Por que não há paz?

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O homem se esqueceu de que tem um coração. Ele se esquece de que se ele trata o mundo gentilmente, o mundo irá tratá-lo gentilmente em retorno.

Vivemos num mundo de contradições realmente impressionantes. Por um lado, as pessoas têm medo da guerra; e, por outro, elas se preparam para a com frenesi. Elas produzem em abundância, mas distribuem com avareza. O mundo se torna mais e mais populoso, mas o homem se torna cada vez mais isolado e solitário. Os homens vivem perto uns dos outros como em uma grande família, mas cada indivíduo se encontra, mais do que nunca, separado do seu vizinho. A carência de entendimento mútuo e sinceridade são impressionantes. Um homem não pode confiar num outro, por mais que aquele seja bom.

Quando as Nações Unidas surgiu, após os horrores da Segunda Guerra Mundial, os dirigentes das Nações se reuniram para assinar a carta de intenções que deveria começar com o seguinte preâmbulo: “Desde que é na mente dos homens que a guerra se inicia, é na mente dos homens que a fortificação da paz deve ser erigida”. Este mesmo sentimento é ecoado no primeiro verso do Dhammapada que declara: “Todos os estados (mentais) tem a mente como precursor, a mente é seu chefe, e são produzidos pela mente. Se uma pessoa fala ou age, com uma mente impura, o sofrimento o segue como a roda segue a pata do boi que puxa a carroça”.

A crença de que a única maneira de combater a força é aplicando mais força tem levado à corrida armamentista entre os grandes poderes. E essa competição para aumentar as armas de guerra tem levado a humanidade à beira da total auto-destruição. Se não fizermos nada sobre isso, a próxima guerra será o fim do mundo, onde não haverá nem vitoriosos nem vítimas – somente corpos mortos.

O ódio não cessa pelo ódio; somente pelo amor ele cessa”. Tal é o conselho do Buddha àqueles que pregam a doutrina do antagonismo e da má-vontade, e que colocam os homens em guerra e rebelião uns contra os outros. Muitas pessoas dizem que o conselho do Buddha de devolver o mal com o bem é impraticável. De fato, é o único método correto para resolver qualquer problema. Esse método foi introduzido pelo grande Mestre a partir de Sua própria experiência. Porque somos orgulhosos e egoístas, relutamos em devolver o mal com o bem, pensando que o público irá nos considerar pessoas covardes. Algumas pessoas até mesmo pensam que a bondade e a gentileza são atitudes afeminadas; não coisas de ‘macho’! Mas qual prejuízo existe se pudermos resolver nossos problemas, trazendo a paz e a felicidade, pela adoção desse método educado e pelo sacrifício de nosso perigoso orgulho?

A tolerância deve ser praticada se quisermos que a paz chegue nessa terra. A força e a compulsão somente criarão a intolerância. Para estabelecer a paz e a harmonia na humanidade, cada um de nós deve primeiro aprender a praticar os caminhos que levam à extinção do ódio, cobiça e confusão, as raízes de todas as forças maléficas. Se a humanidade puder erradicar essas forças maléficas, a tolerância e a paz chegarão para esse mundo atribulado.

Nos dias de hoje, os seguidores do compassivo Buddha têm uma obrigação especial de trabalhar para o estabelecimento da paz no mundo, e mostrar um exemplo para outros, seguindo o conselho do Mestre: “Todos tremem com a punição, todos temem a morte; comparando-se com os outros, uma pessoa não deve matar nem causar a morte”. (Dhammapada 129).

A paz é sempre alcançável. Mas o caminho para a paz não é somente através das orações e rituais. A paz é o resultado da harmonia do homem com seus companheiros e com seu meio ambiente. A paz que tentamos introduzir pela força não é uma paz duradoura. É um intervalo entre o conflito do desejo egoísta e as condições mundanas.

A paz não pode existir nessa terra sem a prática da tolerância. Para ser tolerante, não podemos permitir que a raiva e a inveja prevaleçam em nossa mente. O Buddha disse: “Nenhum inimigo pode prejudicar tanto quanto nossos próprios pensamentos de desejo, ódio e inveja”. (Dhammapada 42)

O Buddhismo é uma religião de tolerância porque prega a vida da auto-restrição. O Buddhismo ensina uma vida baseada, não em regras, mas em princípios. O Buddhismo nunca perseguiu ou maltratou aqueles cujas crenças eram diferentes. O Ensinamento é tal que não é necessário para ninguém se rotular como buddhista a fim de praticar os Nobres Princípios dessa religião.

