O Buddha ensinou a execução de dez ações meritórias a fim de conquistarmos uma vida feliz e pacífica, bem como para desenvolvermos conhecimento e compreensão. As dez ações meritórias são:

1. Generosidade
2. Moralidade
3. Cultivo mental
4. Reverência ou respeito
5. Servir na ajuda aos outros
6. Transferência de méritos aos outros
7. Regozijar com os méritos dos outros
8. Pregar e ensinar o Dhamma
9. Ouvir o Dhamma
10. Corrigir a visão pessoal

A execução dessas dez ações meritórias não será de benefício somente para si mesmo, mas também para os outros, além de dar benefícios aos recebedores. A conduta moral beneficia a todos os seres com os quais entramos em contato. O cultivo mental traz paz aos outros e inspira-os a praticar o Dhamma. A reverência faz surgir a harmonia na sociedade, enquanto que o serviço melhora a vida dos outros. Compartilhar os méritos mostra que nos preocupamos com o bem estar dos outros, enquanto regozijar-se com os méritos dos outros encoraja-os a executarem mais méritos. Ensinar e ouvir o Dhamma são fatores importantes para a felicidade tanto do professor quanto do ouvinte, ao mesmo tempo em que encoraja a ambos a viverem conforme ao Dhamma. Corrigir a visão pessoal capacita-nos a mostrar aos outros a beleza do Dhamma. No Dhammapada, o Buddha ensinou:

‘Se uma pessoa deve executar o bem,
Que ela o faça muitas e muitas vezes;
Ela deveria ter prazer nisso;
Pois abençoada é a acumulação do bem’. Dhp 118

‘Não pense superficialmente no bem, dizendo,
“Ele não chegará perto de mim” –
Assim como pela queda de gotas um jarro de água é preenchido,
Da mesma forma o homem sábio, recolhendo pouco a pouco,
Preenche-se com o bem’. Dhp 122

Há 10 ações demeritórias que são aconselhadas de nos mantermos afastados. Tais ações estão enraizadas na ganância, no ódio e na ilusão, e trarão sofrimento para os outros mas especialmente para si mesmo nesta vida e nas próximas. Quando uma pessoa compreende a Lei do Kamma e entende que as más ações trazem maus resultados, ela então irá praticar a Compreensão Correta e evitar executar tais ações.

Há três ações corporais que são karmicamente insalubres. Elas são: (1) matar seres vivos, (2) roubar, e (3) um comportamento sexual ilícito. Essas ações corporais correspondem aos primeiros três dos Cinco Preceitos que as pessoas deveriam seguir.

Os efeitos de matar para quem executa a ação são brevidade da vida, saúde ruim, constante pesar que leva à separação em relação aos serem que se amam e viver em constante medo. As más conseqüências de roubar são pobreza, miséria, desapontamento e uma subsistência dependente. As más conseqüências da conduta sexual inapropriada são ter muitos inimigos, sempre ser odiado e a união com esposas e maridos indesejáveis.

As quatro ações verbais karmicamente insalubres são as seguintes: (1) mentir, (2) difamar e inventar estórias, (3) fala grosseira, e (4) conversa frívola e sem sentido. Com exceção de mentir, as outras ações insalubres executadas pela fala podem ser vistas como extensões do Quarto Preceito.

As más conseqüências de mentir para quem executa a ação são estar sujeito à fala abusiva e à calúnia, ser indigno de confiança e sensações físicas desagradáveis. O mau efeito de caluniar é perder os amigos sem nenhuma causa suficiente. Os resultados da fala grosseira são ser detestado pelos outros e ter uma voz desagradável. Os efeitos inevitáveis da conversa frívola são órgãos corporais defeituosos e uma fala que ninguém presta atenção.

As outras três ações demeritórias são executadas pela mente, e são as seguintes: (1) ambição ou desejos ardentes especialmente por coisas pertencentes a outros, (2) má vontade, e (3) visão incorreta. Essas três ações correspondem às três raízes maléficas da ganância, ódio e ilusão. A não observância do Quinto Preceito de abstenção de intoxicantes pode não apenas levar à execução dessas três ações mentais demeritórias uma vez que a mente esteja intoxicada, mas também às outras ações demeritórias executada pelo corpo e fala.

