No Que Os Buddhistas Acreditam

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No Que Os Buddhistas Acreditam

por Ven. Dr. K. Sri Dhammananda

Traduzido por Ricardo Sasaki
com a permissão do autor
para distribuição gratuita
© 2011 Edições Nalanda
Centro de Estudos Buddhistas Nalanda

Índice

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Índice

Parte Um: Vida e Mensagem do Buddha

Capítulo 1 – Sua Mensagem

Capítulo 2 – Sua Mensagem

Capítulo 3 – Após o Buddha

Parte Dois: Buddhismo: Essência e Abordagens Comparativas

Capítulo 4 – A Verdade Atemporal do Buddha

Capítulo 5 – Doutrinas Básicas

Capítulo 6 – O Buddhismo diante de outras abordagens

Parte Três: Levando uma Vida Buddhista

Capítulo 7 – Fundação Moral para a Humanidade

Capítulo 8 – Moralidade e Prática Buddhista

Capítulo 9 – Dhamma e Nós Mesmos como Refúgio

Parte Quatro : A Vida Humana na Sociedade

Capítulo 10 – Oração, Meditação e Práticas Religiosas

Capítulo 11 – Vida e Cultura

Capítulo 12 – Casamento, Controle de Natalidade e Morte

Parte Cinco : Uma Religião para o Verdadeiro Progresso Humano

Capítulo 13 – Natureza, Valor e Escolha das Crenças Religiosas

Capítulo 14 – Promotor da Verdadeira Cultura Humana

Capítulo 15 – Guerra e Paz

Parte Seis : Este Mundo e Outros Mundos

Capítulo 16 – Reinos da Existência

Capítulo 17 – Adivinhações e Sonhos

Prefácio da Edição Brasileira

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“Quando visitei a Malásia em 1999, tive a oportunidade de conhecer e conviver alguns dias com o venerável K. Sri Dhammananda em seu templo, o Buddhist Maha Vihara de Kuala Lumpur. O belo templo no estilo do Sri Lanka, seu país natal, é sustentado pela comunidade cingalesa e pela grande comunidade chinesa e, na época, era palco da reunião anual de jovens buddhistas. O trabalho com as crianças e jovens foi uma de suas bem sucedidas iniciativas, e como era bom ver jovens buddhistas de 8 a 20 anos se divertindo juntos (karaokes, teatro, brincadeiras) ao mesmo tempo em que estudando o Dhamma através de palestras, discussões e atividades criativas. Venerável K. Sri Dhammananda não incentivava nada particularmente Theravada ou Mahayana; seu era um buddhismo universal, que tocava jovens e velhos, chineses, malaios e cingaleses. Ele levantava três dedos para cima e dizia que representavam os três ‘P’s: pariyatti (o aprendizado do Dhamma), patipatti (sua prática) e pativedha (penetrá-lo e realizar seu objetivo). ‘Se pudermos todos fazer essas três coisas, então não precisaremos ser conhecidos como Theravada, Mahayana ou Vajrayana. Todos esses ‘yanas’ são feitos pelo homem. O Dharma da não linguagem, no final das contas, é entendido por todos os seres, não importando as escolas e tradições’.

K. Sri Dhammananda foi um dos mais importantes monges buddhistas atuando no extremo do sudeste asiático. É difícil descrever o impacto e significado do Ven. Dhammananda na vida buddhista da Malásia e Cingapura. Respeitado igualmente pelas comunidades Theravada, Mahayana e civil, o “Chefe”, como era conhecido, efetivamente dominou o cenário buddhista das últimas décadas. Suas obras educacionais, sociais, comunitárias, literárias, fizeram de K. Sri Dhammananda um ícone do Buddhismo da Malásia, país que escolheu para viver.

Nascido no Sri Lanka em 18 de março de 1919, aos 12 foi ordenado como noviço, recebendo o nome de Dhammananda (“Bênção do Dhamma”). Diplomou-se no Vidyalankara Pirivena College de Colombo, aos 26 anos, em pali, sânskrito, filosofia buddhista e cânon pali, e mestrado em filosofia buddhista na Benares Hindu University.

