O Silêncio do Buddha

Quando o questionador era incapaz de entender o real significado da resposta ou quando as perguntas colocadas a Ele estavam erradas, o Buddha permanecia em silêncio

As escrituras mencionam algumas ocasiões em que o Buddha permanecia em silêncio quanto a questões metafísicas e especulativas colocadas a Ele. Alguns acadêmicos, não compreendendo o silêncio do Buddha, chegaram à conclusão incorreta de que o Buddha era incapaz de responder a tais questões.

Quando o Buddha sabia que o questionador não estava numa posição de entender a resposta por causa de sua profundidade, ou se as questões em si mesmas eram feitas incorretamente, o Bem-Aventurado permanecia em silêncio. Algumas das questões que o Buddha permanecia em silêncio eram:

1. O universo é eterno?
2. Ele não é eterno?
3. O universo é finito?
4. Ele é infinito?
5. A alma é a mesma coisa que o corpo?
6. A alma é uma coisa e o corpo é outra?
7. O Tathagata existe após a morte?
8. Ele não existe após a morte?
9. Ele (ao mesmo tempo) existe e não existe após a morte?
10. Ele (ao mesmo tempo) nem existe ou não existe?

O Buddha, que tinha realmente realizado a natureza dessas questões, observava o nobre silêncio. Uma pessoa comum que ainda não é iluminada poderia ter muito a dizer, mas tudo seria pura conjectura baseada na imaginação.

O silêncio do Buddha sobre tais assuntos é mais significativo que a tentativa de produzir milhares de discursos sobre eles. A insuficiência de nosso vocabulário humano, o qual é construído sobre as experiências relativas, não pode esperar manifestar a profundidade e dimensões da Realidade, que uma pessoa não experimentou por ela mesma por meio do Insight. Em diversas ocasiões, o Buddha pacientemente explicou que a linguagem humana é muito limitada e não podia descrever a Verdade Última. Se a Verdade Última é absoluta, então ela não tem nenhum ponto de referência para pessoas do mundo providas apenas de experiências mundanas e entendimento relativo para compreendê-la totalmente. Quando assim tentam fazer com suas capacidades mentais limitadas, elas se equivocam a respeito da Verdade como os sete homens cegos e o elefante. Um ouvinte que não realizou a Verdade não pode entender a explicação dada, assim como um homem que é cego de nascença não terá como visualizar a cor do céu.

O Buddha não tentava dar respostas para todas as questões feitas a Ele. Ele não se sentia obrigado a responder questões sem significado que refletiam um mau-entendimento grosseiro da parte do questionador e que, de qualquer forma, não tinham relevância para o desenvolvimento espiritual da pessoa. Ele foi um Mestre prático, cheio de compaixão e sabedoria. Ele sempre falou com as pessoas compreendendo completamente seu temperamento, habilidade e capacidade para compreender. Quando uma pessoa fazia uma pergunta, não com a intenção de aprender como levar uma vida religiosa, mas simplesmente para criar uma oportunidade de discutir, o Bem-Aventurado não respondia. As perguntas eram respondidas para ajudar a pessoa na direção da autorealização, não como um modo de mostrar Sua elevada sabedoria.

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