Superstições e Dogmas

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As pessoas ridicularizam as superstições dos outros, enquanto cultuam as suas próprias‘.

Todas as dores têm cura, mas não as superstições. E, se por uma ou outra razão, uma superstição se cristaliza numa religião, facilmente se torna um mal quase incurável. Na execução de certas funções religiosas, mesmo pessoas educadas atualmente se esquecem de sua dignidade humana aceitando as  mais ridículas e supersticiosas crenças.

Crenças e rituais supersticiosos foram adotados para decorar uma religião a fim de atrair multidões. Mas, após algum tempo, a hera plantada para decorar o santuário, cresce e domina o santuário, resultando que os objetivos religiosos são relegados ao segundo plano e as crenças e rituais supersticiosos se tornam predominantes – a hera eclipsando o santuário.

Da mesma forma que a superstição, a crença dogmática também sufoca o crescimento saudável da religião. A crença dogmática e a intolerância andam de mãos dadas. Isso faz lembrar a Idade Média com suas pueris inquisições, assassinatos cruéis, violência, infâmias, torturas e queima de seres inocentes. Isso também faz lembrar das barbaridades e das cruzadas implacáveis. Todos esses eventos foram estimulados pelas crenças dogmáticas em autoridades religiosas e pela intolerância que daí resulta.

Antes do desenvolvimento do conhecimento cientifico, as pessoas ignorantes tinham muitas crenças supersticiosas. Por exemplo, muitas pessoas acreditavam que o eclipse do sol e da lua traziam má sorte e pestes. Hoje sabemos que tais crenças não são verdadeiras. Aqui também alguns religiosos inescrupulosos encorajam as pessoas a acreditar em superstições de maneira a usarem os seguidores para seu próprio benefício. Quando as pessoas realmente purificarem suas mentes da ignorância, elas verão o universo tal como realmente é e não sofrerão com superstições e dogmatismo. Essa é a ‘salvação’ que os buddhistas aspiram.

É extremamente difícil para nós quebrarmos o sentimento emocional relacionado à superstição ou à crença dogmática. Mesmo a luz do conhecimento cientifico freqüentemente não é forte o suficiente para fazer com que desistamos dos conceitos errôneos. Por exemplo, notamos por gerações que a terra se move em volta do sol; mas, experiencialmente, ainda percebemos o sol surgindo, atravessando o céu e se pondo ao entardecer. Ainda temos que dar um salto intelectual a fim de imaginar que estamos, de fato, movendo-nos a uma grande velocidade em volta do sol.

Precisamos entender que os perigos do dogmatismo e da superstição seguem de mãos dadas com a religião. O tempo é chegado para que as pessoas sábias separem a religião do dogmatismo e da superstição. Do contrário, o bom nome da religião será manchado e o número de não crentes aumentará, como já acontece.

4 comentários em “Superstições e Dogmas

    » Blog Archive » Superstições e Dogmas disse:
    10 setembro, 2006 às 6:02 pm

    […] Continua aqui […]

    Gabrak disse:
    28 agosto, 2008 às 11:25 am

    “iNGnORâNÇA” Doença mental fatal, traduzo como o desejo de não aprender, pior do que a preguiça, é mais fácil acreditar num pensamento elaborado do que procurar entender, junto com a covardia se torna muito perigosa é uma falsa sensação de poder.Infelizmente o mundo está infestado de pessoas assim.

    A prisão das superstições | Sobre Budismo disse:
    16 dezembro, 2013 às 5:17 am

    […] mestres da tradição Theravada, Ajahn Buddhadasa, descreve com sua forma característica, o papel das superstições em nosso […]

    A prisão das superstições – Folhas no Caminho disse:
    5 janeiro, 2016 às 7:49 am

    […] mestres da tradição Theravada, Ajahn Buddhadasa, descreve com sua forma característica, o papel das superstições em nosso […]

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