, em certos países quando as pessoas oram por misericórdia, suas mãos ficam tingidas com o sangue de sacrifícios mórbidos de animais inocentes e, algumas vezes, até mesmo de seres humanos. Essas pobres e indefesas criaturas foram abatidas em desacralizados altares de deuses imaginários e imperceptíveis. Levou um longo tempo para que as pessoas compreendessem a futilidade de tais práticas cruéis em nome da religião. O momento chegou para que compreendam que o caminho da verdadeira purificação é através do amor e da compreensão.

Dr. G. Dharmasiri em seu livro A Crítica Buddhista ao Conceito Cristão de Deus mencionou: “Percebo que embora a noção de Deus contenha traços morais sublimes, ela também tem certas implicações que são extremamente perigosas para os humanos, tanto como para outros seres nesse planeta”.

Uma das maiores ameaças à humanidade é a venda chamada ‘autoridade’, imposta aos humanos pelo conceito de Deus. Todas as religiões teístas consideram a autoridade como derradeira e sagrada. Foi esse o perigo que o Buddha apontou no Kalama Sutta. No momento, a individualidade humana e a liberdade estão seriamente ameaçadas por várias formas de autoridade. Várias ‘autoridades’ têm buscado fazer de ‘você’ um seguidor. Além de todas as nossas autoridades ‘tradicionais’, uma nova forma de autoridade emergiu em nome da ‘ciência’. E, nos últimos tempos, a propagação de novas religiões e a ameaça dos Gurus (exemplificados por Jim Jones), tornaram-se ameaças vivas à liberdade e a dignidade humana do indivíduo. O pedido eterno do Buddha é para você se tornar um Buddha, e Ele mostrou, de uma forma claramente racional, que cada um de nós tem o potencial e capacidade perfeitos para atingir esse ideal”.

As religiões baseadas em Deus não oferecem salvação sem Deus. Dessa forma, podemos imaginar que um homem possa ter escalado os mais altos pináculos da virtude, e possa ter vivido uma vida correta, e ter mesmo atingido o mais alto nível de santidade, mas, ainda assim, ser condenado ao inferno eterno apenas por não acreditar na existência de Deus. Por outro lado, um homem pode ter pecado profundamente e, ainda assim, tendo se arrependido tardiamente, ter sido perdoado e, portanto, ‘salvo’. Do ponto de vista buddhista, não há explicação para esse tipo de doutrina.

Apesar das aparentes contradições das religiões baseadas em Deus, não é considerado algo aconselhável pregar uma doutrina sem Deus uma vez que a crença em deus tem prestado também um tremendo serviço à humanidade, especialmente em lugares em que o conceito de deus é desejável. Essa crença em deus tem ajudado a humanidade a controlar sua natureza animal. E muita ajuda foi dada a outros em nome de deus. Ao mesmo tempo, o homem se sente inseguro sem a crença em deus. Ele encontra proteção e inspiração quando essa crença está em sua mente. A realidade ou validade de tal crença é baseada na capacidade de compreensão e maturidade espiritual do homem.

Entretanto, a religião deveria também lidar com nossa vida prática. Deve ser usada como um guia para regular nossa conduta no mundo. A religião nos diz o que fazer e o que não fazer. Se não seguirmos a religião sinceramente, meros rótulos religiosos ou crenças em deus não nos servirão em nossa vida diária.

Por outro lado, se os seguidores das várias religiões brigarem e condenarem as outras crenças e práticas – especialmente a fim de provar ou negar a existência de Deus – e se alimentarem a raiva com relação a outras religiões por causa de suas diferentes visões religiosas, então criarão uma enorme desarmonia entre as várias comunidades religiosas. Quaisquer diferenças religiosas que possamos ter, é nosso dever praticar a tolerância, a paciência e a compreensão. É nosso dever respeitar a crença religiosa de um outro homem, mesmo que não consigamos nos acomodar a ela; a tolerância é necessária para que haja um viver harmonioso e pacífico.

Entretanto, não serve a nenhum propósito introduzir esse conceito de deus para aqueles que não estão prontos para apreciá-lo. Para algumas pessoas essa crença não é importante a fim de levar uma vida correta. Há muitos que levam uma vida nobre sem tal crença, enquanto que entre crentes há muitos que violam a paz e a felicidade das pessoas inocentes.

Os buddhistas também podem cooperar com aqueles que mantêm esse conceito de deus, se tais pessoas usarem esse conceito para a paz, felicidade e bem-estar da humanidade, mas não com aqueles que abusam deste conceito ameaçando as pessoas a fim de introduzir essa crença apenas para seu próprio benefício e com motivos secundários.

