A Atitude Buddhista diante da Astrologia

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A questão que a maioria das pessoas pergunta é de se o Buddhismo aceita ou rejeita a astrologia. Falando estritamente, o Buddha não fez nenhum pronunciamento direto sobre esse tema, uma vez que em muitos outros casos, Ele afirmou que a discussão sobre assuntos como esses não pertencem ao desenvolvimento espiritual. O Buddhismo, ao contrário de algumas religiões, não condena a astrologia e as pessoas são livres para usarem o conhecimento que possam obter dela a fim de tornar suas vidas mais significativas. Entretanto, se estudarmos os ensinamentos do Buddha cuidadosamente, aceitaremos que uma compreensão apropriada e inteligente da astrologia pode ser uma ferramenta útil. Há uma ligação direta entre a vida de um indivíduo humano e o vasto funcionamento do cosmos. A ciência moderna está de acordo com os ensinamentos do Buddhismo. Sabemos, por exemplo, que há uma ligação estreita entre o movimento da lua e o nosso próprio comportamento. Isso é percebido especialmente naqueles mentalmente perturbados e nas pessoas anormalmente violentas. É também verdade que algumas doenças, como a asma e a bronquite são agravadas com a lua crescente. Há, portanto, base suficiente para que outros planetas possam também influenciar nossas vidas.

O Buddhismo aceita que há uma imensa energia cósmica que pulsa através de todas as coisas vivas, incluindo as plantas. Essa energia interage com a energia kármica que um indivíduo gera e determina o curso que uma vida tomará. O nascimento de um indivíduo não é a primeira criação de uma vida, mas a continuação de uma que sempre existiu e irá continuar a existir enquanto a energia kármica não for abrandada até a libertação final em um estado incondicionado. Agora, para que uma vida se manifeste em uma nova existência, certos fatores, como estações, ordem germinal e natureza devem existir. Elas são ajudadas pela energia mental e pela energia kármica, e todos esses elementos estão em constante interação e interdependência um com o outro, resultando em mudanças constantes na vida de um ser humano.

De acordo com os astrólogos, o momento em que uma pessoa nasce é pré-determinado pela energia cósmica e pela energia kármica. Pode-se concluir daí que a vida não é meramente acidental: ela é resultado da interação entre o karma do indivíduo e a força da energia universal. O curso de uma vida humana é pré-determinado, causado parcialmente pelas próprias ações de um ser no passado e pela energia que ativa o cosmos. Uma vez iniciada, uma vida é controlada pela interação entre essas duas forças até mesmo quanto ao momento em que um nascimento ocorre. Um astrólogo habilidoso então, à medida que compreende a influência do cosmos tanto quanto a do karma, pode mapear o curso de uma vida, baseando-se no momento do nascimento da pessoa.

Enquanto estamos, em um sentido, à mercê dessas forças, o Buddha nos apontou um caminho através do qual podemos escapar de sua influência. Todas as energias kármicas estão armazenadas na mente subconsciente, normalmente descrita como impurezas e purezas mentais. Uma vez que as forças kármicas influenciam o destino, uma pessoa pode desenvolver sua mente, recusando certas influências maléficas causadas pelo prévio kamma maléfico. Uma pessoa pode também ‘purificar’ sua mente e se livrar de todas as energias kármicas e, assim, evitar o renascimento. Quando não há renascimento, não há vida potencial e, conseqüentemente, não haverá existência ‘futura’ que possa ser predita ou mapeada. Em tal estágio de desenvolvimento mental e espiritual, se terá transcendido a necessidade de conhecer sobre sua vida, pois a maioria das imperfeições e insatisfações já teria sido removida. Um ser humano altamente desenvolvido não terá necessidade de um horóscopo.

Desde o início do século XX, psicólogos e psiquiatras têm chegado a reconhecer que há muito mais na mente humana do que os materialistas extremos estão prontos a aceitar. Há mais no mundo do que aquilo que pode ser visto e tocado. O famoso psicólogo suíço, Carl Jung, costumava fazer os horóscopos de seus pacientes. Em uma ocasião, quando fez uma analise astrológica de cerca de 500 casamentos, ele descobriu que as descobertas de Ptolomeu, no qual a astrologia ocidental está baseada, ainda eram válidas, e que aspectos favoráveis entre o sol e a lua dos diferentes parceiros produziam casamentos felizes.

O conhecido psicólogo francês, Michel Gauguelin, que originalmente mantinha uma atitude negativa quanto à astrologia, fez uma pesquisa com aproximadamente 20.000 horóscopos e descobriu, para sua surpresa, que as características das pessoas estudadas coincidiam com a caracterização produzida pelos métodos psicológicos modernos.

O plantio de certas flores, árvores e vegetais em diferentes épocas de um ano produzirão diferenças na força ou na aparência das plantas. Assim, não há razão para duvidar de que pessoas nascidas em certas épocas do ano terão características diferentes das pessoas nascidas em outras épocas. Conhecendo suas fraquezas, falhas e deficiências, um homem pode fazer seu melhor a fim de superá-las e se tornar uma pessoa melhor e mais útil para a sociedade. Isso também irá ajudá-lo muito a se livrar da infelicidade e dos desapontamentos. (Sair do país onde a pessoa nasceu, por exemplo, pode algumas vezes ajudar a evitar a influência das estrelas).

