“Protegendo a si mesma a pessoa protege os outros; protegendo os outros ela protege a si mesma”

Uma vez o Bem-Aventurado disse a Seus monges a seguinte história: “Certa vez havia um par de malabaristas que fazia suas acrobacias em um mastro de bambu. Um dia o mestre disse a seu aprendiz: ‘Agora, suba em meus ombros e suba pelo mastro de bambu’. Quando o aprendiz assim o fez, o mestre disse: ‘Agora me proteja bem e eu lhe protegerei. Tomando conta um do outro desta forma, seremos capazes de mostrar nossas habilidades, teremos um bom lucro e você poderá descer do mastro de bambu a salvo’. Mas o aprendiz disse: ‘Não é assim, mestre. Você, ó mestre, deve se proteger e eu também devo me proteger. Assim, autoprotegidos e autoguardados, seremos capazes de realizar nossos feitos e nos proteger um ao outro’”.

“Esta é a maneira correta”, disse o Bem-Aventurado e falou mais em seguida:

“É como o aprendiz disse: ‘Protegerei a mim mesmo’, desta forma a Fundação da Vigilância deveria ser praticada. ‘Protegerei os outros’, desta forma a Fundação da Vigilância deveria ser praticada. Protegendo a si mesma a pessoa protege os outros; protegendo os outros ela protege a si mesma.

“E como uma pessoa, ao se proteger, protege os outros? Pela repetição e frequente pratica da meditação.

“E como uma pessoa, protegendo os outros, protege a si mesma? Pela paciência e tolerância, por meio de uma vida não violenta e sem dano, pela amizade amorosa e pela compaixão” (Satipatthana, SN, N. 19).

“Protegendo a si mesma a pessoa protege os outros; protegendo os outros ela protege a si mesma”. Estas duas sentenças complementam uma a outra e não deveriam ser tomadas ou citadas separadamente.

Atualmente, quando o serviço social é tão enfatizado, as pessoas podem, por exemplo, ser tentadas a citar, como sustentação de suas idéias, somente a segunda sentença. Mas qualquer uma dessas citações, quando mencionada separadamente, seria uma má apresentação da afirmação do Buddha. Deve ser lembrado que em nossa história o Buddha expressou aprovação das palavras do aprendiz, que diziam que uma pessoa deveria primeiro observar cuidadosamente seus próprios passos caso desejasse proteger os outros do dano. Aquele que está afundado na lama não pode ajudar os outros a saírem. Neste sentido, a autoproteção não é uma proteção egoísta. É o cultivo do autocontrole e do autodesenvolvimento ético e espiritual.