Os resultados indesejáveis da ambição é a não realização das próprias vontades. As conseqüências da má vontade são a feiúra, as múltiplas doenças e uma natureza detestável. Finalmente, as conseqüências da visão incorreta são os desejos grosseiros, a falta de sabedoria, ser mentalmente lerdo, passar por doenças crônicas e idéias censuráveis.

Uma pessoa deveria sempre executar boas ações e se restringir em relação às ações prejudiciais. Se, entretanto, ela tiver executado uma ação maléfica, é necessário compreender onde cometeu o erro e fazer um esforço para não repetir o engano. Esse é o verdadeiro significado do arrependimento e, somente dessa forma, uma pessoa progredirá ao longo do nobre caminho para a emancipação.

Rezar para ser perdoado é sem significado se, após a reza tiver sido feita, a pessoa continuar a repetir a ação prejudicial. Quem lá está para ‘lavar os pecados de uma pessoa’, exceto ela mesma? Isso tem que começar com a compreensão, o agente maravilhoso de limpeza. Primeiro, compreende-se a natureza da ação e a extensão do prejuízo causado. Em seguida, compreende-se que tal ação é insalubre, aprende-se com ela e se faz a resolução de não repeti-la. Então, muitas ações são feitas para o benefício da parte afetada bem como a outros, tanto quanto possível. Dessa forma, o efeito de uma má ação é superado com um banho de boas ações.

Ninguém que erra, de acordo com o Buddhismo, está além da redenção ou reabilitação, especialmente quando há compreensão e Esforço Correto. Ser seduzido pela crença de que uma pessoa pode ‘lavar’ suas ações prejudiciais através de algum outro meio ‘milagroso’ não é apenas uma mera superstição mas, pior que isso, também não é particularmente útil para o desenvolvimento espiritual da pessoa. Isso fará somente com que ela continue ignorante e moralmente complacente. Essa crença mal disposta, de fato, traz a uma pessoa muito mais dano do que os efeitos tão temidos de uma ação ruim.

Pela observação dos preceitos, não apenas você cultiva sua força moral, mas também executa o mais alto serviço aos seus companheiros no sentido de viverem em paz

Todo país ou sociedade tem seu código do que é considerado moral em seu próprio contexto social. Esses códigos são frequentemente ligados ao interesse da sociedade e ao seu sistema legal. Uma ação é considerada correta quando não quebra a lei e não transgride a sensibilidade pública ou individual. Tais códigos sociais são flexíveis e adaptados, de tempos em tempos, a fim de se adaptar às mutáveis circunstâncias. Ainda que importantes para a sociedade, tais padrões não podem servir de guia seguro para alguns princípios absolutos de moralidade os quais podem ser aplicados universalmente e todo o tempo.

Em contraste, o código buddhista de moralidade não é uma invenção de mentes humanas. Não foi baseado em ética tribal que gradualmente foi substituída por códigos humanísticos comumente praticados atualmente. A moralidade buddhista é baseada na lei universal de causa e efeito (kamma), e considera uma ação ‘boa’ ou ‘má’ em termos da maneira como afeta a pessoa e os outros. Uma ação, mesmo que traga benefício para si mesmo, não pode ser considerada uma boa ação se ela causa dor física e mental a um outro ser.

A moralidade buddhista lida com uma muito comum, porém crucial questão: Como podemos julgar se uma ação é boa ou má? A resposta, de acordo com o Buddhismo, é simples. A qualidade de uma ação depende da intenção ou motivação (cetana) de onde se origina. Se uma pessoa executa uma ação a partir da ganância, ódio ou ilusão, sua ação é considerada como sendo insalubre. Por outro lado, se alguém executa uma ação a partir do amor, caridade e sabedoria, sua ação é saudável. Ganância, Ódio e Ilusão são conhecidos como ‘As Três Raízes Maléficas’, enquanto, Amor, Caridade e Sabedoria são as ‘Três Raízes Benéficas”. A palavra ‘raiz’ se refere à intenção da qual se originou a ação. Portanto, não importa quanto uma pessoa tente disfarçar a natureza de uma ação, a verdade pode ser encontrada pelo exame dos pensamentos que deram surgimento àquela ação, porque a mente é a origem de toda nossa fala e ação.

