Leitura da sorte e encantamentos

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O trabalho duro é a estrela mais sortuda

Apesar de o Buddhismo não refutar a crença em deidades, espíritos, astrologia e adivinhação, o conselho do Buddha foi o de que as pessoas não deveriam ser escravas de qualquer dessas forças. Um bom buddhista pode superar todas as suas dificuldades se souber como fazer uso de sua inteligência e força de vontade. As crenças mencionadas acima não têm significância ou valor espiritual. Os homens devem superar todos seus problemas e dificuldades por seus próprios esforços e não através de médiuns de deidades, espíritos, astrologia ou adivinhação. Em uma das estórias dos Jatakas buddhistas, o Bodhisatta disse:

“O tolo pode procurar por dias de sorte,

Mas a sorte sempre lhe faltará,

A sorte é, ela mesma, a sorte da própria estrela,

O que podem meras estrelas alcançar?”

Ele acreditava que o trabalho duro era a estrela de mais sorte e alguém não deveria perder tempo consultando estrelas e dias de sorte de maneira a alcançar o sucesso. Fazer o melhor para ajudar a si mesmo é melhor que confiar somente nas estrelas ou em forças externas.

Embora alguns buddhistas pratiquem adivinhações e produzam algumas formas de encantos ou amuletos em nome da religião, o Buddha em momento algum encorajou a prática de tais coisas. Como na leitura da sorte, os encantamentos também aparecem na categoria da superstição, e não tem valor religioso. Ainda assim, há muitas pessoas que hoje, por causa de doenças e infortúnios atribuem a causa de seus males e má sorte ao poder dos encantamentos. Quando a causa de certas doenças e infortúnios não pode ser assegurada ou encontrada, muitas pessoas tendem a acreditar que seus problemas se devem a encantamentos ou a alguma outra causa externa. Elas se esqueceram de que agora estão vivendo no século vinte. Essa é a era moderna do desenvolvimento e realização científicos. Nossos principais cientistas descartaram muitas crenças supersticiosas e até mesmo colocaram o homem na lua!

Todas as doenças devem sua origem seja a causas mentais seja a físicas. Em Shakespeare, Macbeth perguntou a um médico se havia algum remédio que pudesse curar sua esposa e o médico respondeu: ‘Mais ela precisa do divino do que do médico’. O que ele queria dizer é que algumas doenças podiam somente ser curadas se a mente fosse purificada. Algumas desordens mentais severas se manifestam de uma maneira física – úlceras, dores estomacais, etc.

As doenças puramente físicas, claro, podem ser curadas por um médico competente. E, finalmente, algumas desordens inexplicáveis podem ser causadas pelo que os buddhistas chamam de amadurecimento do fruto do kamma (skr. karma). Isso significa que teríamos que pagar por algumas ações maléficas que cometemos em uma vida passada. Se pudermos compreender isso no caso de algumas doenças incuráveis, poderemos suportá-las com maior paciência, conhecendo sua causa real.

As pessoas que não podem ser curadas de suas doenças são aconselhadas a consultar um especialista médico e obter atenção especializada. Se depois de submetido a um check-up médico, uma pessoa ainda sentir falta de mais atenção, então ela poderá buscar uma orientação espiritual de um mestre religioso apropriado.

Aconselha-se fortemente que os buddhistas evitem cair no poço miserável das crenças supersticiosas, permitindo que a mente seja perturbada por medos desnecessários e infundados. Cultivem uma poderosa força de vontade recusando-se a acreditar na influência de encantamentos.

Um breve curso de meditação também pode se provar como sendo de muita ajuda no sentido de clarear a mente de pensamentos insalubres. A meditação leva à purificação da mente. Uma mente purificada automaticamente leva a um corpo purificado e saudável. O Buddha-Dhamma é um bálsamo suavizante no sentido de se livrar das doenças dessa natureza.

3 comentários em “Leitura da sorte e encantamentos

    Moisés Campana disse:
    4 outubro, 2006 às 9:24 am

    Falor e não disse nada se no final falor de karma, que responsabilidade tenho eu dos erros dos outro,por que tenho de pagar no meu corpo erros de vidas passadas, se os meus desejos sam outros, que culpa tenho de ter o livre arbitrio. E como fica ele nessa coisa de karma?.

    Paulo disse:
    18 outubro, 2006 às 1:27 pm

    Algumas considerações:

    1) o conhecimento do karma nos diz que todos os atos têm resultados. Atos virtuosos, resultados virtuosos; atos sem virtude, resultados sem virtude; atos neutros, resultados neutros. Assim, o conhecimento do karma não se liga à noção de “pagamento de erros” – apenas de ações, seus resultados e responsabilidade.

    2) sobre “livre-arbítrio”. O que é “livre-arbítrio”? Vc escolheu nascer no Brasil? Falar português? Ser parente de fulano ou beltrano? Todos nós nascemos dentro de determinadas situaçãos/condições, e nossa ‘liberdade’ só existe relativamente a essas condições. Assim, não há “livre-arbítrio” pleno. Todos somos livres para usar nossas heranças (kármicas/nossas condições) da maneira que nos aprouver. Mas não pdoemos negar nossas condicionalidades.

    Bem, é mais ou menos assim que vejo a situação.
    Claro, há outros elementos que devem ser lembrados também, como a inexistência de um “eu” – inexistência não só de um “eu” que passe “de uma vida pra outra” mas de um “eu” que permaneça “numa mesma vida” (mas aí complica demais – acho que foi por isso que o Buddha disse, no Acintita Sutta, que não se deve conjecturar sobre karma).

    Paulo

    Guilherme disse:
    27 outubro, 2006 às 12:54 am

    Quando a pessoa vive o Dharma, vivencia a plena atenção no cotidiano (o que significa viver o aqui e agora), pratica a meditação sentada e lê a doutrina todos os dias, ela percebe que não precisa mais recorrer a oráculos.

    A prática da meditação sentada, por exemplo, ajuda muito um indivíduo a melhorar sua intuição.

    Já joguei muito o I Ching e percebi que ele realmente dava boas orientações. A pessoa que precisa recorrer a esse tipo de consulta está muito preocupada com alguma coisa futura e não possui, naquele momento, recursos para lidar com a situação de um modo confiante.

    Mediunidade, na minha modéstia opinião, é algo negativo. Já li em livros de ocultismo que o Karma da mediunidade é a epilepsia em vidas futuras.

    Com relação aos problemas físicos ou psíquicos que alguém por ventura tenha, eles realmente podem ser frutos de algum “trabalho”, mas ninguém deve ficar paranóico com isso. A maioria desses problemas ocorre como resultado de nossas decisões e escolhas ao longo da vida. Já pratiquei magia (magia caótica, luciferianismo), lancei feitiços em algumas pessoas (inclusive em cima de um professor universitário) e, que eu saiba, pelos menos três deles pegaram. O karma por fazer uso desse tipo de ferramenta eu já paguei: fui internado em uma instituição psiquiátrica. Se me arrependo do que fiz? Sinceramente, não. Hoje percebo que posso reverter uma desavença de maneira diferente, sem que isso me traga um karma negativo. Quando percebo que determinada pessoa me causa um sentimento de repulsa, mentalizo coisas positivas para ela antes da meditação e os resultados aparecem: a discordância desaparece.

    guinassou@ubbi.com.br – Guilherme (budista, linha Theravada)

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