Um buddhista pode se juntar ao Exército?

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Você pode ser um soldado da Verdade, mas não o agressor.

Um dia, Sinha, o general do exército, foi até o Buddha e disse: “Sou um soldado, ó Abençoado. Fui designado pelo Rei para fazer cumprir suas leis e travar suas batalhas. O Buddha ensina o amor infinito, a bondade e a compaixão para todos os que sofrem: O Buddha permite a punição do criminoso? E também, o Buddha declara que é errado ir à guerra para a proteção de nossas casas, nossas esposas, nossos filhos e nossas propriedades? O Buddha ensina a doutrina da completa rendição? Devo sofrer com o ato do homem mau em fazer o que lhe agrada e render-me passivamente a ele que ameaça tomar pela violência o que é meu? O Buddha sustenta que toda luta, incluindo a guerra travada por uma causa justa, deva ser proibida?

O Buddha respondeu: “Aquele que merece punição deve ser punido. E aquele que é merecedor de favores deve ser favorecido. Não machuque nenhum ser vivo, mas seja justo, cheio de amor e bondade”. Tais injunções não são contraditórias porque a pessoa que é punida por seus crimes sofrerá os danos não através da má-vontade do juiz, mas através do próprio ato maléfico. Suas próprias ações trazem os danos impostos pelo executor da lei. Quando um juiz pune, ele não deve abrigar o ódio em seu coração. Quando um assassino é sentenciado à morte, ele deve perceber que sua punição é o resultado de sua própria ação. Com esse entendimento, ele não mais lamentará seu destino, mas terá sua mente consolada. E o Abençoado continuou: “O Buddha ensina que toda guerra na qual o homem tenta matar seus irmãos é lamentável. Mas ele não ensina que aqueles envolvidos numa guerra para manter a paz e a ordem, após ter exaurido todos os meios de evitar o conflito, são censuráveis”.

A luta precisa existir, porque toda a vida é, de alguma forma, um luta. Mas certifique-se de que a luta não seja pelo interesse próprio contra a verdade e a justiça. Ele que luta devido ao interesse próprio a fim de tornar-se grande, poderoso, rico ou famoso, não terá recompensa. Mas aquele que luta pela paz e pela verdade terá grande recompensa: mesmo sua derrota será julgada como uma vitória”.

Se uma pessoa vai para uma batalha mesmo por uma causa correta, então, Sinha, ele precisa estar preparado para ser morto pelo seu inimigo porque a morte é o destino dos guerreiros. E se seu destino chegar a ele, ele não terá razão para reclamações. Mas se ele é vitorioso seu sucesso pode ser considerado como grande; mas não importa quão grande seja, a roda da fortuna poderá girar novamente e levar sua vida de volta pra o pó. Entretanto, se ele cultivar a moderação e extinguir todo o ódio em seu coração, se ele estender a mão ao seu adversário, levantá-lo e dizer a ele: “Venha agora, façamos a paz e sejamos irmãos”, então ele obterá uma vitória que não é um sucesso passageiro; porque os frutos de tal vitória permanecerão para sempre”.

Grande é um general bem sucedido, Sinha, mas aquele que conquista a si próprio é o maior vitorioso. Este ensinamento da conquista de si próprio, Sinha, não é ensinado para destruir as vidas de outros seres, mas para protegê-las. A pessoa que conquistou a si mesma está mais apta para viver, ser bem sucedida e obter vitórias do que uma pessoa que é escrava de si mesma. A pessoa cuja mente é livre da ilusão do ‘eu’, permanecerá de pé e não cairá na batalha da vida. Aquele cujas intenções são corretas e justas, não encontrará fracassos. Ele terá sucesso em seu empreendimento e seu sucesso durará. Quem abriga o amor à verdade em seu coração viverá e não sofrerá, porque bebeu da água da imortalidade. Então lute corajosa e sabiamente. Serás, então, um soldado da Verdade”.