Por mais de 2500 anos, em todo o mundo, os buddhistas praticaram e introduziram o Buddhismo muito pacificamente sem a necessidade de defender o conceito de um Deus criador. E continuarão a manter essa religião da mesma maneira sem perturbar os seguidores de outras religiões.

Dessa forma, com o devido respeito a outros religiosos, deve ser mencionado que qualquer tentativa de introduzir esse conceito no Buddhismo é desnecessário. Deixem que os buddhistas tenham suas crenças, pois isso não causa dano aos outros; deixem que os Ensinamentos básicos do Buddha permaneçam.

Desde tempos imemoriais, os buddhistas tiveram uma vida religiosa pacífica sem incorporar o conceito particular de Deus. Eles devem ser capazes de sustentar sua religião particular sem a necessidade, nessa altura, de alguém tentar forçar algo goela abaixo contra sua vontade. Tendo total confiança em seu Buddha Dhamma, os buddhistas devem ser permitidos trabalhar e buscar sua própria salvação sem qualquer interferência indevida de outras fontes. Outros podem manter suas crenças e conceitos, e os buddhistas irão apoiar as deles, sem nenhum rancor. Não desafiamos os outros com relação às suas crenças religiosas, e esperamos um tratamento recíproco com relação às nossas próprias crenças e práticas.

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9 comentários em “Fraqueza Humana e o Conceito de Deus

    Eloiza G. Antônio disse:
    24 agosto, 2007 às 4:14 pm

    Concordo plenamente.
    As pessoas por se deixarem levar em momentos de fraqueza emocional, são capazes de fazer de tudo para defender a existência de um Deus, que milagrosamente vai liberta-lás de todo pecado e sofrimento, e garantir uma vida eterna no paraíso.
    Essas pessoas acabam sem querer usando isto como desculpa, para materem comportamentos incorretos, pois se sentem protegidas pela compaixão de Deus, dessa forma, deixam de buscar um meio para corrigir o que está errado em suas vidas. Acreditam que somente o perdão de Deus é sufuciente para apagar toda dor e todo sofrimento que sentem ou q possam causar a outras pessoas.
    Gostei muito do texto.
    Atenciosamente, Eloiza G. Antônio

    Elza Maria Rodrigues disse:
    3 outubro, 2008 às 8:04 am

    Gostei muito do conceito a respeito de Deus,e concordo quando se fala que algumas pessoas acreditam em Deus separado, que julga,que castiga.Para mim fica claro que Deus é puro AMOR,um PAI que ama seus filhos e que quer o melhor para todos nós.O sofrimento não é causado por Deus como forma de puniçao,para mim o sofrimento é causado por nós mesmos.Deus não é encontrado em nenhum outro lugar que não seja dentro de nós mesmos.Temos o poder de transformarmos nossa vida, mas é preciso acreditar e despertar dentro de nós o nosso CRISTO INTERIOR,tendo bondade no coração, esperança, tirar de dentro si sentimentos de inveja,ciúmes e principalmente o orgulho.Emanar amor,felicidade,compartilhar com o próximo aquilo que se quer para si mesmo.
    Muito obrigada
    Elza Maria Rodrigues

    Eliane disse:
    12 outubro, 2008 às 6:00 pm

    Acredito que os deuses das religiões de antes e agora, são ‘criados’ e ‘manipulados’ por homens com a intenção de subjulgar outros mais ignorantes; e poder para si mesmos. Fico ‘abismada’ ao perceber como estes milhões de pessoas não enxergam um palmo a frente do nariz. Como pode-se querer ir para o ‘ceu’ se não está preparado para tal. E como querer vida eterna se na primeira contrariedade pede para morrer? Como nós, humanos, somos cheios de confusão!

    Jose Ailson disse:
    19 janeiro, 2009 às 5:52 am

    Eu sou cristão prostestante acredito em deus e em jesus, mas acho que fanatismo existe em qualquer uma religião, o que é errado devemos apenas cre em deus porque ele já mostrou que que é maior que tudo afinal de contas ele é o criador de tudo. eu acredito que o que Deus nos deu de maior importancia é a inteligencia, então cada um usando uma fé inteligente e o que importa. e fazer o bem é necessario porque neste mundo sozinhos não somos nada.

    Cinício disse:
    21 fevereiro, 2010 às 8:11 pm

    Quem é capaz de respeitar a expressão e a convicção religiosa ou filosófica daquele que lhe é diverso indica o valor da sua própria crença. Quando, ao contrário, alguém tenta impôr uma doutrina religiosa ao seu interlocutor, revela que seu caminho e prática religiosa são destituídos de valores humanos essenciais, como a paz, a harmonia e o respeito ao próximo, implicando em algo nocivo e perigoso, por mais que as palavras que pronuncia sejam belas e tenham sua lógica. São nossos atos destituídos de quaisquer preconceitos ou intransigências que revelam o valor da fé que abraçamos.