O mundo é como um espelho e se você se olha no espelho com um rosto sorridente, poderá ver sua própria face, bela e sorridente. Por outro lado, se você olha com uma face triste, verá invariavelmente a feiúra. Similarmente, se você tratar o mundo amorosamente, o mundo irá tratá-lo com certeza também amorosamente. Aprenda a ser pacífico consigo mesmo e o mundo será também pacífico com você.

A mente do homem é dada a tanto auto-engano que ele não quer admitir suas próprias fraquezas. Tentar encontrar desculpas para justificar suas ações e criar uma ilusão de que não tem qualquer culpa. Se um homem quiser ser realmente ser livre, ele deve ter a coragem de admitir sua própria fraqueza. O Buddha disse: “Facilmente vemos as falhas dos outros; mas difícil é ver suas próprias falhas”.

8 comentários em “Por que não há paz?

    Índice « No Que Os Buddhistas Acreditam disse:
    20 março, 2007 às 6:59 am

    […] Por que não há paz? […]

    Leandro disse:
    28 março, 2007 às 11:41 am

    Só podemos agradecer ao trabalho de tradução do prof. sasaki, e agradecer aos mestres e pessoas que nos fornecem tanta fonte de sabedoria e paz duradoura, não porque é uma técnica especial, mas porque ela é simplesmente real. A prática de viver com o ensimanto mostrado: “O ódio não cessa pelo ódio; somente pelo amor ele cessa”, tem resultados impressionantes. Várias pessoas que me olhavam com indiferença e provocações por eu não frequentar o mesmo ambiente que eles(shows, bares, futebol…) passaram a me tratar bem.. por que? pensei ‘por que não tratar bem até quem me trata mal?” e pus em prática. é impressionante como é gratificante e apacifica a mente esta prática! Realmente é dificil dar o bem a quem nos faz mal… mas parece ser mais saudável do que atear fogo para combater um incendio.
    “Se não fizermos nada sobre isso, a próxima guerra será o fim do mundo, onde não haverá nem vitoriosos nem vítimas – somente corpos mortos.”,

    Achei interessante este trecho, porque mostra algo que eu acredito,a não-ação é uma ação. Não devemos sair com AR-15 para evitar uma guerra, mas podemos auxiliar aos nossos amigos, colegas,desconhecidos, a encontrar a paz.
    quem quiser conversar ou trocar idéias/experiencias, estou aqui, soarescoelho@gmail.com, gashô!

    Carlos Henrique disse:
    2 abril, 2007 às 5:39 pm

    Caro Leandro, é realmente muito difícil tratar bem quem nos maltrata. Quem alcança este estágio realmente é um mestre. O próprio Aikido de Morihei Ueshiba tem o princípio da não agressão e harmonização com o agressor. Mesmo nos treinos, manter um estado mental sem ego e não-agressivo, é muito difícil mas é nosso dever buscar chegar a tal estado. E assim teremos uma sociedade mais compassiva e feliz. Se quiser entrar em contato o e-mail é aikido72@yahoo.com.br. Saudações!

    leandro disse:
    2 maio, 2007 às 10:15 am

    Carlos, pratiquei 3 anos de aikido.🙂

    CAMILA disse:
    31 agosto, 2007 às 12:10 pm

    obrigado .com o seu texto meu trabalho vai ficar massa.

    zacarias tchombe disse:
    19 setembro, 2008 às 8:17 am

    os paises potenteanivel mundial deveriam controlar muito bem esta situação pos são mai ovido anivel do planeta.

    isabella disse:
    19 abril, 2011 às 9:59 am

    eu pensei que uma pessoa que nao tem paz e aquela que e maltratada,e pertubada por alguma coisa ,trabalha o dia inteiro ,nao tem sosego

    Beisebol e 9/11 | Folhas no Caminho disse:
    28 abril, 2014 às 3:55 pm

    […] nos perguntamos por que não há paz, devemos nos lembrar do velho beisebol, lembrar que devemos lançar nossa bola na direção certa, […]

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