K. Sri Dhammananda chegou no Buddhist Vihara em Brickfields, Kuala Lumpur (capital da Malásia), em 1952, e 10 anos depois fundou a Buddhist Missionary Society (BMS). Escreveu cerca de 70 livros, os quais foram traduzidos em mais de 17 línguas. Temos o grande deleite de ver agora sua mais famoso livro também na língua portuguesa. Em 1965, o Ven. K. Sri Dhammananda foi indicado como Chefe Supremo da Sangha da Malásia e Cingapura.

Enquanto o encontro dos jovens se dava (o que durava uma semana no período das férias escolares), o “Chefe” já se encontrava doente. Num dos dias de minha estadia, ele foi levado ao hospital. Passei cerca de uma hora em seu quarto de hospital, juntamente com outros monges e discípulos laicos, entre conversas sobre o Dhamma, risadas e veladas preocupações por sua saúde. Por que era conhecido como “o Chefe”? Todas as escolas buddhistas o respeitavam e o consideravam sob sua influência e proteção. Seu porte avantajado, sua voz poderosa e sorriso sempre presente irradiavam uma serena autoridade que em breve se espalhou por todo o Buddhismo do sudeste asiático, particularmente da Malásia e Cingapura.

Ven. K. Sri Dhammananda morreu em 31 de agosto de 2006. Naquele mesmo dia, decidi oferecer a tradução de um de seus livros mais famosos: No Que Os Buddhistas Acreditam, como tributo a este incansável trabalhador do Dhamma que deve servir de exemplo a todos nós. Exatamente uma semana depois o site estava online e era inaugurado com a primeira entrada. No decorrer desses anos os leitores de língua portuguesa puderam regularmente ler os capítulos do livro colocados pouco a pouco online até finalmente hoje o completarmos. Que por essa tradução e oferta muitos seres se beneficiem!

Ricardo Sasaki
diretor-fundador da
Comunidade Buddhista Nalanda
9 de novembro de 2011

Prefácio da 5a. Edição

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A primeira edição desse livro veio à luz em 1964, como resultado de perguntas colocadas por devotos do Venerável Autor durante uma prolongada série de palestras do Dhamma realizadas por toda a Malásia. Ele sentiu que um livro dessa natureza poderia servir como um livro de referência para buddhistas e não-buddhistas, apresentando de uma forma simplificada as crenças e conceitos do Buddhismo, bem como as atitudes buddhistas em relação a outras crenças.

É irônico, mas verdadeiro, que há pessoas que professam essa religião e que até se colocam como líderes buddhistas, mas ainda carecem dos princípios básicos do Buddhismo. Muito deles são bem versados em certos ritos e rituais, mas não compreendem a essência do Ensinamento do Mestre. Ignorando os nobres Ensinamentos, eles introduziram muitas crenças sem base e tradições infundadas, tornando uma religião racional e gentil num objeto de zombaria. Como resultado, muitas pessoas se preocupam mais com os aspectos devocionais e ritualistas do Buddhismo enquanto prestam escassa atenção ao desenvolvimento espiritual verdadeiro que leva à sabedoria e ao entendimento.

Essa é uma triste situação causada por alguns religiosos egoístas e mal orientados. Dirigidos pela ignorância e incentivados por fins mercenários, algumas pessoas difamaram o Buddhismo como religião, dando a impressão de que ela encoraja crenças supersticiosas e dependência em amuletos e presságios. Mesmo alguns monges se rebaixaram ao status de vendedores de amuletos.

É irônico que muitas pessoas nem mesmo sabem o nome da religião a que pertencem. Alguns dizem: “Eu acho que sou buddhista”. Isso mostra a extensão do que negligenciaram na maneira de vida buddhista. Tal ignorância dos ensinamentos sublimes encorajou missionários inescrupulosos de outras religiões a ridicularizarem o Buddhismo com falsas acusações e interpretações errôneas. Um resultado disso é que, sendo ignorantes a respeito de seus próprios Ensinamentos e incapazes de refutar as falsas alegações, os buddhistas sucumbem facilmente nas armadilhas da conversão.