Não há justiça na guerra ou na violência. Quando declaramos guerra, nós a justificamos; quando outros declaram a guerra, dizemos, que é injusta. Então quem pode justificar a guerra? O homem não deveria seguir as leis da selva a fim de superar os problemas humanos.

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12 comentários em “Um buddhista pode se juntar ao Exército?

    Mauricio Ghigonetto (Shaku Hondaku) disse:
    12 fevereiro, 2007 às 8:55 am

    Acho que esse ensinamento esclarece de uma vez por todas a posição budista sobre assuntos polêmicos como guerras e pena de morte. Por mais chocante que possa parecer, a guerra e a pena de morte se instaladas serão aplicadas como resultado da ação de alguém. Será a consequência determinada por um ato, ou seja, ao praticar um delito ou declarar uma guerra, aquele que o faz sabe que haverá a possibilidade de ser executado ou que vidas, inclusive a sua, serão perdidas. O Budismo não legisla sobre a moral alheia, nem sobre a conduta social, nem tenta impor sua visão como dogma definitivo, nem pautar a vida de ninguém, simplesmente ele coloca que: NA VIDA, TUDO TEM UMA CAUSA E UM EFEITO. Tão simples quanto isso. Parabens pelo texto!

    Marcos Ubirajara disse:
    12 fevereiro, 2007 às 4:07 pm

    Positivamente, sim. Dentro das minhas limitações, aprendi que o estado de Buda ou Budeidade é inerente a todas as coisas e fenômenos. Como então este potencial que temos poderia estar ausente apenas por estarmos cercados pelas relações circunstanciais do inferno?

    Respeitosamente.

    antonio disse:
    12 fevereiro, 2007 às 8:19 pm

    mas e qem faz as leis?eh preciso pensar tambem como povo e q somos responsaveis porq votamos escolhendo qem farah as leis e alguns de nos (votados) as fazem.estamos num regime democratico e esats “peqenas” decisoes afetam o todo de maneira consideravel.p ex ha pessoas q consideram lula fraco comrelacaum a negociar com paises q qerem nacionalizar as empresas estrangeiras.estas pessoas intimamente esperam decisoes mais energicas e sassoes e uma parte dela espera mesmo uma declaracaum de gerra,elas naum pensaum no sofrimento q isso pode causar.mas alguma pessoas votam nessas pessoas,numa situaçaum como esta mudaria o rumo de uma naçaum tais sujeitos estarem no poder.o mesmo se aplica a pena de morte, aborto,etc.devemos escolher o mais adequado.as leis naum existem por si, saum pessoas q as fazem.lembremos q tudo estah ligado de alguma forma.buda em outro discurso descreve um bom administrador.no regime democratico eh nossa responsabilidade escolher o bom administrador.p ex muita gente vota em certos belicistas por estes prometerem acabar com a violencia atravez de uma forte repressaum armada.sabemos o quanto isso pode ser desastroso se naum estiver aliado a politicas q cuidem de outros fatores q sau as distintas variaveis q envolvem o problema.ou seja,naum eh taum simples assim.existem lideres e lideres.devemos defender a liberdade,os direitos e os interesses do nosso povo.mas ateh q ponto devemos defender tais interesses e a q custo?isto eh tambem causa e consequencia.devemos punir exemplarmente.mas ateh onde podemos xegar com essa puniçaum e a q custos?p ex valeria a pena a tortura?serah q trabalhos forçados eh realmente um atentado aos direitos do cidadaum (o detento, no caso!)?cada caso eh um caso,naum ha regra geral…
    antonio

    hoen disse:
    13 fevereiro, 2007 às 9:03 am

    esse texto é um texto do budismo hinayana ou teravada ou seja o budismo dos arhats

    o zen que é budismo mahayana e é o budismo dos bodisatvas como a monja coen ensina a compaixao