No Buddhismo, o primeiro dever de uma pessoa é se purificar das impurezas mentais da ganância, ódio e ignorância. A razão para isso não é um medo ou desejo de agradar seres divinos pois, se assim fosse, a pessoa ainda seria considerada como carecendo de sabedoria. Estaria somente agindo a partir do medo, como uma criança que se comporta bem por temor de ser punida ao ser desobediente. Buddhistas deveriam agir a partir da compreensão e da sabedoria; executar ações saudáveis porque compreendem que assim fazendo desenvolvem sua força moral, a qual provê a fundação para um crescimento espiritual, levando à Libertação. Além disso, eles percebem que sua felicidade e sofrimento são autocriados por meio da operação da Lei do Kamma. Para minimizar a ocorrência de perturbações e problemas em suas vidas, eles fazem o esforço de se restringirem nas más ações. Executam boas ações porque sabem que elas lhes trarão paz e felicidade. Uma vez que todos buscam a felicidade na vida, e uma vez que é possível para cada indivíduo prover a condição para a felicidade, então há toda a razão para se fazer o bem e evitar o mal. Além disso, a extirpação das impurezas mentais, a fonte de todos os atos antisociais, trará grandes benefícios para os outros na sociedade. Assim, ajudando a si mesmo espiritualmente, ajuda-se os outros a viverem pacificamente.

A moralidade buddhista laica é corporificada nos Cinco Preceitos, os quais podem ser considerados em dois níveis. Primeiramente, capacitam as pessoas a viverem juntas em comunidades civilizadas, com confiança e respeito mútuos. Em segundo lugar, consistem no ponto inicial para a jornada espiritual em direção à Libertação. Diferente de mandamentos, que supostamente são leis divinas impostas às pessoas, os preceitos são aceitos voluntariamente, especialmente quando percebem a utilidade em adotar algumas regras de treinamento para a disciplina do corpo, fala e mente. O entendimento, ao invés do medo da punição, é a razão para seguir os preceitos. Bons buddhistas deveriam se lembrar de seguir os Cinco Preceitos diariamente. São eles:

Tomar o preceito de treinamento em evitar:

1. matar criaturas vivas
2. tomar o que não me é dado
3. conduta sexual inapropriada
4. linguagem falsa
5. tomar drogas e bebidas intoxicantes.

Ao invés de compreender os Cinco Preceitos meramente como um conjunto de regras de abstinência, os buddhistas deveriam se lembrar de que através dos preceitos eles praticam os Cinco Enobrecedores também. Enquanto os Cinco Preceitos dizem o que não fazer, os Cinco Enobrecedores dizem quais qualidades devem ser cultivadas, a saber, bondade amorosa, renúncia, contentamento, veracidade e vigilância. Quando as pessoas observam o Primeiro Preceito de não matar, elas controlam seu ódio e cultivam a bondade amorosa. No Segundo Preceito, elas controlam sua ganância e cultivam sua renúncia ou não apego. Elas controlam a paixão sensual e cultivam seu contentamento no Terceiro Preceito. No Quarto Preceito, elas se abstêm da linguagem falsa e cultivam a veracidade, enquanto se abstêm do excitamento mental insalubre e desenvolvem a vigilância através do Quinto Preceito. Dessa forma, ao entenderem os enobrecedores, elas compreendem que a observância dos Cinco Preceitos não lhes influencia em se tornarem reclusas, críticas de si mesmas e negativas, mas terem uma personalidade cheia de amor e cuidado, juntamente com outras qualidades que nascem naqueles que levam uma vida moral.

Os preceitos formam a base prática no Buddhismo. O propósito é eliminar as paixões grosseiras que se expressam por meio de pensamentos, palavras e ações. Os preceitos são também uma base indispensável para as pessoas que desejam cultivar suas mentes. Sem algum código moral básico, o poder da meditação pode frequentemente ser aplicado para fins errôneos e egoístas.