Um dos objetivos para a criação de No que os Buddhistas Acreditam é contrapor tal ignorância. Sua intenção principal é se dirigir àqueles que têm um desejo genuíno de conhecer algo sobre os ensinamentos básicos, bem como aspectos os mais difíceis da religião, explicadas de uma maneira que possam ser entendidos num contexto moderno e sem um conhecimento prévio dos temas. A popularidade desse livro foi além de nossas expectativas. Ele foi revisado em 1973 e novamente em 1982. A procura por esse livro continua. Traduções para o chinês, coreano e indonésio podem ser encontradas.

Esse ano de 1987 foi o vigésimo quinto aniversário da formação da Buddhist Missionary Society, e foi decidido que No que os Buddhistas Acreditam deveria ser revisado e melhorado como uma ‘Edição Especial de Comemoração’ a fim de celebrar o Jubileu de Prata de nossa sociedade. O Venerável Autor, assim, com mais de 40 anos de experiência como missionário, passou muito tempo em pesquisas extensas, compilando novos capítulos para dar origem à reimpressão de 1987 de No que os Buddhistas Acreditam como um livro para todos aqueles que buscam saber o que é o Buddhismo.

Mantendo o objetivo original desse livro, deve ser enfatizado que o Venerável autor não tem qualquer intenção de denegrir ou rebaixar as crenças e práticas de outros religiosos e de outras escolas buddhistas de pensamento. Ele repetidamente enfatizou as injunções do Buddha no Kalama Sutta dizendo a seus seguidores para conservarem uma mente aberta e racional na aceitação de qualquer ensinamento. O Buddha, em sua época, nunca ridicularizou as práticas e crenças de outros religiosos então predominantes, mas expôs a verdade. Também não é o objetivo desse livro procurar converter, porque tal espírito é alheio ao espírito do Buddhismo. Seu objetivo deve ser reiterado – informar e educar os buddhistas a respeito dos objetivos básicos de sua religião e demonstrar seus sublimes ideais, fazendo com que todo buddhista fique orgulhoso de ser chamado de buddhista. No que os Buddhistas Acreditam almeja iluminar os outros quanto aos puros Ensinamentos de maneira que a partir de um entendimento maior e mais amplo eles serão bons e gentis o suficiente para deixarem de castigar essa Nobre Religião que vem servindo e guiando milhões de pessoas para o Caminho Correto.

O Ensinamento do Buddha é a maior herança que o homem recebeu do passado. A mensagem do Buddha ensinada há mais de 2500 anos, uma mensagem de não-violência e paz, de amor e compaixão, de tolerância e compreensão, de verdade e sabedoria, de respeito e consideração pela vida, de liberdade em relação ao egoísmo, ódio e violência, permanece válida até hoje e permanecerá como a Verdade. Essa é uma mensagem eterna.

Estamos num mundo dilacerado pela discórdia. O Buddha ensinou que devemos desenvolver ‘Bodhi’, o coração da sabedoria, um coração de amor, um coração de compreensão, a fim de superar os vícios que prevalecem infectando o homem desde o começo dos tempos. ‘Superar o ódio pelo não-ódio, superar o ódio pelo amor’. Estamos praticando o conselho dado por Ele? Somos responsáveis por nosso destino. Temos que limpar nosso coração, examinar nossa própria natureza e nos determinar a praticar os Ensinamentos não somente na letra, mas o mais importante, no espírito. Espera-se que essa publicação de No que os Buddhistas Acreditam possa ajudar muitos de nossos amigos buddhistas que seguem o verdadeiro caminho em direção à Iluminação.

Como Presidente da Buddhist Missionary Society, foi uma honra e um prazer para mim estar associado tão de perto com o Venerável Dr. K. Sri Dhammananda, o autor, na produção desse livro.