    Carlos Moraes disse:
    18 maio, 2011 às 2:34 pm

    Olha, só, o ser humano é bem diferente uns dos outros sim, e Deus ou Deuzes ou Deusa, já sabe bem disto, não precisamos mais de frases bonitinhas, agora precisamos de atitude boas, com a Mãe Natureza, pra quê tanta tecnologia se não respeitamos os nossos semelhantes, se apenas falamos que está tudo bem, se na real, não está, tanta ganancia pra que, pra que juntar tanto dinheiro, se milhões sofrem com a fome, pra que tirar o ouro da terra pra ornamentar dedos, pescoços, catedrais, coroas, se na real a coroa de espinhos foi usada em um homem de carne e ossos, devo eu estar um pouco confuso, mas minha opinião é que o ser humano “uma grande parte”, não dá o real valor no amor que Deus quer da gente, muita coisa feita por nós homens humanos, em outra época, mas todos sem excessão, temos nossa parcela de culpa sim, criamos um mundo de valores irreais, e, agora queremos uma solução que nunc mis vamos ter, uma pergunta, Deus é homem ou Mulher, por que tantas diferenças, pra que tantas fronteiras, pra que tanta tecnologia, pra que?, deve ser pra criar mais bombas nucleares, pra tirar um povo de um lugar e roubar literalmente os recursos naturais do Planeta Terra e depois vender pra nós mesmos, os mais burro dos seres aqui já habitado, nunca vou entender o Mundo, pra que comer os animais?, pra que são fabricada tanta arma?, deve ser pra matar os semelhantes, pra que o ser humano lucra com o que não nos pertece, tudo, tudo mesmo é tirado da Terra, até mesmo o meu e o teu pc ou not, e estamos aqui vendo o ser humano morrer, vendo os que tem nemos recurso não poder partilhar o que Deus fez pra todos, o governo é um assasino, eu sou um bandido um assasino também, todos temos culpa, não existe um mundo melhor se não somos pessoas melhores, Deus ou sei-la como podemos chamar o criador, ou criadores desta civilização de preconceituosos, de mesquinhos, de matadores de vida, de destruidores da Natureza… repito todos nós somos culpados do cara que se julga mais inteligente, mais rico, mais burro e pobre, todos temos nossa parcela de culpa, na real, se Deus ou Deuses ou Deusa tivesse como prever o que nos tornamos, não estaria chorando agora, tanta diferença, tantas guerras em nome de Deus, tantas dorgas, fabricadas em laboratórios, pra curar o que? viciar é a melhor conotação pra tanta química ingerida por humanos e animais que servem de alimento pro ser racional, meu e-mail é cy.moraesrfb@live.com
    Sou na minha opinião uma formiga que está tentando salvar um formigueiro, me sinto péssimo em ter matado tantos insétos, hoje penso bastante antes de pisar em alguma vida, mesmo que pequenina, fui condicionado quando criança a fazer a alimentação que me davam, minha vó e outras pessoas que faziam não sabia, hoje nosso filhos são viciados em Mac’s, em Fast food’s, e nós queremos achar algum culpado, se na real, nós somos os únicos culpados por tudo…desculpa por ter escrever assim, hoje eu não fui trabalhar… hoje é dia 17/05/2011,ás 14:38hs

    Carlos Moraes disse:
    18 maio, 2011 às 2:36 pm

    xii errei a data 18/05/2011

    Marizete Campos disse:
    19 novembro, 2011 às 6:29 pm

    Deus existe e é único, é inegável qualquer questão que seja o contrário disto. Entretanto há muitas pessoas pregando e fazendo coisas erradas em nome Dele, essses são os falsos profetas, falsos seguidores, são os chamados de hipócritas pelo próprio Cristo. Temos que viver de tal forma que os outros vejam cristo em nós, com amor, gratidão, justiça, perdão e tudo que se refere à boa conduta. Uma vida cristã é uma vida com Cristo. Há também de se respeitar as outras pessoas, algumas coisas não servem para nós, mas servem para os outros. Respeitar não significa concordar, mas saber que todo mundo tem o seu espaço, que as pessoas têm idéias, opiniões filosofia e crenças diferentes. Devemos buscar a harmonia, a solidariedade e o amor uns pelos outros, afinal a paz é a gente é quem faz.

    Dhanapala disse:
    19 novembro, 2011 às 11:10 pm

    Muito bom que vc pense assim “Respeitar não significa concordar, mas saber que todo mundo tem o seu espaço, que as pessoas têm idéias, opiniões filosofia e crenças diferentes”. Se continuarmos assim, sempre teremos paz, mesmo não concordando com certas ideias e crenças.

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