Em muitos países buddhistas é um costume entre os devotos observar os Oito Preceitos em certos dias do mês, tais como nos dias de lua cheia e lua nova. Tais devotos vêm ao templo bem cedo pela manhã e passam as vinte e quatro horas por lá, observando os preceitos. Assim fazendo eles se retiram de suas vidas diárias, cheias que são de demandas materiais e sensuais. O objetivo de observar os Oito Preceitos é desenvolver o relaxamento e a tranquilidade, treinar a mente e se desenvolver espiritualmente.

Durante esse período de observação dos preceitos, os devotos passam seu tempo lendo livros religiosos, ouvindo os Ensinamentos do Buddha, meditando e também ajudando nas atividades religiosas do templo. Na manhã seguinte, eles revertem dos Oito Preceitos para os Cinco Preceitos destinados à observância diária e voltam para casa a fim de retomarem sua vida normal.

Os Oito Preceitos consistem na abstenção de:

1. matar;

2. roubar;

3. ações sexuais;

4. mentir;

5. tomar intoxicantes;

6. ingerir alimentos após o meio-dia;

7. dançar, cantar, música, shows não apropriados, uso de grinaldas, perfumes e objetos que tendem a embelezar e adornar a pessoa;

8. usar assentos altos e luxuosos.

Algumas pessoas acham difícil entender o significado de alguns desses preceitos. Elas pensam que os buddhistas são contra o dançar, o cantar, a música, o cinema, os perfumes, ornamentos e coisas luxuosas. Não há regra no Buddhismo que declare que os leigos buddhistas devam se abster de tais coisas. As pessoas que escolhem se abster desses entretenimentos são devotos buddhistas que observam os preceitos somente por um curto período como um modo de autodisciplina. A razão para se afastar desses entretenimentos e ornamentos é acalmar os sentidos mesmo que por umas poucas horas e treinar a mente no sentido de não ser escrava dos prazeres sensoriais. Isso ajuda a compreender que tais ornamentos somente aumentam a crença em um self ou ego permanente. Eles aumentam as paixões da mente e estimulam emoções que impedem o desenvolvimento espiritual. Ocasionalmente abstendo-se deles, as pessoas progredirão no sentido de superar suas fraquezas e exercer um maior controle sobre si mesmas. Entretanto, os buddhistas não condenam esses entretenimentos como coisas erradas. É importante para nós apreciar que a prática de tais preceitos é tomada, não por medo de transgressão, mas pelo entendimento do benefício existente em ser humilde e levar uma vida simples.

A observância dos preceitos (tanto os Cinco como os Oito Preceitos), quando executada com uma mente sincera e disposta, é certamente um ato meritório. Ele traz grandes benefícios para esta vida e para as vidas futuras, especialmente no desenvolvimento da sabedoria de ver as coisas como realmente são. Dessa forma, as pessoas deveriam tentar seu melhor no sentido de observar os preceitos com compreensão e tão frequentemente quanto possam.

Bondade amorosa ou o Amor Compassivo purifica a mente e a mente se torna uma força muito energética para irradiar o bem-estar para os outros

No mundo atual, há suficiente riqueza material e desenvolvimento intelectual. Embora devamos admitir que é distribuído desigualmente, certamente temos um suprimento adequado de intelectuais avançados, escritores brilhantes, palestrantes talentosos, filósofos, psicólogos, cientistas, conselheiros religiosos, maravilhosos poetas e poderosos líderes mundiais. Apesar de tais intelectuais, não há paz e segurança reais no mundo de hoje. Alguma coisa deve estar faltando. O que está faltando é espiritualidade e bondade amorosa, ou boa vontade, entre os homens.

O ganho material em si mesmo nunca pode nunca trazer a derradeira felicidade e paz. A paz precisa, primeiro, ser estabelecida em nossos próprios corações antes de podermos trazer a paz para os outros e para todo o mundo. O caminho real para conquistar a paz é seguir o conselho dado pelo Buddha.

Para se praticar a bondade amorosa, deve-se primeiro praticar o nobre princípio da não violência e é preciso estar sempre pronto para superar o egoísmo e mostrar o caminho correto para os outros. A luta não é para ser feita torturando o corpo físico, pois a maldade não está em nosso corpo, mas na mente. A não-violência é uma arma mais eficiente para lutar contra o mal do que a retaliação. A própria natureza da retaliação é aumentar a maldade.