Desejo expressar nosso sincero agradecimento e apreço ao Sr. Victor Wee e ao Sr. Vijaya Samarawickrama pela ajuda ao autor na edição deste livro e por muitas sugestões úteis que ajudaram a levar este livro à sua forma atual. Também gostaria de agradecer à Sra. Chong Hong Choo que gastou incontáveis horas cuidando de inumeráveis detalhes na produção deste livro, desde o início até sua finalização. Agradecimentos também são oportunos ao Sr. H.M.A. de Silva, Srta. Lily See, Lee Lai Fong, Quah Pin Pin, Leong Poh Chwee, Tan Kuee Fong e Low Mei Ying pela digitação e revisão, pois sem tal assistência o presente livro não seria possível.

Teh Thean Choo A.M.N.
Presidente da Buddhist Missionary Society

Prefácio da 4a. Edição

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Quando o Ven. Dr. K. Sri Dhammananda visitou este país pela primeira vez cinquenta anos atrás, em 2 de janeiro de 1952, a Malásia acabava de sair da devastação da Segunda Guerra Mundial e se encontrava envolta na emergência comunista que havia começado alguns anos antes. As condições econômicas e sociais estavam longe de satisfatórias e a prática do Buddhismo era praticamente não existente, embora um grande número de chineses professasse ser buddhista. As comunidades thailandesa e birmanesa ao norte, e a cingalesa em Taiping, Kuala Lumpur e Melaka, praticavam sua religião quase da mesma forma como era feito em seus países de origem, mas não encorajavam as pessoas locais e se juntar em suas atividades.

Havia, porém, um pequeno número de chineses educados no sistema ocidental que estavam conscientes de que aquilo que passava como Buddhismo em sua comunidade era mais uma grande mistura de Taoísmo degradado, religião popular e Confucionismo elementar. Havia a necessidade e um desejo neles por descobrir o que o Buddha realmente ensinou. No passado sua necessidade foi satisfeita por um pequeno número de monges Theravada educados na Inglaterra e que vinham à Malásia. Os nomes que imediatamente me vem à mente são o Ven. K. Gunaratana, Ven. Narada, Ven. Mahaveera, Ven. Ananda Mangala, todos do Sri Lanka, e dois ingleses, Ven. Anoma Mahinda e Ven. Sumangala. Os buddhistas que só sabiam chinês tinham que se basear em monges chineses bem conhecidos, como o Ven. Chuk Mor, Ven. Kim Beng e outros.

Em 1952, o Ven. K. Sri Dhammananda, então com apenas 34 anos, foi convidado para se tornar o incumbente chefe do Templo Buddhista em Brickfields, Kuala Lumpur. Ele imediatamente reconheceu o enorme potencial que existia na propagação do Dharma entre os chineses do país. Iniciou, assim, uma carreira de ensinamento e escrita que agora dura meio século e transformou a imagem do Buddhismo de modo tão efetivo que hoje é praticado por um número crescente de pessoas na Malásia. Isto se deve porque ele dedicadamente firmou seu pé na declaração de que o Buddhismo somente poderia ser praticado corretamente se pudéssemos retornar aos ensinamentos originais do Buddha. Ao mesmo tempo, ele apoiou não apenas o Buddhismo Theravada, mas também o Mahayana e o Vajrayana, pois dizia que todas essas escolas eram uma parte do Ekayana, o Único Caminho.

Enquanto cuidava das necessidades espirituais e culturais dos membros da Sasana Abhiwurdhi Wardhana Society, o Ven. Dhammananda também fundou a Buddhist Missionary Society da Malásia, a qual continuou a publicar e distribuir seus numerosos escritos assim como outros livros por todo o mundo. Um dos livros do venerável, No que os Buddhistas Acreditam, foi publicado inicialmente em 1962 como uma coleção de respostas ‘pés no chão’ a perguntas concernentes a como os ensinamentos do Buddha poderiam ajudar as pessoas a enfrentar os problemas contemporâneos. O livro ganhou imediatamente uma larga audiência, o que comprovou amplamente que ele preenchia uma necessidade há muito sentida entre os buddhistas. Ele foi revisado em 1973 e, mais tarde, em 1982, após o quê começou a ser traduzido em outras línguas. Hoje ele está disponível em espanhol, holandês, cingalês, nepali, persa, birmanês, coreano, chinês, vietnamita e indonésio.