    por isso o zen é contra todo tipo de violencia e contra pena de morte

    dhanapala respondido:
    13 fevereiro, 2007 às 9:12 am

    Olha Hoen, é até surpreendente que você traga à discussão conceitos tão ultrapassados como budismo “hinayana” como pregando algum tipo de visão agressiva e colocar mahayana como sinônimo de compaixão. É isso o que a monja Coen ensina? Primeiramente o texto não apóia violência nem pena de morte. Por favor, leia com atenção. Depois que é justamente em algumas países mahayanas que há várias violências institucionalizadas. Sugiro que vc confira um pouco o sistema japonês, passado e presente. Depois que o texto em questão fala de exemplos dados pelo Buddha, e isso não é nem hinayana nem mahayana. E por último dizer que qqr outro buddhismo que não seja mahayana não prega a compaixão, é até surpreendente ver isso afirmado.

    Emerson R. Zamprogno disse:
    16 fevereiro, 2007 às 2:43 pm

    Sugiroa todos, a título de reflexão, a leitura do texto “Genocídio Social”, de autoria do prof. Cláudio Miklos, estudioso do budismo zen Vietnamita:

    http://tamhaovan.multiply.com/journal/item/66

    Jorge disse:
    18 fevereiro, 2007 às 7:10 am

    O que vi, depois de algumas leituras, é que o Buddha dá uma resposta específica para um soldado. Não acho que o autor do comentário esteja dizendo que a pena de more seja algo que deve ser aceito por todos como algo “justo”. Ele segue apenas o raciocínio do Buddha. Dá uma orientação específica, no caso, ao assassino. Para este, o melhor é aceitar a punição que lhe é imposta sem achá-la “injusta” ou nutrir ódio ou rancor contra aqueles que o puniram. Assim como o juiz que pode sentenciar a pena capital deve fazê-lo, da melhor forma para si, sem ódio pelo assassino. Como o Buddha orienta ao soldado que, sendo ele um soldado, que seja um soldado da verdade e justiça, ou seja, que aja da forma mais benéfica dentro de suas limitações. Isto apenas exemplifica de maneira excepcional a habilidade do Buddha em ensinar! Há uma um ensinamento, nos textos pali, dos quais não me lembro o nome agora, em que o Buddha orienta a ladrões a, desde de que seja impossível parar de roubar imediatamente, que eles ao menos roubem da forma menos prejudicial possível! Que não roubem de seus conhecidos, que não roubem de doentes, que não matem para roubar e mais ou menos assim vai… é possível que alguém veja nisto, de forma errônea, um incentivo do Buddha para o roubo!
    Então eu penso desta forma:
    É preciso ter em mente que os preceitos diretos que o Buddha deu vêm antes destas orientações específicas e pessoais como o texto acima. É o que eu acho.

    dhanapala respondido:
    13 março, 2007 às 4:57 pm

    Sobre esta passagem é bom também conferir aqui.

    Leandro disse:
    21 março, 2007 às 10:37 am

    Mesmo que alguem deliberadamente nos faça mal repetidas vezes, dando-lhe chances de se redimir e a pessoa continue te magoando, deveria ter tanta compaixão por essas pessoas que fazem o mal só porque é mais agradavel do que fazer o bem?atacando de todos os modos e sendo traiçoeiros?, sei que eles estão me dando a possibilidade de crescer espiritualmente, mas até que ponto vai a compaixão?, gashô.

    Carlos Henrique disse:
    2 abril, 2007 às 4:13 pm

    Quem viver pela espada morrerá pela espada. Bons e maus. Simples assim. Causa e efeito. A questão é a decisão entrar ou não em uma guerra. Se sim, certifique-se de ter sido a última alternativa, e que seja para um bem do maior número de pessoas. Se não …

    Saudações

    helder disse:
    9 abril, 2007 às 11:19 am

    obrigado pelo esclarecimento, dhanapala.

    guilherme disse:
    20 março, 2008 às 10:39 am

    e mas da onde esse texto foi retirado? algum sutra? qual sutra?

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