Atitude Buddhista diante da Agressão

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Um buddhista não deve ser o agressor mesmo para proteger sua religião ou qualquer outra coisa.

Ele deve fazer seu melhor para evitar qualquer tipo de ato violento. Algumas vezes ele pode ser forçado a ir para a guerra por outros que não respeitam o conceito de irmandade do homem, tal como ensinado pelo Buddha. Ele pode ser chamado para defender seus companheiros de uma agressão, e tanto quanto não tiver renunciado a vida mundana, ele é preso ao dever de se juntar na luta pela paz e liberdade. Sob essas circunstâncias, ele não pode ser culpado por sua ação de se tornar um soldado ou se envolver na defesa. Entretanto, se cada pessoa fosse seguir o conselho do Buddha, não haveria razão para a guerra acontecer nesse mundo. É o dever de todo homem educado descobrir todas as maneiras e meios possíveis para resolver as disputas de uma maneira pacífica, sem declarar uma guerra para matar seus companheiros humanos. O Buddha não ensinou Seus seguidores a se render a nenhuma forma de poder maléfico – seja homem ou ser sobrenatural.

De fato, com a razão e a ciência, o homem poderia conquistar a natureza, mas, ainda assim, ele nem mesmo tornou segura sua própria vida. Por que a vida está em perigo? Enquanto devotado à razão e regido pela ciência, o homem se esqueceu de que tem um coração que tem sido negligenciado e deixado fraco e poluído pelas paixões.

Se não somos capazes de tornar seguras nossas próprias vidas, então como pode a paz mundial ser possível? Para obter a paz, devemos treinar nossas mentes para encarar os fatos. Devemos ser objetivos e humildes. Precisamos compreender que nenhuma pessoa ou nação está sempre errada. Para obter a paz, precisamos também compartilhar a riqueza da terra, não necessariamente com igualdade, mas pelo menos com justiça. Nunca poderá haver absoluta igualdade, mas certamente pode haver um maior nível de justiça.

É simplesmente inconcebível que 5% da população mundial desfrute de 15% de sua riqueza; ou que 25% do mundo esteja razoavelmente bem alimentado e alguns superalimentados, enquanto 75% do mundo está sempre faminto. A paz somente virá quando as nações estiverem dispostas a dividir e dividir eqüitativamente, o rico ajudando o pobre e o forte ajudando o fraco, criando assim a boa-vontade internacional. Somente se e quando essas condições forem satisfeitas, poderemos imaginar um mundo sem desculpa para a guerra.

A loucura da corrida armamentista precisa parar! Precisamos tentar construir escolas ao invés de cruzadores, hospitais ao invés de armas nucleares. A quantidade de dinheiro e de vidas humanas que os vários governos gastam no campo de batalha deveria ser usada para incentivar a economia em elevar o nível de vida.

O mundo não pode ter paz até que os homens e as nações renunciem aos desejos egoístas, abandonem a arrogância racial, e erradiquem a paixão egoísta por posses e poder. A riqueza não pode assegurar a felicidade. Somente a religião pode efetuar as necessárias mudanças do coração e trazer o único verdadeiro desarmamento – que é o da mente.

Todas as religiões ensinam as pessoas a não matar; mas, infelizmente, esse importante preceito é convenientemente ignorado. Hoje, com os armamentos modernos, o homem pode matar milhões em um segundo, ou seja, mais do que as tribos primitivas fizeram em um século.

Muito infelizmente algumas pessoas de certos países trazem rótulos religiosos, slogans e bandeiras para os campos de batalha. Eles não entendem que estão desonrando o bom nome da religião.

“De fato, monges”, disse o Buddha, “devido ao desejo sensorial, reis lutam com reis, príncipes com príncipes, sacerdotes com sacerdotes, cidadãos com cidadãos, a mãe briga com o filho, o filho briga com o pai, irmão com irmão, irmão com a irmã, irmã com o irmão, amigo com amigo” (Majjihima Nikāya).

Podemos felizmente dizer que pelos últimos 2500 anos nunca houve uma discórdia séria ou um conflito criado por buddhistas que tivesse levado à guerra em nome dessa religião. Esse é um resultado do caráter dinâmico do conceito de tolerância contido no ensinamento do Buddha.

2 comentários em “Atitude Buddhista diante da Agressão

    helder disse:
    9 abril, 2007 às 11:32 am

    Por acaso encontrei essa matéria de relevância com o assunto tratado.

    “The Dalai Lama’s Army”

    http://www.buddhistchannel.tv/index.php?id=8,3916,0,0,1,0

    Walter Armellei Junior disse:
    18 agosto, 2015 às 7:38 am

    Infelizmente, as nações nunca estarão dispostas a repartir a riqueza em favor dos necessitados. A História comprova isso. A questão é: como construir uma sociedade justa sem que haja revolução ou violência?

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