Em uma ocasião, uma delegação cristã visitou o Ven. Dhammananda a fim de ter uma conversa. Um membro da delegação viu o livro em sua mesa e perguntou: “Venerável, no que os buddhistas acreditam?” Ele respondeu: “Os buddhistas em nada acreditam!” Intrigado, o homem perguntou: “Então, por que o senhor escreveu este livro?” O Ven. Dhammananda sorriu e disse: “Bem, leia o livro e veja por si mesmo se há qualquer coisa no Buddhismo que seja somente para acreditar”. O homem, então, perguntou: “Muito bem, então, o que os buddhistas fazem?” O Ven. Dhammananda respondeu: “Bem, primeiro eles estudam, então eles praticam e, finalmente, eles vivenciam” (pariyatti, patipatti, pativedha).

Sim, No que os Buddhistas Acreditam não irá lhes dizer no que acreditar. Ele é um livro que abre nossos olhos para vermos por nós mesmos a realidade da vida. O livro, escrito num inglês simples, e de uma maneira um tanto não convencional, provou ser efetivo em esclarecer as dúvidas de muitos leitores, incapzes de compreender as obras textuais e acadêmicas de eruditos. Desde sua publicação, muitos leitores capazes de entender o inglês puderam conhecer o que o Buddhismo é afinal de contas por meio da leitura deste livro.

Esta quarta edição de No que os Buddhistas Acreditam é uma versão expandida publicada para comemorar o aniversário de 50 anos de serviço Dhammaduta na Malásia do Ven. K. Sri Dhammananda. As duas sociedades concordaram de que a melhor forma de expressar nossas gratidão e apreciação pelo Ven. K. Sri Dhammananda, por seu impressionamente trabalho, é apoiá-lo em trazer a mensagem do Buddha às massas, isto é, publicando esta edição nossa esperança é de que todos os leitores, buddhistas e não-buddhistas, poderão ter uma vida mais rica após sua leitura.

Desejamos expressar nosso sincero agradecimento e apreciação ao Sr. Vijaya Samarawickrama, Dr. Victor Wee Eng Lee, Sr. Goh Seng Chai, Srta. Foo Pau Lin e Srta. Than Lai Har pela edição, digitação, revisão e por suas úteis sugestões que levaram o livro a esta forma atual. Queremos também agradecer ao Sr. Hor Tuck Loon pelo desenho da capa e layout do livro. Sem sua assistência e cooperação a publicação do livro não teria sido possível.

Ir. Ang Choo Hong, KSD, PPT
Presidente da Buddhist Missionary Society Malaysia

Sarah W. Surendre
Presidente Sasana Abhiwurdhi Wardhana Society

15 de março de 2002

Nota do Autor

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Com tantos livros disponíveis sobre o Buddhismo, alguém pode perguntar se há necessidade para mais um. Embora livros sobre o Buddhismo sejam encontrados no mercado, muitos deles são escritos para quem já adquiriu um entendimento básico do Buddha Dhamma. Alguns são escritos num estilo arcaico, baseados numa tradução rígida dos textos originais. Tal estilo não é chamativo para os leitores modernos que ficam com a impressão de que o Buddhismo é um tema seco. Há livros de eruditos que apresentam os ensinamentos de uma forma altamente acadêmica e intrincada. Exceto para uns poucos leitores bem informados, esses livros podem criar mais confusão do que esclarecimento, e podem levar o leitor comum a concluir que o Buddhismo é sofisticado demais para suas necessidades. Alguns livros realçam as diferenças entre as escolas buddhistas, com o resultado de que o leitor iniciante fica envolvido na chamada ‘rivalidade sectária’ sem perceber que há mais similaridades do que diferenças entre as escolas. Há também livros escritos por não buddhistas, os quais deliberadamente ou por causa de sua ignorância, distorcem e deturpam os verdadeiros ensinamentos do Buddha.