Shakespeare disse: “O fracasso não está em nossas estrelas, mas em nós mesmos”. Um conhecido astrólogo disse: “As estrelas impelem; elas não compelem”. São Thomas de Aquino disse: “Os planetas influenciam a parte mais elementar do homem do que as suas paixões”, mas, através do seu intelecto, o homem pode arranjar sua vida em harmonia com os planetas, e também cultivar seus talentos inerentes e manipulá-los para sua melhoria.

A astrologia não pode, automaticamente, resolver todos os seus problemas. Você deve fazê-lo por você mesmo. Como um médico que pode diagnosticar a natureza das doenças, um astrólogo pode também apenas mostrar certos aspectos de sua vida e caráter. Depois disso, é deixado a você ajustar seu modo de viver. A tarefa ficará mais fácil, é claro, conhecendo aquilo com o que se defronta. Algumas pessoas são dependentes em demasia da astrologia. Elas correm para o astrólogo toda vez que alguma coisa acontece ou quando têm um sonho. Lembre-se, mesmo hoje, a astrologia é uma ciência muito imperfeita e mesmo os melhores astrólogos podem cometer sérios erros. Use a astrologia inteligentemente, assim como usaria qualquer ferramenta que tornasse sua vida mais confortável e agradável. Acima de tudo, esteja atento a falsos astrólogos que estão aí para enganá-lo dizendo, não a verdade, mas aquilo que você deseja ouvir.

Não espere que a boa sorte chegue ou seja dada a você facilmente sem nenhum esforço de sua parte. Se quiser colher o produto, você deve plantar a semente e precisa ser a semente correta. Lembre-se: “A oportunidade bate à porta, mas nunca quebra a fechadura para entrar”.

3 comentários em “A Atitude Buddhista diante da Astrologia

    Paulo disse:
    18 outubro, 2006 às 1:31 pm

    O que me atrai no Buddhismo é exatamente isso.
    Ele exige de ti maturidade.
    Não espere os astros, deuses, nada.
    Não seja uma criança que espera ajuda do papai.
    O Caminho está indicado.
    Ande com suas próprias pernas!

    Guilherme disse:
    27 outubro, 2006 às 12:32 am

    Gostei muito do texto! Sou budista da linha Theravada, estudei astrologia, fiz o meu mapa astral através de livros e cálculos, já adivinhei o signo de várias pessoas e percebo que o estudo do meu mapa astral auxiliou o meu autoconhecimento. Mas é o tal negócio: essas informações só são úteis quando alguém as utiliza para processar mudanças, e não se acomodar. Identificar-se com algum signo astrológico, dizendo para os outros e para si mesmo coisas como “sou sagitariano” parece-me algo improdutivo, pois a pessoa se apega a um eu ilusório. Houve uma época em que lia tudo sobre um determinado signo (exemplo: escorpião) e depois afirmava com convicção para mim mesmo: “a partir de agora, vou sentir, pensar e agir como um escorpiano”. Resultado: eu realmente adquiria todas as características daquele signo e, para minha surpresa, até o horóscopo do signo (que eu acreditava ser) no jornal relatava detalhes da minha vida pessoal. Autosugestão? Como o próprio texto explica, somos o resultado de todas as nossas ações passadas, e nascermos com tendência a determinadas características é normal. Entretanto, tudo é um vir-a-ser, e se apegar muito a esse tipo de coisa pode atrapalhar. Ao mesmo tempo, é uma boa ferramenta para conhecermos e lidarmos com as pessoas, pois seu signo, amiúde, diz alguma coisa sobre ela. Sou psicólogo, já li vários livros do (e sobre) Jung e sei bem do que estou falando. Um abraço! guinassou@ubbi.com.br – Guilherme

    Guilherme disse:
    27 outubro, 2006 às 1:07 am

    Certa vez, Gautama visitou uma pequena vila chamada kesaputra, no reino de Kosala, cujos habitantes se chamavam Kalamas. Eles fizeram a seguinte pergunta ao Buda: “Senhor, alguns anacoretas e brâmanes que passaram por nossa vila divulgaram e exaltaram suas próprias doutrinas e condenaram e desprezaram as doutrinas dos outros. Depois, passaram outros que fizeram o mesmo. Mas nós, senhor, estamos sempre em dúvida e perplexos, sem saber qual desses veneráveis expôs a verdade e qual deles mentiu”.

    Então o Buda respondeu:

    – Sim, é justa a dúvida que sentis, pois ela se originou de um assunto duvidoso. Agora prestem atenção: não vos deixei guiar pelas palavras dos outros, nem por tradições, nem por rumores. Não vos deixei guiar pela autoridade dos textos religiosos, nem por simples lógica ou dedução, nem por aparências, nem pelo prazer da especulação sobre opiniões, nem por verossimilhanças possíveis, nem por simples impressão ou idéia. Todavia, Kalamas, desde que souberdes e sentirdes, por vós mesmos, que certas coisas são desfavoráveis, falsas e ruins, então renunciai a elas. E quando souberdes e sentirdes, por vós mesmos, que certas coisas são favoráveis e boas, então deveis aceitá-las e segui-las.

    Guilherme (budista theravada) – guinassou@ubbi.com.br

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