Mudar de rótulo religioso antes da morte

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Meramente acreditar que há alguém para lavar nossos pecados sem suprimir nosso estado mental maléfico, não está de acordo com os Ensinamentos do Buddha.

Muito freqüentemente encontramos casos de pessoas que mudam de religião no último momento, quando estão para morrer. Abraçando uma outra religião, algumas pessoas imaginam, enganosamente, que podem ser “limpas de seus pecados”, ganhando um acesso fácil para o céu. Elas esperam também assegurar para si mesmas um enterro simples e melhor. Para pessoas que viveram toda uma vida em uma religião em particular, o abraçar repentino de uma religião que é totalmente nova e não familiar – esperando uma salvação imediata por meio da nova fé é, realmente, difícil de acreditar. Isso é apenas um sonho. Sabe-se mesmo de algumas pessoas que se converteram para uma outra fé quando estavam em um estado de inconsciência e, em alguns casos, até mesmo postumamente. Aqueles que são extremistas em suas preocupações e loucos por converterem outros para sua fé, desviaram pessoas de pouca cultura na crença de que sua fé é ‘a’ fé – a única possuidora de um método fácil ou de um atalho para o céu. Se as pessoas forem levadas a acreditar que há alguém sentado em algum lugar, lá em cima, que possa lavar todos os pecados cometidos durante o período de vida, então essa crença somente encorajará outros a cometerem o mal.

De acordo com os Ensinamentos do Buddha, não há uma crença de que existe alguém que possa lavar os pecados. Somente quando as pessoas sinceramente compreenderem que aquilo que estão fazendo está errado e – após ter percebido isso, tentarem corrigir sua vida e fazer o bem – é que poderão suprimir ou contrapor as más reações que chegarão a eles devido ao mal que cometeram.

Tornou-se uma visão comum, em muitos hospitais, ver defensores de algumas religiões pairando em volta dos pacientes, prometendo-lhes ‘vida após a morte’. Isto é explorar a ignorância básica e o medo psicológico dos pacientes. Se quisessem realmente ajudar, então seriam capazes de operar os ‘milagres’ que tão orgulhosamente reivindicam para seus livros sagrados. Se puderem operar milagres, então não precisaremos de hospitais. Os buddhistas não devem nunca se tornar vítimas dessas pessoas. Devem aprender os ensinamentos básicos de sua nobre religião, os quais dizem que todo sofrimento é a herança da humanidade. O único modo de terminar com o sofrimento é pela purificação da mente. O indivíduo cria seu próprio sofrimento e somente ele poderá fazê-lo cessar. Não se pode esperar erradicar as conseqüências de suas ações maléficas simplesmente mudando o rótulo religioso à beira da morte.

O destino de um homem que está morrendo em sua vida futura depende dos últimos pensamentos que aparecerem a ele de acordo com o bom e o mau kamma que tiver acumulado durante sua vida corrente, independentemente de qual tipo de rótulo religioso ele preferir portar no último momento.

5 comentários em “Mudar de rótulo religioso antes da morte

    aparecida paiva disse:
    30 junho, 2007 às 7:04 pm

    Gostei muito do comentário e concordo e sinto-me aliviada em perceber que há uma religião com a qual me identifico.
    Obrigada

    leandro disse:
    4 julho, 2007 às 12:13 pm

    Não existe um ingresso para o céu que pode ser comprado com dinheiro ou titulo de membro desta ou daquela religião. pode-se ter o céu aqui ou o inferno. vejo o buddhismo como uma prática de extrema ajuda em alcançar a paz e desenvolvimento espiritual. mesmo que ouça com frequencia que é uma ‘religiao’ da não ação, e sinta especial dificuldade em conseguir tratar bem aqueles que tanto nos fazem mal.
    sasaki obrigado pelas traduções 🙂
    gashô
    leandro(ilheus)

    Índice « No Que Os Buddhistas Acreditam disse:
    24 setembro, 2007 às 10:31 am

    […] Mudar de rótulo religioso antes da morte […]

    Eliane disse:
    17 junho, 2008 às 10:25 pm

    Costumo dizer que quando eu morrer, não quero ir para o céu. Explico: Com a mente que tenho farei do céu um inferno, mas não só eu, outras pessoas (mentes) também. Então o céu, logicamente, viraria um inferno!

    Cinício disse:
    21 fevereiro, 2010 às 7:49 pm

    Religião não pode ser uma conveniência conforme as circunstâncias indicarem. Implica em adesão consciente, que envolve mente e coração abertos. O Budismo, pela sua prática não sectária ou proselitista, reflete a honestidade de seus princípios e a nobreza de seus valores.

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