Para se praticar a bondade amorosa é preciso também estar livre do egoísmo. Muito do amor nesse mundo é autocentrado, ou seja, é apenas amor por si mesmo ou para o benefício de si.

Não por causa do amor o marido é amado; mas o marido é amado pelo amor a si mesmo. Os filhos são amados por seus pais, não pelo amor aos filhos, mas pelo amor a si mesmos. Os deuses são amados, não pelo amor aos deuses, mas pelo amor a si mesmo. Não pelo amor qualquer um é amado, mas pelo amor a si mesmo eles são amados”.

O Buddha ensina um outro tipo de amor. De acordo com o Buddha, deveríamos aprender como praticar o amor desinteressado a fim de manter a verdadeira paz enquanto nos esforçamos por nossa própria salvação. Isso se chama amor altruísta: onde não é encontrado um eu que exerce o amor. Como o suicídio mata fisicamente, o egoísmo mata o progresso espiritual. A bondade amorosa no Buddhismo não é nem emocional nem egoísta. É a bondade amorosa que se irradia através de uma mente purificada após ter erradicado o ódio, o ciúmes, a crueldade, a inimizade e as aversões. De acordo com o Buddha, metta – a bondade amorosa – é o método mais efetivo para manter a pureza da mente e para purificar a atmosfera mental poluída.

A palavra ‘amor’ é usada para cobrir uma vasta gama de emoções experienciadas pelos seres humanos. Os buddhistas diferenciam entre ‘prema’, o amor egoísta, e ‘karuna’ ou ‘metta’, que significam o amor puramente altruísta. A ênfase na paixão animal mais inferior de um sexo pelo oposto degradou o conceito de um sentimento de amizade para com outro ser. De acordo com o Buddhismo, há muitos tipos de emoções, todas fazendo parte do termo geral ‘amor’. Primeiramente, há o amor egoísta e o amor sem egoísmo. O amor egoísta surge quando estamos preocupados somente com a satisfação que podemos tirar para nós mesmos, sem qualquer consideração pelas necessidades ou sentimentos do parceiro. O ciúmes é usualmente um sintoma do amor egoísta. O amor altruísta, por outro lado, é sentido quando uma pessoa entrega todo seu ser pelo bem de outro – os pais sentem tal amor por seus filhos. Usualmente os seres humanos sentem uma mistura de ambos, do amor egoísta e do amor altruísta, nos seus relacionamentos com os outros. Por exemplo, enquanto os pais fazem um enorme sacrifício pelos seus filhos, eles usualmente esperam algo em troca, de modo que há tanto egoísmo como altruísmo.

Um outro tipo de amor, mas muito ligado com o de cima, é o amor fraternal ou entre amigos, o que chamamos de ‘maitri’ ou mitra. Num sentido, esse tipo de amor pode também ser considerado egoísta, pois o amor é limitado a pessoas em particular e não abrange outros. Em outra categoria temos o amor sexual, onde parceiros se unem devido à atração física. É o tipo mais explorado pelo entretenimento moderno e pode cobrir tudo, desde as paixões sem complicações dos adolescentes até os relacionamentos mais complexos que possam existir entre adultos.

Em uma escala muito mais alta que essa está o amor universal, também chamado de Metta. Esse amor que tudo abarca dirigido a todos os seres sencientes é a grande virtude expressa pelo Buddha. O Senhor Buddha, por exemplo, renunciou a Seu reino, família e prazeres de modo a poder se esforçar para encontrar um caminho para libertar a humanidade de uma existência de sofrimento. De modo a obter Sua Iluminação, Ele teve que se esforçar por incontáveis vidas. Um ser menor teria desanimado, mas não o eleito para ser um Buddha. É por isso que foi chamado de ‘O Compassivo’. O amor sem limites do Buddha se estendeu não apenas aos seres humanos, mas a todas as criaturas vivas. Não era emocional ou egoísta, mas um amor sem fronteiras, sem discriminação. Diferente dos outros tipos de amor, o amor universal nunca termina em desapontamento ou frustração porque não espera recompensa e nem mesmo identifica quem ama. Ele cria mais felicidade e satisfação. Aqueles que cultivam o amor universal também cultivarão a alegria apreciativa e a equanimidade, e então atingirão o estado sublime.

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