Este livro foi escrito com um objetivo específico na mente: introduzir o ensinamento original de forma clara e sem o recurso do exagero, implicações culturais ou depreciação de alguma escola do Buddhismo em particular, de modo que o leitor possa entender o Buddha Dhamma em seu contexto moderno. Há um crescente interesse pelo Buddhismo no mundo porque muitas pessoas bem informadas têm ficado cada vez mais cansadas com o dogmatismo religioso e as superstições por um lado, e do apego e o egoísmo surgido do materialismo de outro. O Buddhismo pode ensinar a humanidade a andar no Caminho do Meio da moderação e ter um melhor entendimento de como alcançar uma vida mais rica de paz e felicidade.

K. Sri Dhammananda
18 de março de 1987

Gotama, o Buddha – 1

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O Fundador do Buddhismo

Gotama Buddha, o fundador do Buddhismo, viveu no norte da Índia no 6º. século a.C. Seu nome pessoal era Siddhattha, e Seu nome de família era Gotama. Ele foi chamado de ‘Buddha’ após ter atingido a Iluminação e realizado a Verdade última. ‘Buddha’ significa ‘Desperto’ ou ‘Iluminado’. Ele geralmente Se chamava de ‘Tathagata’, enquanto que Seus seguidores o chamavam de ‘Bhagava’, O Bem Aventurado. Outros se referiam a Ele como Gotama ou Sakyamuni.

Ele nasceu como um príncipe que parecia ter tudo. Teve uma criação luxuosa e Sua família era de uma descendência pura de ambos os lados. Ele era o herdeiro do trono, extremamente belo, inspirador de confiança, majestoso e dotado de uma bela compleição e uma presença refinada. Aos dezesseis anos casou-Se com Sua prima Yasodhara, majestosa, serena e plena de dignidade e graça.

Apesar de tudo isso, o príncipe Siddhattha se sentia preso no luxo como um pássaro em uma gaiola de ouro. Durante as visitas fora do palácio Ele viu aquilo que foi conhecido como ‘Os Quatro Sinais’, isto é, um homem velho, um homem doente, um homem morto e um santo recluso. Quando viu os sinais, um após o outro, a compreensão veio a Ele de que “A vida está sujeita ao envelhecimento e à morte”. Ele perguntou: “Qual reino da vida no qual não há nem velhice nem morte?” O sinal do recluso, que estava calmo por ter abandonado a ânsia pela vida material, deu a Ele a indicação de que o primeiro passo em Sua procura pela Verdade deveria ser a Renúncia. Isto significava compreender que as posses materiais não poderiam trazer a felicidade última que as pessoas ansiavam.

Determinado a encontrar o caminho para fora desses sofrimentos universais, Ele decidiu abandonar o lar e encontrar a cura não somente para Si mesmo, mas para toda a humanidade. Uma noite, aos vinte e nove anos, com um silencioso adeus Ele Se despediu de Sua esposa e filho que dormiam. Selou Seu grande cavalo branco e Se dirigiu para a floresta.

Sua renúncia é sem precedentes na história. Ele abandonou, no auge de sua juventude, os prazeres em troca das dificuldades; seguiu da segurança da vida material para as austeridades; de uma posição de riqueza e poder para aquela de um asceta errante que se abrigava em cavernas e florestas, somente com Seu manto esfarrapado como única proteção contra o sol escaldante, a chuva e os ventos do inverno. Ele renunciou à Sua posição, riqueza, promessa de prestígio e poder, e uma vida repleta de amor e esperança em troca da busca pela Verdade, a qual ninguém havia encontrado, embora muitos na Índia a tivessem procurado por milhares de anos.